Outros dous trabalhadores mortos e o anunciado "plano de choque" contra os sinistros laborais continua sem ser apresentado

14 de Fevereiro de 2006

O presidente da Junta, Emilio Peres Tourinho, anunciou à chegada ao seu novo cargo que iria ser aplicado um plano de choque que detivesse o imparável crescimento da sinistralidade laboral na Galiza. Passárom-se mais de seis meses, os acidentes continuam a crescer em número e do "plano de choque" só vimos a oferta ao patronato e aos sindicatos para um grande pacto social que dilua os interesses do povo trabalhador com os antagónicos da classe dominante, com a promessa de que, como por arte de magia, isso reduzirá os acidentes.

Entretanto, ontem mesmo morriam dous operários nas obras do porto exterior da Corunha. Nom é a primeira vez que acontece um acidente grave nessas obras, pois no passado mês de Junho já morreu um camionista no mesmo local, também por conseqüência de um mar muito perigoso e da falta de medidas de segurança.

Desta vez, o mar engoliu um dos obreiros, deixando recolher o cadáver de um segundo, ao nom terem sido paralisados a tempo os trabalhos numha jornada especialmente perigosa pola acçom do vento. Os falecidos som Esteban Estevo Mendes, de 33 anos e nascido em Mondonhedo, e José Furelos Tavoada, de 53 anos e natural de Arçua, embora com morada em Oseiro (Corunha). A actuaçom das forças de salvamento marítimo nom conseguiram encontrar o corpo de José Furelos no momento em que publicamos esta informaçom.

A CIG reclamou mais umha vez a intervençom dos serviços da Inspecçom do Trabalho e da Fiscalia do Tribunal de Justiça da Galiza contra os responsáveis da Unión de Empresas Temporales Langosteira, encarregada dos trabalhos na zona. A própria CIG anunciou a apresentaçom de umha denúncia perante o que o eu secretário comarcal na Corunha denominou "clamorosa e grave" carência nas medidas de segurança e a desconsideraçom da violência do mar no ponto em que o acidente aconteceu.

Chove no molhado

Tal como já acontecera no passado mês de Julho, o presidente da Autoridade Portuária, Macario Fernández-Alonso, e outras autoridades, dirigírom-se ao local para anunciar um expediente informativo que, tememos, poda acabar em águas de bacalhau como quase sempre nestes casos.

A sinistralidade aumentou na Galiza em 78% na última década, segundo dados oficiais da Administraçom autonómica. A resposta do novo Executivo nom está a passar de vaguidades como "criar umha cultura da segurança tanto nos empresários como nos trabalhadores", "um tema que reclama de todo o trabalho e toda a prioridade da Junta da Galiza", "tema incluído na negociaçom da concertaçom social", "estamos trabalhando em distintas linhas de avanço na concertaçom social, no plano de choque de sinistralidade laboral..", etc.

NÓS-Unidade Popular manifestou a sua solidariedade aos companheiros e às famílias das vítimas, exigindo a detençom das obras e a depuraçom de responsabilidades, evitando que de novo podam ficar impunes. O comunicado feito público pola formaçom independentista pode ser lido na íntegra no seu web nacional.

Mais umha vez, como trabalhadores e trabalhadoras, devemos assinalar directamente a Administraçom autonómica como primeira responsável por esta situaçom, exigindo que deixe de enganar o povo trabalhador galego e de especular com os votos de esquerda que recebeu de importantes sectores do mesmo. A Inspecçom do Trabalho deve começar a funcionar a sério e os empresários responsáveis devem começar a ser levados a prisom, numha estratégia de fundo que elimine a precariedade laboral como caldo de cultura dos acidentes.

Enquanto tam elementares medidas nom forem tomadas, os acidentes e as mortes continuarám a suceder-se.

 

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