IRA pom fim à "campanha armada"

29 de Julho de 2005

O Exército Republicano Irlandês (IRA), que durante décadas enfrentou o colonialismo inglês polas mesmas armas e em defesa da independência e unidade territorial da Irlanda, fijo público ontem o fim da fase armada de confronto com o imperialismo británico.

Num comunicado da sua direcçom, informa de que foi dada a ordem de que os membros do IRA concluam a luita armada e se desfagam das armas que ainda possuem, dando passagem a umha nova fase que denominam de "desenvolvimento de programas estritamente políticos e democráticos através de meios exclusivamente pacíficos".

A Irlanda do Norte, com umha superfície de 13.576 km2 e umha populaçom de 1.685.000 habitantes, fai parte ainda hoje dos territórios que integram o Reino Unido. Quando o Estado Livre da Irlanda (mais tarde República da Irlanda) foi fundado, num tratado de 1921 com a Gram-Bretanha, três dos nove condados do Norte integrárom o novo território soberano, enquanto seis fôrom integrados no Reino Unido como província da Irlanda do Norte, que os ingleses costumam chamar Ulster.

Estes seis condados estavam mais ligados à Gram-Bretanha pola predomináncia d@s colon@s de origem escocesa adept@s ao cristianismo protestante introduzid@s polo imperialismo inglês no século XVII, que levárom o presbiterianismo, e condenando a populaçom originária irlandesa a ser minoritária e tradicionalmente discriminada.

O IRA que ontem decidiu pôr fim à luita armada começou o seu confronto com o unionismo e o colonialismo británico nos inícios da década de setenta, após a cisom entre o IRA "oficial" contrário à luita armada e o IRA "provisório", que a defendeu numha altura em que os direitos civis e sociais da populaçom irlandesa eram gravemente espezinhados por ataques sectários, progromos e flagrantes discriminaçons impostas polo unionismo e o aparelho estatal inglês.

Esta histórica declaraçom do IRA deu ontem continuidade à assinatura de um cessar-fogo há oito anos, em 1997, que abriu caminho aos Acordos da Sexta-Feira Santa, assinados em 1998, os quais dispugérom também a destruiçom de instalaçons militares e a retirada de soldados británicos da Irlanda do Norte.

A trascendência da decisom tomada polo Exército Republicano Irlandês levou-nos a traduzir e apresentar-vos na íntegra e na nossa língua o conteúdo da Declaraçom da organizaçom armada independentista irlandesa.

 

Declaraçom do Exército Repúblicano Irlandês (IRA)

28 de Julho de 2005

A direcçom de Oglaigh na hEireann (Exército Repúblicano Irlandês) ordenou formalmente o fim da campanha armada.

Esta decisom vai fazer-se efectiva a partir das 16 horas da tarde de hoje.

Todas a unidades do IRA recebêrom ordens para se desfazerem das suas armas.

Todos os Voluntários do IRA recebêrom instruçons para ajudarem ao desenvolvimento de programas estritamente políticos e democráticos através de meios exclusivamente pacíficos.

Os Voluntários nom devem envolver-se noutro género de actividades, quaisquer que elas forem.

A direcçom do IRA autorizou ainda ao nosso representante para colaborar com a Comissom Internacional Independente para a Incautaçom na culminaçom do processo verifícável de incautaçom, reforçando a confiança pública para concluir o tal processo o mais aginha possível.

Convidamos duas testemunhas independentes, das igrejas protestante e católica, para testemunharem este facto.

O Conselho do Exército tomou estas decisons após um processo interno de discussom e consulta sem precedentes com as unidades do IRA e os Voluntários.

Apreciamos o jeito honesto e directo como foi levado a termo o processo de consultas, bem como a profundeza e conteúdo das propostas.

Estamos orgulhosos da camaradagem com que foi conduzido este verdadeiramente histórico debate. O resultado das nossas consultas verifica um apoio muito firme dos Voluntários do IRA para a estratégia de paz de Sinn Féin.

Existe ainda umha preocupaçom generalizada polo facto de os governos e os unionistas nom se terem comprometido plenamente no processo de paz, o que criou verdadeiras dificuldades.

Umha esmagadora maioria dos irlandeses apoiam plenamente esse processo. Eles e os amigos da unidade da Irlanda no mundo todo querem ver totalmente aplicado o Acordo da Sexta-feira Santa.

Apesar dessas dificuldades, adoptamos as nossas decisons por forma a fazer avançar os nossos objectivos republicanos, incluído o de umha Irlanda unificada. Acreditamos que existe umha alternativa para o conseguir e pôr fim ao domínio británico no nosso país.

É responsabilidade de todos os Voluntários mostrar liderança, determinaçom e valor. Temos muito em conta os sacrifícios dos nossos compatriotas mortos, de aqueles que fôrom à prisom, os voluntários, as suas famílias e a mais alargada base republicana.

Reiteramos a nossa opiniom de que a luita armada era totalmente legítima.

Estamos conscientes de que muitos sofrêrom por causa do conflito. Edificar umha paz justa e duradoira é imperativo premente para todas as partes.

Foi-nos colocado o assunto da defesa das comunidades nacionalistas e republicanas. A sociedade tem a responsabilidade de garantir que nom voltem a produzir-se os progromos de 1969 e de começos dos anos setenta. Também existe a responsabilidade universal de fazer frente ao sectarismo em todas as suas manifestaçons.

O IRA está plenamente comprometido com os objectivos da unidade e a independência irlandesas, bem como com a construçom da República tal e como ela ficou delineada na Proclamaçom de 1916.

Fazemos um apelo para a unidade e o esforço máximos por parte dos republicanos irlandeses ondequer que eles se acharem.

Temos confiança em que, trabalhando juntos, os republicanos irlandeses havemos de atingir os nossos objectivos. Cada voluntário está consciente do alcance das decisons que adoptamos e todos os Oglaigh estám obrigados a cumprir totalmente estas ordens.

Temos agora o ensejo sem precedentes de aproveitar o considerável caudal de energia e boa vontade em prol do processo de paz. Esta ampla série de iniciativas, sem precedentes, representa o nosso contributo para o mesmo e para o empenho continuado por conquistarmos a independência e a unidade do povo da Irlanda.

 

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Mural independentista irlandês em Belfast, reclamando a saída das forças de ocupaçom británicas
Imagem de arquivo de manobras militares a cargo de guerrilheir@s irlandeses