NÓS-UP difunde a sua posiçom política ante a configuraçom do novo governo autónomo

4 de Agosto de 2005

NÓS-Unidade Popular fijo pública ontem mesmo a sua avaliaçom inicial do novo Governo autónomo configurado polo PSOE e o BNG, bem como dos actos institucionais organizados em volta da toma de posse de Emílio Peres Tourinho. Pola importáncia de dar a conhecer a posiçom de partida da esquerda independentista no início desta nova legislatura, publicamos na íntegra o comunicado pendurado por NÓS-UP no seu web nacional:

"NÓS-Unidade Popular ante a investidura de Peres Tourinho e a formaçom do novo Governo autonómico

Nestes dias, assistimos a factos históricos na história institucional da Comunidade Autónoma Galega. Pola primeira vez, e após a derrota eleitoral da direita franquista pró-espanhola, umha organizaçom autoproclamada nacionalista galega fai parte de um Governo autónomo de coligaçom com o PSOE, no que tem vindo a ser chamado "alternativa progressista e galeguista".

NÓS-UP, que concorreu à cita eleitoral de 19 de Junho com um programa independentista e de esquerda, já exprimiu a sua satisfaçom polo fim da era Fraga, ao tempo que advertiu das limitadas perspectivas que abre a nova etapa.

O programa de Governo e a composiçom do executivo, juntamente com as primeiras declaraçons e gestos realizados polos principais gestores da anunciada "mudança" nas últimas semanas, reafirmam as nossas previsons quanto às estreitas margens previstas polos novos gestores de Rajoi para o avanço na construçom nacional galega com conteúdos realmente progressistas.

- No programa, porque o excesso de grandes palavras vai acompanhado da falta de concreçom, o que as limita a simples fogos de artifício que nom comprometem quem as escreve.

Assim, nom se comprometem medidas que outorguem poder de decisom ao povo galego, limitando as suas aspiraçons ao "Estado plurinacional" e a um autonomismo que já demonstrou a sua inviabilidade para resolver os principais problemas que a Galiza afronta.

Tampouco se avança nengumha medida estratégica para subverter a lógica neoliberal, de exploraçom e precarizaçom absoluta do mercado laboral galego, e que afecta especialmente as mulheres e a juventude.

Em definitivo, tampouco se proponhem cauces que nos encaminhem para umha verdadeira democracia participativa, mantendo-se os mesmos mecanismos e receitas de antidemocrático funcionamento do sistema actual.

Todo anterior fai-nos temer que a chegada de PSOE e BNG ao poder autonómico se limite a umha simples alternáncia que mude as formas e os talantes para que o fundo de injustiça, assimilaçom e exploraçom gerado polo sistema constitucional espanhol de 1978 se mantenha no fundamental, em todo aquilo que realmente importa à classe dirigente espanhola e aos seus sócios da burguesia espanholista galega.


- Na composiçom, porque o sector mais espanholista do PSOE consegue um importante poder de influência no novo Executivo, com o "vazquista" Mendes Romeu à frente da Conselharia da Presidência, à qual se adscreve nada menos que a nova Secretaria Geral de Política Lingüística.

Também porque o BNG cedeu outros departamentos fulcrais para a definiçom de umha política de compromisso real no plano nacional, como a Conselharia da Educaçom, e também no plano social, como as conselharias da Economia ou da Sanidade.


- Nas declaraçons e os gestos, porque o novo presidente já avançou que "governará para todos", grande falácia que indica a sua vontade de governar para os de sempre, ao tempo que marca como horizonte para a Galiza limitá-la a ser "umha nacionalidade histórica, umha comunidade nacional comprometida com o projecto comum dos espanhóis dentro de um Estado democrático descentralizado, plurirregional e plurinacional". Quer dizer, Tourinho, em nome do novo Governo, limita as aspiraçons nacionais galegas a umha vulgar "descentralizaçom", reafirmando o compromisso do seu executivo com o projecto nacional espanhol. Nom sai nem um passinho de fora do guiom previsto para a Galiza polo espanholismo, no mais genuíno espírito do "café para todos", mas agora com o aval do algum dia rupturista e soberanista BNG.

A presença de ministr@s e outros altos cargos do Estado espanhol na cerimónia de toma de posse de Tourinho, bem como a proliferaçom de bandeiras espanholas nos actos institucionais já desenvolvidos, confirmam um cenário que nem no programa, nem nas declaraçons, nem na iconografia, rompe com a linha espanholista anterior.


Pola nossa parte, NÓS-Unidade Popular sabe que o novo Executivo nom assume um programa rupturista nem menos ainda revolucionário. Nom é a nossa intençom, portanto, pedir peras ao olmeiro, senom unicamente exigir um mínimo de compromisso na transformaçom real do País nos parámetros social e nacional.

Por isso, a esquerda independentista por nós representada está firmemente decidida a exercer a oposiçom conseqüente que a nova situaçom exige. Umha oposiçom soberanista, socialista e feminista que acompanhe cada acçom de governo denunciando as medidas lesivas para o nosso povo trabalhador e apoiando sem reservas, se houver ocasiom, sem o mais mínimo sectarismo, cada decisom favorável aos interesses da maioria social galega.

Com esse objectivo, a nossa organizaçom apresentará ante o nosso povo, nas próximas semanas, um documento de mínimos que inclua as principais reivindicaçons ao novo Governo autonómico, e que sirva de referência para a oposiçom independentista, de esquerda e feminista que NÓS-UP exercerá de maneira firme nas ruas da nossa naçom.

Galiza, 3 de Agosto de 2005"

 

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Francisco Vasques e Fernandes Moreda, representantes da linha mais espanholista e reaccionária do PSOE, parabenizam Peres Tourinho no fim do acto de toma de posse