Montenegro: autodeterminaçom no coraçom da Europa

5 de Março de 2006

Montenegro, país balcánico integrante da que fora República Federal da Jugoslávia depois de ter sido reino independente até 1918, e hoje federado com a Sérvia, viverá no próximo dia 21 de Maio um referendo de autodeterminaçom convocado polo seu Governo, após a aprovaçom do mesmo no Parlamento.

Anteriormente, a Eslovénia (1990) e a Macedónia (1991) decidírom democraticamente a separaçom da Jugoslávia, enquanto a Croácia e a Bósnia vivêrom nos anos 90 guerras especialmente devastadoras que concluírom com a respectiva separaçom da Sérvia, que mantém umha unidade estatal com o Montenegro.

Montenegro, por sua vez, é umha pequena e montanhosa república virada para o Mar Adriático, saída de que a Sérvia carece. A populaçom sérvia é a principal minoria (31.99%) face aos 43.16% de montenegrinos e montenegrinas e 18.29% de outras origens étnicas. Em termos lingüísticos, no Montenegro fala-se sérvio-croata, língua eslava do grupo báltico-eslavo falada, além de no Montenegro, na Bósnia, Croácia e na Sérvia. Porém, as sucessivas divisons políticas alimentárom posiçons isolacionistas primeiro entre a Sérvia e a Croácia, e a seguir entre a Bósnia e a Croácia. Em Novembro de 2004, o Parlamento montenegrino estabeleceu a divisom lingüística como mais um traço diferencial na tendência soberanista a respeito da Sérvia.

Agora, esse mesmo Parlamento, onde as forças soberanistas som maioritárias, convoca um referendo de autodeterminaçom, que contradi aqueles que, no Estado espanhol, pretendem limitar esse direito universalmente reconhecido polos organismos internacionais, aos casos das colónias clássicas na Ásia e África. Mais umha vez, e face a outros exemplos de confrontos bélicos alimentados por potências estrangeiras na década de noventa na mesma regiom europeia, o exercício do direito de autodeterminaçom revela-se como a melhor opçom para um povo decidir o seu futuro de maneira democrática.

Porém, a própria Uniom Europeia colocou um obstáculo ao pleno exercício democrático do direito, ao situar a fasquia necessária para a independência em 55%. Umha vitória independentista inferior a 55% pode vir a provocar novos conflitos após um referendo em que se perguntará à populaçom montenegrina: "Quer que o Montenegro seja um Estado independente com umha total legitimidade internacional e legal?".

Os inquéritos situam em 42% o apoio à plena soberania nacional, enquanto 32% é contra (percentagem equivalente à da populaçom sérvia que vive no país). 25% de indecis@s decidirám finalmente o futuro imediato da naçom montenegrina.

 

 

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