Compostela, 18 de Março de 2006: Crónica e imagens das X Jornadas Independentistas Galegas
22 de Março de 2006
Dentro da série de actos e iniciativas políticas previstas polo nosso partido para este ano, o do décimo aniversário da fundaçom de Primeira Linha, a décima ediçom das nossas Jornadas Independentistas Galegas ocupava lugar de destaque. O nosso partido interpretou o actual como um bom momento para promover um debate a fundo sobre os desafios e necessidades da esquerda do século XXI. Para tal, e sempre com a Galiza como contexto referencial, conseguimos juntar à mesma mesa um grupo de pessoas representativas de diversas tendências dentro da esquerda actual.
Quem nos conhece e tem acompanhado a nossa trajectória política, sabe que Primeira Linha sempre se caracterizou pola sua abertura aos contributos dessa diversidade que caracteriza a esquerda. Sem ocultarmos a nossa identidade marxista e leninista, nom duvidamos da possibilidade de enriquecer um projecto revolucionário que, sem renunciar à sua matriz anticapitalista, sintetize o melhor dos contributos das diversas experiências e escolas da esquerda rupturista que nom se conforma com reformar o capitalismo.
Na décima ediçom, as Jornadas Independentistas Galegas demonstrárom mais umha vez essa característica do nosso partido, que tanto desconcerta aqueles que se cobrem com o manto do doutrinarismo teórico e a prática sectária para ocultarem as próprias carências como projecto emancipatório, quando nom a sua renúncia e integraçom no sistema que dim combater.
Desenvolvimento das Jornadas
Em sessons de manhá e tarde, as X Jornadas Independentistas Galegas, submetidas ao título "Desafios e necessidades da esquerda do século XXI", começárom o seu desenvolvimento polas 11 horas, com um debate moderado polo camarada Albete Moço Quintela em que participárom José A. Brandariz, professor de Direito Penal na Universidade da Corunha e membro do Centro Social Atreu da mesma cidade; Igor Lugris, integrante da Direcçom Nacional de NÓS-Unidade Popular e activista cultural na comarca galega do Berzo; Luísa Ocampo, militante da organizaçom feminista Mulheres Nacionalistas Galegas (MNG); e o professor de Ciências Políticas na Universidade Autónoma de Madrid e especialista em política internacional Carlos Taibo, velho amigo do nosso partido.
Foi um debate de interesse, com vozes diversas a reflectirem sobre as mudanças operadas na composiçom das forças populares susceptíveis de encabeçar ou, no mínimo, integrar um processo revolucionário que transforme o sistema mundialmente hegemónico após a queda dos sistemas ditos de "socialismo real". O protagonismo de formas de organizaçom plurais, assembleares e horizontais, e a articulaçom dos movimentos sociais numha perspectiva superadora do capitalismo, a importáncia do feminismo como ingrediente desse projecto, o estado actual do movimento antiglobalizaçom como expressom do mesmo, fôrom alguns dos pontos tratados primeiro polas pessoas que falárom à mesa e, logo a seguir, polo numeroso público que, em número superior à centena, assistiu ao debate da manhá.
Polas 17 horas, e prolongando-se durante mais de três horas, a sessom da tarde começou com a confirmaçom da ausência de um dos participantes previstos: o dirigente abertzale basco Joseba Álvarez, que tinha prevista a sua participaçom, enviou umha carta dirigida ao público e ao nosso partido, escusando-se pola nom assistência. A ameaça iminente de prisom por parte das forças repressivas do Estado espanhol impediu, mais umha vez, o diálogo entre os povos basco e galego, mas nom poderá impedir que a nossa camaradagem e mútuo reconhecimento solidário continue a fortalecer-se no futuro como até agora tem acontecido. Umha ovaçom geral das pessoas assistentes seguiu-se à leitura da carta remetida polo companheiro Joseba Álvarez. A camarada Íria Medranho deu leitura à comunicaçom que o dirigente de Batasuna tinha previsto realizar.
O nosso camarada Francisco Martins Rodrigues, director da revista comunista portuguesa Política Operária; o líder histórico da expressom maioritária do nacionalismo galego, Xosé Manuel Beiras; e o secretário geral do nosso partido, o camarada Carlos Morais, expugérom nos seus discursos as particulares leituras do estado actual da esquerda na Europa e no mundo, suscitando um grande interesse nas quase duas centenas de pessoas que lotárom a sala de actos do Hotel Compostela. O público participou activamente também numha reflexom colectiva que quijo contribuir para a definiçom de espaços comuns de debate e acçom revolucionária com umha perspectiva nacional em nengum caso contraditória, senom dialecticamente imbricada, num internacionalismo que sempre foi sinal de identidade da esquerda anticapitalista. Em próximos dias, esperamos poder pendurar a maior parte das intervençons em ambas sessons, incluída a enviada por escrito polo companheiro basco Joseba Álvarez.
A própria composiçom do público assistente, muito variado na sua procedência e definiçom ideológica dentro do campo da esquerda nacional, dá conta do acerto de fazer desta décima ediçom das nossas Jornadas um espaço de debate amplo que sirva para o fortalecimento do movimento revolucionário galego.
Quanto à nossa militáncia comunista e independentista, fortalecida polo êxito desta iniciativa, no mesmo dia a seguir às X Jornadas Independentistas Galegas, começou já o preámbulo do que serám as XI Jornadas do ano próximo, que tentaremos encher de conteúdo e interesse para os sectores populares a que se tenhem dirigido durantes as dez ediçons anteriores.
.: Galeria de imagens das X Jornadas Independentistas Galegas:.
Oferecemos a seguir umha ampla reportagem fotográfica do desenvolvimento desta décima ediçom das Jornadas Independentistas galegas. Clica sobre cada umha delas para as veres aumentadas.
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