Espanha: mais fascismo golpista nos quartéis

19 de Janeiro de 2006

Se alguém continuava a acreditar que o caso do tenente-general Mena Aguado era um caso isolado e nom tivo avondo com o apoio expresso da maior associaçom de militares espanhóis às suas palavras, agora temos mais umha mostra do golpismo consubstancial à instituiçom castrense espanhola.

Desta vez, foi um capitám da Infantaria da Legiom com destino em Melilha, que publicou umha carta num jornal denunciando "como Espanha está a ser desmembrada", e como está "na moda" todo o que for contra a "naçom, a Igreja e a família", bem como contra "os que luitárom por umha Espanha melhor", em clara referência aos golpistas e fascistas que nunca rendêrom contas por 40 anos de ditadura, assassinatos e repressom.

Este novo valedor das essencias hispanas chama-se Roberto González Calderón, e na sua missiva chega a apontar a vontade que já tivo de se apresentar em Madrid perante o Ministério da Defesa com a sua Companhia para transmitir as suas "inquietaçons" directamente ao ministro.

Esta nova intromissom militar na vida política volta a questionar as palavras do ministro da Defesa e do próprio presidente do Governo espanhol sobre o carácter isolado do mal-estar de Mena Aguado.

A carta deste capitám da Legiom contém todos os tópicos da tradiçom mais reaccionária do Exército espanhol, incluindo o rechaço às autonomias, protestando contra "a queima impune de bandeiras nacionais [espanholas] em actos públicos", ou pola existência de "umha geraçom de espanhóis que nom reconhecem Espanha como a sua pátria, graças à delegaçom de competências em matéria de educaçom que no seu dia foi feita", "como nom se pode levar umha camisola com a bandeira nacional [espanhola] sem temor a ser insultado nalgumhas regions espanholas".

O escrito, publicado num jornal melilhense, conclui com umha frase de autoafirmaçom: "basta já, Espanha será siempre umha única Naçom, gostamos de ser espanhóis e com certeza vamos continuar a ser. Estou molesto e preocupado, Sr. Presidente".

Mais umha vez, fica clara a falta de depuraçom da instituiçom castrense espanhola à morte do ditador. Nom só os comandos de mais idade continuárom nos seus postos, em muitos casos com as maos manchadas de sangue, como continuárom a criar escola, mantendo-se o carácter pró-golpista e ultra-reaccionário de um Exército ao qual a Constituiçom de 78, contra os mais elementares princípios democráticos, atribui a defesa do que chama "indivisível unidade de Espanha".

 

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O Exército espanhol continua a dar mostras da sua natureza profundamente antidemocrática e pró-golpista