Galiza, o BNG e os "concelhos limítrofes"

9 de Dezembro de 2005

Alguns meios de comunicaçom publicam hoje a irada reacçom das delegaçons asturiana e castelhano-leonesa dos dous principais partidos espanhóis, PSOE e PP, perante a referência do BNG na sua proposta estatutária às comarcas galegas excluídas do actual Estatuto de Autonomia da Galiza.

Os executivos autonómicos das Astúrias (PSOE) e Castela e Leom (PP) qualificam de "absurdo" e "irrealizável" o que denominam "anexionismo" por parte do BNG. No intuito de desqualificar a referência do BNG aos concelhos da faixa Leste da Galiza, sublinham ainda o seu suposto parecido com o Plano Ibarretxe.

Mas, o que é que o "Novo Estatuto" proposto polo BNG di desses territórios? literalmente, afirma na disposiçom final segunda que "Poderám incorporar-se à Galiza aqueles concelhos limítrofes de características históricas, culturais, económicas e geográficas análogas, mediante procedimentos democráticos que serám regulados por lei".

Por fim o BNG se decidiu a incluir umha referência a esses mais de 185.000 galegos e galegas que habitam umha faixa territorial de 6447 km2, quer dizer, 6,4% da populaçom galega e 17,2% do nosso território nacional, que a legislaçom espanhola exclui nom apenas da pertença à Comunidade Autonoma da Galiza (CAG), como também da sua condiçom de galegofalantes.

Quanto à reacçom do PSOE e do PP, confirma mais umha vez o medo quase religioso que tenhem à democracia e a prioridade que a sua concepçom integrista do facto nacional dá à "Espanha eterna" sobre os direitos democráticos dos povos e as pessoas.

No entanto, a referência do BNG, impecável quanto ao mecanismo democrático para favorecer a reintegraçom da Terra Návia-Eu, Vale do Íbias, o Berzo, a Cabreira e a Seabra, peca da sua definiçom como simples "territórios limítrofes", o que parece confirmar tratarem-se de terras "vizinhas" e nom integrantes da entidade nacional que historicamente conhecemos polo nome de Galiza. Umha entidade, nom o esqueçamos, nom só anterior à existência do estreito Estatuto de Autonomia actual, senom também muito anterior à divisom provincial com que Javier de Burgos consagrou em 1833 a "Espanha das províncias" hoje transmutada na "Espanha das autonomias".

Sendo positivo que o BNG, pola primeira vez, admita a possibilidade de ultrapassar as fronteiras actuais que os espanhóis nos outorgam como Comunidade Autónoma, resta muito para que o nacionalismo de vocaçom autonomista representado polo Bloque assuma a territorialidade plena da nossa naçom.

Para tornar mais verossímil a sua proposta, deveria começar, por exemplo, por deixar de negar aos galegos e galegas dessas comarcas a possibilidade de constituírem assembleias comarcais do BNG, ou por assumir que o mapa da Galiza nom coincide com o mapa quadriprovincial autonómico, que nestes dias foi novamente publicitado pola sua secçom juvenil num cartaz. Como vai ter credibilidade a proposta de um reconhecimento institucional a essas comarcas quando o próprio BNG como organizaçom nom as reconhece?

Devia, em definitivo, acreditar num projecto nacional pleno em lugar do autonomismo radical que hoje já representa, ainda que isso supugesse situar em frente o PSOE e o PP. Onde, senom, ham de estar os principais baluartes políticos da tam constitucional e antidemocrática "unidade de Espanha"?

 

Voltar à página principal

 

 

Abraço "fraternal" dos presidentes das comunidades autónomas das Astúrias e a Galiza, ambos do PSOE