Fraga reconhece em público que a imprensa está comprada e ao serviço do poder

25 de Maio de 2005

Se algo deve ser reconhecido ao velho fascista que preside a Junta da Galiza, é a clareza com que às vezes define a sua ideologia, quer seja pedindo a suspensom das autonomias "rebeldes", quer definindo @s homossexuais como pessoas "com afecçons estranhas" ou, como neste caso, afirmando que, como já sabíamos, a imprensa depende do dinheiro da Junta e por isso escreve ao ditado do poder.

Em palavras de Fraga que cita Vieiros, "nom há nada de novo. Vocês também o sabem porque todos participam desta prática", espetou em plena conferência de imprensa, e continuou, entre o tom do cinismo e a chantagem: "Que querem, que caiam todos os jornais da Galiza?". Fraga lembrou ainda que "todos os anos a imprensa pede ajudas" [...] "necessita ajudas para poder cumprir o seu insubstituível labor". E entom o candidato do PP definiu eufemisticamente a relaçom hierárquica que a dependência económica criou: "Nós limitamo-nos a pedir-lhe que dê informaçom completa das cousas que se fam. Isso é todo".

As declaraçons respondem às informaçons que remetem a 1983 como data em que começárom a assinar-se acordos entre a Junta da Galiza e os principais jornais existentes na Galiza, segundo os quais o Governo galego envia os conteúdos e orientaçons das notícias que devem ser publicadas. La Voz de Galicia seria o principal beneficiário desses convénios, notícia que nengum dos jornais referidos desmentiu, chegando a afirmar que "é normal" e que existem também "noutras comunidades".

Mas nom só os media realizam um "insubstituível labor" ao serviço dos que mandam. A Junta Eleitoral Central apoiou ontem o recurso da Conselharia de Política Territorial da Junta da Galiza para que lhe fosse permitido difundir propaganda sobre obras públicas da Junta em plena pré-campanha e mesmo na campanha eleitoral. Desse jeito, permite-se ainda mais claramente a utilizaçom do dinheiro público em favor da campanha concreta do partido governante, prática habitual nom só quando governa o PP, mas igualmente lá onde esse papel corresponde ao PSOE.

 

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