Gasto militar espanhol em 2006 vai superar os 58 milhons de euros diários

25 de Outubro de 2005

Longe de significar umha mudança em relaçom com o militarismo que caracterizou os anos de governo do Partido Popular, o PSOE manterá as desorbitadas despesas em armamento e outros conceitos adscritos ao gasto militar durante 2006, segundo se prevê nos Orçamentos Gerais do Estado que irám ser aprovados proximamente polo Congresso espanhol.

As previsons do Governo espanhol prevêm um endividamento para os próximos 15 anos, até 2021, de 18.000 milhons de euros, com a compra de helicópteros "Tigre", Avions militares "A-400 M", Eurofighter EF-2000, Fragatas F-100 e os chamados Programa Pizarro e Programa Leopardo.

Salienta também nas previsons orçamentárias espanholas o desvio de grandes quantidades de dinheiro público para empresas privadas, mediante subsídios militaristas ocultos sob a etiqueta de "Investigaçom Desenvolvimento e Inovaçom Tecnológica" (I+D+i), mecanismo já activado polo próprio PSOE na sua anterior etapa de governo, em 1986, e que até hoje supujo o desvio de 5.000 milhons de euros (quase 1 biliom de pesetas). Estes subsídios carecem de qualquer mecanismo objectivo e transparente para a sua atribuiçom, bem como de acompanhamento e avaliaçom, ficando adscritos à chamada "Política Europeia de Segurança e Defesa da EU", que obriga a manter um gasto constante e crescente em política militar por parte dos estados. Lembremos que a recente aprovaçom da Constituiçom Europeia marcou ainda mais essa tendência.

Em linha com esta tendência, em 2006 haverá um incremento no Orçamento do Ministério da Defesa de 5,54% segundo o Projecto de Lei de Orçamentos Gerais do Estado. Umha parte irá destinada aos salários dos militares, que terám um aumento de 25% nos próximos três anos (desde 2006 até 2008). Ao todo, o Ministério da Defesa, que será o que desfrute maior dotaçom, disporá de 7.416,6 milhons de euros, que o Executivo Zapatero justifica eufemisticamente alegando ao "impulso da modernizaçom e o desenvolvimento de um modelo realista de profissionalizaçom das FFAA". Essa modernizaçom, que engolirá 1.292 milhons de euros, inclui a aquisiçom de novo armamento, entre o que podemos citar:

- Míssil IRIS-T.
- Buque Aprovisionamento Combate.
- Obus REMA 155/52.
- Míssil ALAD (TAURUS).
- Helicóptero NH-90.
- Míssil curto alcance.
- Buque de Acçom Marítima.
- Fragata F-100 2ª Série.

Outros programas previstos sob a etiqueta de I+D+i de carácter militar som os denominados:

- Programa EF-2000 (Aviom de Combate Europeu).
- Programa AIRBUS-400 M de transporte militar.
- Programas de Certificaçom de Helicópteros Militares.
- Programas de Homologaçom de Armamento e Equipamento para a Defesa.
- Programas de Calibragem e Metrologia dos Exércitos e a Armada.
- Apoio em investigaçom, desenvolvimento e ensaios à indústria nacional aeronáutica, espacial e da defesa.

O Governo espanhol actual também nom renuncia ao seu papel de axuliar do imperialismo no exterior, no que denomina "papel das FFAA como elemento relevante da acçom exterior do Estado" com base nas seguintes directrizes: impulso decidido da Política Comum de Segurança e Defesa da UE, participando no fortalecimento do Corpo de Exército Europeu (EUROCORPO), da Euro-Força Operativa Rápida (EUROFOR), da Força Marítima Europeia (EUROMARFOR), da Força Anfíbia Hispano-Italiana (SIAF) e do Grupo Aéreo Europeu (European Air Group). Além disso, e consoante os acordos assinados no Conselho Europeu de Colónia de Junho de 1999, o Estado espanhol impulsionará junto aos seus sócios do imperialismo europeu as chamadas "Missons Petersberg" ou "de gestom de crises", incluindo a preparaçom para o despregamento de 60.000 soldados do Euroexército para assim fazer frente ao que chamam "novas ameaças" e de acordo com o princípio da guerra preventiva consagrado pola Constituiçom Europeia, favorecendo "a intervençom rápida e, em caso necessário, contundente", tendo em conta também a crise energética global em que o Estado espanhol reconhece achar-se imerso.

Outros princípios recolhidos nas previsons de gastos e orientaçom ideológica militar espanhola para o próximo ano som definidos nas chamadas "Directrizes da Defesa Nacional", que incluem: participar activamente nas iniciativas da NATO, privilegiar umha relaçom "sólida e equilibrada" com os EUA e fomentar o que chamam "consciência da Defesa Nacional na sociedade" (eufemismo da promoçom da ideologia militarista).

Umha política de Defesa, a prevista polo Governo espanhol para 2006, que além de promover o militarismo, continuará a desviar recursos das políticas sociais mais urgentes (sanidade, educaçom, emprego de qualidade…) para o armamento do capital, que por sua vez continuará a apertar as porcas dos sectores sociais mais desfavorecidos e impedindo pola força da ameaça qualquer tendência soberanista nos povos sem Estado submetidos polo regime constitucional de 1978. Nom esqueçamos que o próprio vice-presidente económico Pedro Solves apresentou já a sua proposta de reforma laboral para restringir mais ainda os direitos da classe trabalhadora. Mais umha vez, vemos que tanto o PSOE como o PP sabem seguir o guiom escrito polo capitalismo espanhol, através de umha alternáncia que nada muda nas políticas de fundo.

Lembremos ainda que o BNG já anunciou o seu apoio a esses Orçamentos Gerais do Estado, após ter rebaixado as suas pretensons na exigência económica das verbas dedicadas à Galiza e para assim "apoiar a consolidaçom" do Governo de coligaçom entre PSOE e BNG à frente da Junta da Galiza. Nengumha crítica ou exigência foi colocada polo Bloque ao Governo espanhol ante as prioridades militaristas de uns Orçamentos que serám finalmente aprovados com os votos favoráveis do autonomismo galego.


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Os Orçamentos Gerais do Estado espanhol previstos para 2006 som os mais militaristas dos últimos anos