Direita espanhola manifesta-se em defesa do nacional-catolicismo

13 de Novembro de 2005

A direita espanhola continua a sua deriva para o extremismo filo-fascista e de reencontro com o nacional-catolicismo espanholista. As tímidas e contraditórias reformas do actual Governo espanhol, em matérias como a devoluçom do património espoliado polos franquistas ao povo catalám, os direitos d@s homossexuais, a reforma dos estatutos de autonomia, e agora a Lei Orgánica da Educaçom (LOE), enfrentam a mobilizaçom dos sectores sociais mais reaccionários, integrantes do núcleo duro do espanholismo.

Qualquer que visse ontem os milhares de fachas, integristas católicos, burgueses e outros segmentos sociais abastados a manifestarem-se em Madrid, poderia julgar que o Governo do PSOE está a tomar um rumo revolucionário ou a questionar o statu quo do actual sistema de democracia burguesa à espanhola. Nada mais longe da realidade, e a própria LOE é o melhor exemplo: umha reforma que mantém no fundamental o espírito da LOCE do PP, espanholista, elitista e privatizadora, que continua a manter a influência directa da Igreja Católica nas salas de aulas, com a Religiom como matéria avaliável. De facto, a ministra nom demorou a sair à defensiva para tentar tranquilizar a direita e a conferência episcopal, garantindo-lhes que a eufemisticamente chamada "livre eleiçom de centro" e o peso da religiom católica no currículo serám mantidos.

Porém, os bispos e a dirigência do Partido Popular nom renunciam à aplicaçom do seu programa de máximos, tentando tombar quanto antes um Governo em cujo sustentamento participam sectores dos nacionalismos periféricos que reclamam mais autonomia para as naçons sem Estado o que o constitucionalismo espanhol chama "nacionalidades históricas". A direita espanhola está empenhada em recuperar aginha o controlo directo do Estado e amarrá-lo com rédea curta, aprofundando a via autoritária, chauvinista e nacional-católica que os Acebes e Zaplanas representam na cúpula do PP, e que contam com o inestimável apoio de elementos do PSOE como José Bono, Francisco Vasques ou Rodríguez Ibarra.

Som essas evidentes contradiçons no seio do PSOE, juntamente com a substancial coincidência numha política consensual à volta da intocável e reaccionária constituiçom de 78 que dam ao PP o oxigénio necessário para pisar o acelerador e exercer de verdadeira extrema direita imperialista, em perfeita coordenaçom com o Vaticano do ex-nazi Joseph Ratzinger.

A manifestaçom de ontem em Madrid, radiada e televisada polos meios públicos e privados ao serviço do PP e a Igreja Católica, como a Televisom de Madrid ou a Cadena Cope, autêntica exibiçom de espanholismo mais rançoso e filo-franquista, é apenas mais um exemplo de aonde pode conduzir-nos a nossa dependência de um Estado espanhol incapaz de romper com o seu passado mais negro e sangrento, encarnado hoje na Constituiçom de 1978 e num parlamentarismo pseudo-democrático, cativo da grande burguesia, da monarquia e as Forças Armadas.

Estampas como a de ontem na capital espanhola reafirmam-nos na necessidade de continuarmos a trabalhar, a organizar-nos como povo e a luitar por umha Galiza livre, republicana, independente e socialista. E que saiba pôr a reacçom vaticanista e o patriarcado no lugar que lhes corresponde: fora da Galiza.

 

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