Galeuscat, empenhada em reformar Espanha, enquanto Quintana afirma que "BNG e PP tenhem as mesmas prioridades"

26 de Janeiro de 2006

Nos últimos dias, PNB, CiU e BNG retomárom os seus encontros como Galeusca, agora rebaptizada como Galeuscat, e reunírom em Madrid para reafirmarem o seu projecto de "desenvolver a ideia da Espanha plurinacional".

As três forças afirmam que o quadro estatal espanhol é ao mesmo tempo "umha ameaça" e "umha oportunidade", em referência às reformas estatutárias que nos últimos tempos tentam actualizar a relaçom de dependência da Galiza, País Basco e Países Cataláns a respeito de Espanha. As três forças dim querer "ultrapassar atitudes políticas hostis" e avançar na "coordenaçom política" no Congresso e Senado espanhóis, para o que vam constituir a chamada "Tribuna Galeuscat", com sede na capital espanhola e com Juan María Atutxa como presidente.

Desta forma, as versons mais descafeinadas dos nacionalismos basco, catalám e galego mantenhem o seu projecto particular, à margem de outras expressons dos respectivos movimentos de cada um dos povos, apostando por um modelo moderado de reformas estatutárias dentro da actual Constituiçom espanhola, por baixo das pretensons confederalistas exprimidas nos primeiros encontros do grupo. De facto, o próprio documento aprovado na reuniom de Madrid limita as aspiraçons das três formaçons a demonstrar que "um outro modelo de Estado [espanhol] é possível" (sic).

Se nos casos basco e catalám é clara a filiaçom de PNB e CiU às burguesias regionalistas, no caso galego é cada vez mais clara a vocaçom de procurar o reconhecimento primeiro e a integraçom depois numha burguesia galega de limitadas aspiraçons autonomistas. A renúncia à autodeterminaçom e os compromissos institucionais com o neoliberalismo na acçom de governo na actual Junta som umha prova inequívoca, confirmada polas relaçons internacionais escolhidas pola UPG-BNG: as facçons mais direitistas e regionalistas dos nacionalismos basco e catalám.

Quintana fai umha piscadela ao PP

O porta-voz do BNG e vice-presidente da Junta da Galiza, Anxo Quintana, deu novas mostras de por onde orientam a sua linha política os sócios do PSOE na Galiza. Se dias atrás alguns dirigentes do Bloque reconheciam em Feijoo o sector mais "madrilenista" do PP, agora Quintana afirma que "as prioridades do novo Estatuto estám fixadas e eu fico contente ao saber que as do BNG som as mesmas que as que o PP da Galiza mantém, e acho que também o PSOE".

Essas fôrom as palavras de Quintana depois de um encontro com Alberto N. Feijoo, na procura de "espaços para chegar a um acordo sobre o Estatuto", um encontro que definiu como "muito positivo".

Mais umha vez, a cara pública do BNG definiu as suas ambiçons um "quadro competencial ambicioso", incluindo os principais conteúdos da proposta estatutária catalá. Gabando a sucursal galega do PP, por ser mais "sensata" do que a direcçom espanhola, Quintana consegue, cada vez que abre a boca, transmitir umha imagem de maior integraçom do Bloque no constitucionalismo espanhol, como força de ordem que já renunciou à sua histórica identidade de esquerda e à ruptura que a Galiza precisa em relaçom à antidemocrática "monarquia parlamentar" espanhola.

Frente a tais evidências, cumpre que todo o espectro sociopolítico convencido da vigência da autodeterminaçom, como direito irrenunciável, e comprometido com um modelo anticapitalista ao serviço da classe trabalhadora, dê passos na estruturaçom da resposta à manobra institucional com que PP, PSOE e BNG querem reeditar o "café para todos" autonomista.


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Anxo Quintana e os representantes das burguesias autonomistas basca e catalá apertam as maos com sinal da sua sintonia política