Um exemplo significativo: o escudo franquista preside Cámara municipal de Ferrol dez anos depois da aprovaçom da sua retirada

14 de Novembro de 2005

A própria imprensa do sistema publicava neste fim de semana a história de um dos numerosos símbolos do fascismo espanhol que inçam os espaços públicos e sedes institucionais no concelho de Ferrol, facto que a esquerda independentista vem denunciando com palavras e com factos durante os últimos anos.

O exemplo paradigmático é o escudo franquista que preside a vidraça das escadas do acesso principal no centro do edifício da Cámara municipal ferrolana. Desde que, em 1953, os franquistas decidírom mutilar umha das principais praças da cidade e levantar um prédio de reminiscências madrilenas como nova sede da instituiçom local, o escudo imperial espanhol mantém-se intacto como insulto à memória da barbárie. A passagem pola equipa de Governo local de todas as forças políticas institucionais (PP, PSOE, IU, BNG, IF) nom serviu para realizar o mais mínimo esforço de limpeza democrática, nem sequer no que todas elas dim que é a "casa de todos os ferrolanos".

Mas dizemos que é um caso paradigmático, porque dá para ver de que pouco pode chegar a servir a aprovaçom de resoluçons que nunca mais se cumprem. Há já umha década que o Pleno da Cámara municipal de Ferrol aprovou a retirada do escudo fascista, e desde entom nengum dos partidos citados mexeu um dedo para efectivar a decisom aprovada por eles próprios. Nada de novo, de resto, se temos em conta que noutras matérias como a normalizaçom lingüística há ainda mais anos que foi aprovada umha normativa específica igualmente esquecida nas gavetas dos pais da democracia local ferrolana.

Depois de que, em anteriores legislaturas, IU, BNG e PSOE passárom polo Governo local reduzindo o seu labor de limpeza de símbolos franquistas à conduçom da estátua eqüestre de Franco, "por motivos técnicos", da Porta Nova para um recinto militar, agora o PP e Independientes de Ferrol afirmam que a retirada do escudo imperial "nom é umha prioridade, é um gasto que nom se prevê". Naturalmente, a "oposiçom" nom fala muito no assunto, pois a direita governante tem fácil resposta. Vam os herdeiros directos do franquismo fazer aquilo que nom figérom, quando tivérom ocasiom, os supostos "antifranquistas"?

Nom estamos, porém, ante o único símbolo fascista em pé no concelho de Ferrol: águias presidindo centros de ensino, escolas com nomes dedicados a ministros franquistas como Ibañez Martín ou à mulher de Franco Carmen Polo, cruzes em lembrança dos caídos do bando golpista na guerra de 36, placas da Falange em prédios de habitaçom,... quer dizer, trinta anos depois da morte do ditador, o universo simbólico fascista continua em pé, graças à falta de vontade política de todos os partidos com representaçom institucional nos concelhos, deputaçons e Junta da Galiza.

Entretanto, NÓS-Unidade Popular apresentou no passado mês de Outubro, dentro da sua campanha dedicada a este tema, umha nova moçom municipal reclamando à Cámara de Ferrol a retirada de toda a simbologia franquista do concelho. Será bom lembrarmos que foi a acçom directa da esquerda independentista que permitiu alguns avanços neste terreno na comarca de Trasancos e outras do País, tais como a destruiçom a golpe de maça e em pleno dia de umha estátua do ditador espanhol numha paróquia do Concelho de Narom especialmente castigada pola repressom fascista.


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A falta de vontade política de absolutamente todos os partidos do arco autoproclamado "democrático" mantém, para insulto das vítimas do fascismo espanhol, os seus símbolos em todo o tipo de sedes institucionais e espaços públicos da Galiza