O Partido Popular mais fascista e espanhol de sempre

12 de Junho de 2005

A deriva do Partido Popular para a extrema direita é cada vez mais evidente. Se bem é certo que já durante o seu mandato no Estado espanhol demonstrou a sua essência totalitária perseguindo as liberdades, restringindo legislativamente direitos fundamentais, participando em guerras de rapina como a do Iraque e agitando o chauvinismo espanhol contra os movimentos de libertaçom nacional, o seu perfil na oposiçom está a endurecer esses traços.

Nos últimos tempos, o PP promove umha ofensiva de agitaçom dos sectores sociais mais extremistas, em conluio com a Igreja Católica, ante tímidos avanços legislativos efectivados polo Governo do PSOE, tais como o que reconhece o direito ao casamento aos e às homossexuais, ou a própria devoluçom do botim de guerra espoliado ao povo catalám polo exército golpista espanhol durante a Guerra Civil. Também em matéria de defesa do nacionalismo espanhol é evidente a ofensiva fascista do PP, sobretodo após a aprovaçom polo Congresso espanhol de um hipotético diálogo para dar saída ao conflito Espanha-Euskal Herria.

Assim, nas últimas semanas, o Partido Popular levou às ruas de Madrid e Salamanca dezenas de milhares de adeptos através de convocatórias efectivadas por associaçons sociais e instituiçons ao seu serviço, tais como a chamada Associaçom de Vítimas do Terrorismo (AVT), ou a Cámara municipal salmantina, governada polo próprio PP, e na próxima semana será o Foro Espanhol da Família quem convoque. A rede mediática de apoio, com a COPE à cabeça, dam cobertura à campanha em curso.

Em todos os casos, dirigentes do PP encabeçárom e vam encabeçar marchas reaccionárias em que se defende abertamente a violência institucional contra o inimigo separatista, vermelho e homossexual. Na primeira delas, contra umha saída dialogada ao confronto entre o povo basco e o Estado espanhol, a AVT e o PP reclamárom mais repressom contra o soberanismo basco, negando qualquer negociaçom e situando a unidade de Espanha por cima de quaisquer direitos democráticos.

Já na manifestaçom contra a devoluçom dos documentos usurpados polos franquistas ao povo catalám, o PP promoveu a simbiose entre a defesa da chamada "unidade do arquivo" e a "unidade de Espanha", e entre as faixas passeadas polos fascistas que aderírom à convocatória do PP, salientárom algumhas em que se reclamava "Carod Rovira ao paredom" e se lhe dedicava um caixom fúnebre como símbolo do seu futuro, ao tempo que se berrava, literal e ameaçadoramente, 'Carod cabronazo, baja tú a por los legajos'. Confirma-se o papel de novo Arzalluz jogado polo líder de ERC ante as alienadas massas espanholas após a reforma do ex-dirigente do PNB.

Na semana próxima, será a vez d@s homossexuais. Dentro da cruzada reaccionária do PP, e em coligaçom com a Igreja Católica, o fascismo espanhol reclamará a suspensom de direitos sociais elementares para os homens e mulheres que nom praticarem o modelo heterossexual como forma de relaçom sexo-afectiva.

Também na Galiza

Entretanto, na Galiza, líderes espanhóis como Acebes ou o próprio Rajoi participam na campanha eleitoral hasteando o espanholismo mais rançoso como bandeira, enquanto Fraga insulta abertamente as mulheres, tal como nos últimos meses tinha feito com @s homossexuais, atribuindo-lhes falhas genéticas. Claro que, para dizer a verdade, o PSOE nom fica muito por trás com a campanha de Francisco Vasques em defesa da unidade de Espanha, tendo trazido em plena pré-campanha o Exército golpista espanhol a desfilar polas ruas da Corunha e dirigentes como José Bono a proclamar a espanholidade da Galiza.

Ainda como ressaca do desfile espanhol, a juventude da esquerda independentista sofre umha cadeia de detençons por parte da Guarda Civil sob acusaçom de "injúrias ao Exército" e "associaçom ilícita". Até seis militantes de BRIGA fôrom até agora detidos na campanha da benemérita.

Se a todo o anterior ascrescentarmos o acobardado e contínuo pedido de desculpas de Anxo Quintana ante as "acusaçons" de "separatista" que o PP dedica ao BNG ao longo da campanha, desmarcando-se o Bloque continuamente de umha defesa conseqüente da soberania nacional galega, acabaremos de desenhar um quadro preocupante para o futuro imediato da Galiza, ganhe quem ganhar no dia 19 de Junho.

Só o fortalecimento social de umha esquerda independentista que defenda sem complexos os nossos direitos nacionais e sociais garantirá umha saída ao beco reaccionário e espanhol a que uns e outros querem conduzir-nos.

 

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