Negras perspectivas para o galego: a Secretaria Geral da Política Lingüística reproduz o mesmo discurso paternalista e discriminatório do PP

14 de Março de 2006

Diversos meios difundírom umha entrevista com Marisol Lopes, máxima responsável pola política lingüística no Executivo autonómico galego, que confirma a sua filosofia discriminatória e continuísta. A secretária geral da Política Lingüística da Junta continua a falar de "convencer", "reforçar", "esperança" e outros jogos florais que escamoteiam a verdadeira realidade: a de umha língua em processo de substituiçom e abandonada à sua sorte por umhas instituiçons públicas ao serviço da imposiçom definitiva do espanhol.

Dirigem belas palavras a umha língua que querem ver defunta

Marisol Lopes nom passa na citada entrevista de dedicar belas palavras ao galego, mostrando-se partidária de limitar a acçom de governo a "convencer" os galegos e as galegas para falarem galego, e afirmando ser "optimista", pois julga "esperançosos" os dados sociolingüísticos referidos à competência lingüística da populaçom galega. Os mesmos ressessos, estéreis e esgotados "argumentos" dos Regueiros Tenreiros, dos Gonçales Moreiras e restantes altos cargos do PP, que durante anos a fio se limitárom a preparar com boas palavras umha mortalha para a nossa língua.

Agora é Marisol Lopes, a responsável pola Política Lingüística do Governo bipartido formado polo PSOE e o BNG, quem continua a alimentar as mesmas ilusons bilingüistas, lembrando-nos que, ante todo, na Galiza "há duas línguas", e reduzindo, como o PP fijo durante 16 anos, os direitos lingüísticos à mera escolha individual dos e das falantes: "estamos num mundo globalizado"..."a liberdade de cada um dos falantes é claro que há que respeitá-la". Quer dizer, a maneira como sempre o espanholismo fugiu da aplicaçom de um planeamento lingüístico que garanta o direito colectivo do nosso povo à sua língua nacional, o galego.

Marisol Lopes nom é a única responsável pola política lingüística da Junta da Galiza

Sabemos que, diante da total inactividade da Secretaria Geral da Política Lingüística, entidades lingüísticas satelizadas pola UPG, como a Mesa, jogam a "fazer oposiçom" a Marisol Lopes. No entanto, é mais do que duvidoso que o Bloque vaia fazer do compromisso com a língua um dos eixos da governabilidade. A própria Marisol Lopes assim o reconhece na entrevista que comentamos, quando afirma que "as demandas em prol da língua que o BNG fai nom vam supor um risco de conflito [no Governo da Junta]".

De facto, seria injusto fazer recair nos ombros da secretária geral toda a responsabilidade pola política lingüística do Executivo de coligaçom. Cada Conselharia, cada departamento, cada Direcçom Geral, está em condiçons de aplicar no que lhe di respeito medidas decididas e efectivas que situem os nossos direitos lingüísticos como bandeira de qualquer acçom institucional, que incidam nos sectores sociais a que se dirigem. Porém, até hoje nada disso aconteceu, e a língua está a ser a grande esquecida da acçom de governo do PSOE e o BNG.

As declaraçons de Marisol Lopes, afirmando por exemplo que nom concorda com dar ao galego um estatuto jurídico preferencial ao do espanhol apesar de saber que a situaçom da nossa língua é de extrema fraqueza, o estéril recurso ao "convencimento", o contínuo apelo a evitar a "atrocidade de prescindir do espanhol", a reivindicaçom de "um país bilíngüe"... som só a confirmaçom de qual é a perspectiva que para a nossa língua se abre nesta nova legislatura. Mas a mesma responsabilidade corresponde a quem nomeou esta secretária geral (o PSOE) que a quem renunciou a qualquer responsabilidade directa nas áreas mais determinantes para a política lingüística (o BNG), como a Conselharia da Educaçom ou a própria Secretaria Geral assumida por Marisol Lopes.

Em matéria lingüística, este Governo, como os anteriores, está a rir-se de nós

É este o momento de lembrarmos como o BNG e PSOE, durante o último ano de legislatura, acusárom o PP de "congelar" o Plano Geral de Normalizaçom Lingüística que as três forças parlamentares tinham aprovado meses atrás. Agora, Marisol Lopes afirma que o seu departamento quer desenvolver, sim, o tal Plano Geral. Para isso, dedicará todo este ano a "criar umha Comissom Interdepartamental e avançar num possível Pacto pola Língua", que prevê que poda ser encenado "a princípios de 2007". Mais comissons?, mais pactos? Mas nom era o próprio Plano Geral o grande pacto do consenso possível entre PP, PSOE e BNG?! Ah, nom, antes de dar um só passo verificável e efectivo, Marisol Lopes quer convencer também "os grandes empresários, os sindicatos e as associaçons sobre o apoio ao galego".

Mas, a que "grande colaboraçom empresarial" é que aspira Marisol Lopes? ela mesma esclarece: "o pacto vai fazer-se ainda que nom esteja nengum empresário" mas, com "grande ambiçom", pretende "aglutinar as empresas representantivas". Para quê? pois para chupar "subídios e acordos de colaboraçom, no senso de apoiar iniciativas perecedoiras, como pode ser um cartaz" (sic), mas também que incluam "algo que vaia ficando", como "o uso do galego num web ou na rotulaçom". Repetimos: grande ambiçom!

Também no referente ao uso do galego nas provas de acesso à funçom pública, a secretária geral defende o seu chefe, o conselheiro da Presidência Mendes Romeu, que descartou finalmente o uso do galego como língua veicular das mesmas. Marisol Lopes concorda com que "há que ser prudentes", quer dizer, há que deixar todo na mesma.

E no ensino? O que de partida foi um compromisso de que no actual ano lectivo se cumprisse a lei, ficou no compromisso de "constituir umha comissom [outra comissom!] para analisar e dispor de dados deste ano lectivo sobre o cumprimento do decreto" [sobre o uso do galego no ensino].

Assim estám as cousas da língua com o novo Governo "progressista e galeguista" formado polo PSOE e o BNG. Será que pode alguém duvidar que, em matéria lingüística, este Governo, como o anterior, está a rir-se de todas e todos nós?

 

 

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