Delirante carta do Provedor de Justiça espanhol denuncia excessos de umha inexistente "imersom lingüística" na Galiza

5 de Outubro de 2005

O Provedor de Justiça espanhol ("Defensor del Pueblo" na nomenclatura administrativa espanhola) acabou de remeter umha carta à ministra da Educaçom, Maria Jesús San Segundo, em que mostra o seu "mal-estar" e "crescente preocupaçom" polo que denomina "lesom de direitos lingüísticos" existente na Galiza, bem como nas Baleares e a Catalunha. Contra o que a realidade e um mínimo de objectividade imponhem, Enrique Múgica, representante do mais agressivo nacionalismo espanhol, nomeado para o cargo que ocupa polo Partido Popular de Aznar, refere-se na sua carta a umha suposta limitaçom de direitos lingüísticos dos espanholfalantes no nosso país.

Contra todos os estudos oficiais e nom oficiais, mas sobretodo contra o que qualquer pessoa pode comprovar dia a dia no ensino actual existente na Galiza, Múgica encontra "excessos" e chega a "denunciar" a existência de umha política de "imersom lingüística" em galego, que naturalmente ele rejeita. Exercendo de defensor do assimilismo lingüístico, Enrique Múgica pede que sejam alargadas as isençons para alunas e alunos espanhóis nos territórios com língua cooficial nom espanhola, e que se incorporem à nova legislaçom educativa "elementos que garantam a plena efectividade dos direitos lingüísticos que correspondem aos destinatários do direito à educaçom", em referência à populaçom espanholfalante frente ao ensino de galego-português e catalám, idiomas aos quais dedica a sua inaudita carta.

Segundo o Provedor de Justiça, "som cada vez mais freqüentes as queixas em que se pom de manifesto a nula efectividade da opçom lingüística dos que desejam receber ensinanças oficiais em espanhol", nomeadamente as alunas e alunos espanhóis que chegam à Galiza, Catalunha e Baleares.

Obsessionado com umha suposta e inexistente "imersom" em galego, Múgica evita qualquer defesa das crianças galegas que tenhem negado o direito a receber aulas na nossa língua, assim como os claros incumprimentos da legislaçom educativa no que a uso do galego-português di respeito. Nengumha referência na carta-burla de Múgica a relatórios como o da UNESCO em que se cataloga o nosso idioma como em perigo de extinçom na Galiza, ou o mais recente do Conselho da Europa em que se sublinham os incumprimentos e falta de compromisso das instituiçons espanholas para com os direitos lingüísticos da populaçom galega, incluindo a reclamaçom de que seja implantado um sistema educativo com imersom em galego.

Nada mais longe do nosso ánimo que esperar qualquer compromisso de Enrique Múgica com os direitos lingüísticos do nosso povo. Dependerá unicamente da nossa capacidade e luita colectiva fazermos valer esses direitos. Porém, é exigível um mínimo respeito à inteligência e à dignidade das galegas e os galegos, evitando burlas tam descarnadas como esta que os media nos fam engolir hoje.

 

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