Onde está o inimigo?

16 de Agosto de 2005

Reproduzimos a intervençom de Francisco Martins, director da revista comunista portuguesa Política Operária, no acto político decorrido em Compostela no passado 25 de Julho, dentro dos actos organizados por NÓS-Unidade Popular polo Dia da Pátria.

O texto, que foi tirado do web nacional de NÓS-UP, orienta sem concessons o trabalho político contra a guerra para a denúncia da directa responsabilidade dos nossos governos nos ataques acontecidos recentemente em Londres e antes em Madrid.

Onde está o inimigo?

Francisco Martins

Na seqüência da recente onda de atentados, está em curso por toda a Europa umha campanha orquestrada para unir os cidadaos contra a "ameaça terrorista", ao lado dos seus governos e das suas polícias. Entramos assim numha etapa nova da "guerra infinita": até aqui martelavam-nos com a obrigaçom de apoiarmos os nossos soldados enviados para terras distantes; agora encarregam-nos de vigiar os "suspeitos", querem tornar-nos auxiliares da polícia. E é tam grande a pressom da histeria que mesmo partidos na área da esquerda - podo citar no nosso país o Bloco de Esquerda - enfileiram no campo da ordem e apelam a que "sejam descobertos e punidos os criminosos".

Aqui na Galiza tereis talvez exemplos semelhantes. Isto é umha estupidez, por duas razons. Primeiro, porque é absurdo pensar que os nossos países podem fazer a guerra a outros e nom sofrer as consequências. Na realidade, só pola esmagadora superioridade militar do Ocidente é que as baixas do nosso lado nom som maiores; se a guerra actual fosse em condiçons de igualdade, teríamos mísseis do campo contrário a cair sobre Londres ou Roma, tal como os "nossos" mísseis arrasárom Faluja e Bagdad; sofreríamos entom, nom centenas mas dezenas de milhares de vítimas inocentes, como eles sofrem.

É umha estupidez, em segundo lugar, porque as novas leis antiterroristas, a vigiláncia global, a coordenaçom das polícias, nom visam só os autores dos atentados; visam a própria esquerda. Há aí alguém tam ingénuo que ainda ignore o que preparam para nós os governantes europeus?

Pedir o reforço das polícias e da vigiláncia é pedir a repressom que amanhá cairá sobre nós próprios.

"Mas entom - perguntam-nos - como há de a esquerda ir ao encontro do pánico das populaçons, temerosas de novos actos de terror?" A resposta nom é difícil. Vamos dizer-lhes:

"Quereis acabar com o terrorismo? Reclamade agora a retirada de todas as tropas de ocupaçom, a demissom dos governantes criminosos que nos envolvêrom nesta guerra, o pagamento de indemnizaçons às populaçons vítimas da invasom, sançons a sério contra os fascistas sionistas, puniçom exemplar para os racistas e xenófobos..."

Talvez nom sejamos ouvidos à primeira. Mas se o repetirmos com força, a mensagem acabará por chegar. E aí muitos entenderám que os culpados polos atentados estám à nossa frente, som os nossos governos, e que o inimigo está no nosso próprio campo, é a nossa burguesia.

Intervençom de Francisco Martins Rodrigues no comício de Nós-Unidade Popular, em Santiago de Compostela, 25 de Julho de 2005

 

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