BRIGA entrevista trabalhador das brigadas florestais

12 de Setembro de 2005

A entidade juvenil independentista BRIGA acaba de publicar no seu web nacional umha interessante entrevista a um jovem trabalhador das brigadas florestais que neste Verao combatêrom o lume nos montes galegos. Em primeira pessoa, o membro da brigada helitransportada de Queijeiro, na comarca do Eume, dá algumhas chaves sobre as causas dos fogos florestais e critica a estratégia aplicada pola Junta da Galiza.

A seguir, oferecemos um fragmento da entrevista, que pode ser consultada na íntegra no web de BRIGA.


A Comunidade Autónoma Galega, pois carecemos de dados que abranjam a totalidade do território nacional galego, é umha das comunidades mais prejudicadas polo lume do Estado espanhol, sendo Ourense a "província" que mais incêndios sofreu; achas que estes lumes som intencionados tal e como explicitam os meios de comunicaçom?

É certo que, como dim os meios de comunicaçom, a maioria deles som provocados, o que já nom é tam certo é que sejam provocados por pirómanos que é a principal razom esgrimida polos mesmos. Alguém realmente acredita que os mais de cem lumes que pode chegar a sofrer a Galiza num só dia som provocados por um fato de loucos? O que está bem claro é que os incêndios provocados por pirómanos som claramente ocasionais. Os fogos florestais som provocados por interesses de diversa índole, quer imobiliarios, quer madeireiros, quer cinegéticos... e isto é precisamente o que os meios de comunicaçom nom dim.

A que pensas que é devido esse silêncio?

Pois simplesmente porque os meios de comunicaçom do poder nunca vam denunciar as más intençons dos poderosos, senom todo o contrário. Som a sua ferramenta de comunicaçom, som os alto-falantes que permitem que desconheçamos os interesses ruins de uns poucos privilegiados. Se realmente analisassem as causas, isso implicaria chegar à raiz do problema e entom por aí sairiam os nomes e apelidos dos que beneficiam deste autêntico terrorismo ecológico.

Podes citar algum?

Desgraçadamente uns quantos. Ence, Fadesa, Fenosa, Endesa... som alguns dos nomes e todos eles tenhem os mesmos apelidos: Capitalismo Espanhol. De todos os jeitos podemos dizer que este é um diagnóstico muito superficial. A realidade é muito mais complexa. Precisaríamos de tempo e espaço...

Nom temos pressa...

(risos) Nom é por tentar safar da resposta, mas é que daria para umha cadeira universitária!! Assim, em traços gerais, podemos dizer que a destruiçom do sector agrícola a raiz da entrada da Galiza na Uniom Europeia e a conseguinte conversom do núcleo socioeconómico na faixa costeira do País provocou um desequilíbrio populacional que levou ao abandono das aldeias e das suas terras. Isto será outro dos factores que favorecerá a plantaçom de monocultivos de árvores de rápido crescimento como o eucalipto e o pinheiro, pois som plantaçons que nom fam necessário trabalhar a terra e das quais em pouco tempo tiras ganho fácil. Porém, som estes monocultivos os que mais favorecem os lumes florestais.

Em que sentido?

Pois, por umha banda, o eucalipto é umha espécie pirófuga. Isto é, ainda que arda nom morre e, portanto, os seus mecanismos de auto-defesa ante o lume som mínimos. Umha hectare de eucaliptos arde a umha velocidade muito rápida e decote para os apagar tés de recorrer a fazer um contra-lume. Além do mais, o calor que se gera quando arde um bosque de eucaliptos é muito maior do que geram as árvores de umha fraga, o que fai mais difícil a sua extinçom. Qualquer pessoa que tenha estado nos labores de extinçom de um fogo florestal sabe que apagar um incêndio num eucaliptal adoita ser muito mais duro do que num souto ou numha carvalheira. Contodo, até há bem pouco era a própria Junta que incentivava a sua plantaçom através de subsídios a quem as plantasse.

Com que fim?

Para satisfazer as necessidades de celuloses como ENCE. É incrível que umha fábrica franquista de clara feiçom colonial tenha permanecido tanto tempo na ria de Ponte Vedra. É umha fábrica que nom só tem destruído centos de postos de trabalho directos e indirectos ao poluir umha das rias mais ricas da Galiza e cuja presença supujo hipotecar a saúde de milhares de galegos e galegas e a piora do seu nível de vida, senom que agora tem repercusons muito maiores a nível nacional pois, além de ter destruído a fauna e a flora de amplas zonas do País, tem convertido o agro galego num auêntico paiol, e todo para que umha pessoa se enriquecera. Assim de estúpido é o capitalismo, um vive na opulência à custa de milhares de pessoas. [...]

[ver entrevista completa no web nacional de BRIGA]

 

:: Mais informaçons sobre o mesmo tema

Debate público sobre os incêndios florestais em Ponte Areas (+...)

NÓS-UP denuncia interesses económicos atrás dos fogos e exige medidas urgentes (+...)

Numerosos fogos florestais assolam a Galiza (+...)

 

Voltar à página principal

 

 

Dous mortos, vári@s ferid@s, casas assediadas, famílias arruinadas, mais de 50.000 hectares queimadas, paragens naturais de grande valor ecológico destruídas... configuram o resultado do último Verao quanto a fogos florestais na Galiza