NÓS-Unidade Popular contesta a decisom da Executiva da CIG de nomeá-la organizaçom "nom grata"

13 de Maio de 2005

NÓS-Unidade Popular fijo público ontem o juízo que lhe merece a decisom da Executiva da CIG de declarar a organizaçom independentista como "nom grata" e proclamar a sua intençom de impedir que a militáncia independentista poda participar em mobilizaçons promovidas pola central, apesar de muit@s filiad@s de NÓS-UP fam também parte da própria CIG. Reproduzimos a seguir a resposta independentista ao inaudito anúncio que aparecera dias atrás no web do sindicato.

 

"Perante a decisom da Executiva Confederal da CIG de declarar NÓS-UP "nom grata"

Nom é a nossa intençom entrar numha dialéctica de tensionamento político com outros sectores da central com que mantemos notáveis diferenças tácticas e estratégicas de índole sindical e política. Contodo, o lacónico e delirante pronunciamento realizado pola Executiva Confederal no passado dia 4 de Maio exige pola nossa parte umha resposta para fazer valer a nossa presença na central e os direitos que, como militantes da esquerda independentista e filiad@s do sindicato, nos correspondem estatutariamente e nom podem ficar ao arbítrio de nengum órgao de direcçom.

Queremos esclarecer, aliás, que nom estava na nossa intençom fazer desta umha polémica pública, mas a forma publicitária que a Executiva Confederal tem utilizado para notificar a sua decisom -um "anúncio" unilateral na página web do sindicato-, sem contactar com a organizaçom e as pessoas interessadas, nem proceder a qualquer contraste de opinions e informaçons, obriga-nos a contestar também publicamente.

Após termos conhecimento oficial a 10 de Maio através da página web do sindicato da decisom adoptada pola Executiva Confederal no dia 4, a Direcçom Nacional de NÓS-Unidade Popular quer fazer públicas umhas pontualizaçons e esclarecimentos em defesa da permanência da filiaçom da nossa organizaçom na central e da pluralidade político-ideológica e sindical da CIG. Pontualizaçons e esclarecimentos que queremos sejam do conhecimento de toda a filiaçom do sindicato:

1º A surrealista decisom adoptada pola Executiva Confederal de declarar "nom grata" a nossa organizaçom e, portanto, a sua militáncia, e "adoptar as medidas necessárias para impedir a sua presença nas manifestaçons organizadas polo nosso sindicato" é puramente arbitrária e carece de qualquer fundamento jurídico e estatutário, como bem conhece a própria Executiva, e é, portanto, ilegal e inaplicável, violando os direitos a que som credoras todas as filiadas e filiados da CIG. Direitos entre os que se encontra o de nom ver limitada a filiaçom à central com base na ideologia ou a filiaçom política das pessoas que fazemos parte da mesma.

Como demonstrará no seu momento a Comissom de Garantias, se a Executiva Confederal teimasse em aplicar este acordo antiestatutário, a decisom tomada no dia 4 carece de fundamento jurídico. A tentativa de aplicá-lo exigiria por parte da Executiva Confederal umha perseguiçom ou caça às bruxas da filiaçom de que se suspeitasse a sua militáncia em ou simpatia face NÓS-Unidade Popular; posiçons que, por outra parte, som perfeitamente legítimas e legais segundo os Estatutos aprovados pola central no III Congresso. Consideramos que tal forma de intervençom suporia umha grosseira purga e ilegal controlo político da filiaçom por parte do citado órgao. O mesmo pode dizer-se da tentativa de impedir que trabalhador@s da CIG que militam em NÓS-UP participem em mobilizaçons sindicais.

2º Nom é admissível tampouco que se qualifique de "atitude irrespeitosa" com o sindicato a crítica política que a nossa organizaçom e militáncia poda fazer dentro da CIG à direcçom da central pola sua orientaçom, os estilos de trabalho, as modalidades de participaçom e os posicionamentos políticos e sindicais maioritários. Tal possibilidade é um direito recolhido polos próprios Estatutos sem que poda ser arbitrariamente suprimido por interesses políticos ou doutro tipo.

Queremos recordar à Executiva Confederal que nom se pode riscar de "colaboracionista com o poder nas suas campanhas contra a central sindical nacionalista" quem, legitimamente, sustentamos posiçons políticas e sindicais diferenciadas das da maioria sindical, fazemos parte da CIG desde a sua fundaçom, e temos contribuído para a sua construçom e implantaçom. No entanto, nós sim poderíamos afirmar que o órgao que agora pretende impedir a presença de filiados e filiadas de NÓS-UP na central tem sido "colaboracionista com o poder" quando, após o 11-M, destacados dirigentes sindicais participavam em mobilizaçons dirigidas por TV em defesa da Constituiçom espanhola, quando a Executiva defende a política de infraestruturas viárias promovida pola patronal espanhola, ou quando se toleram na CIG práticas sindicais inaceitáveis.

3º A Executiva Confederal da central erra conscientemente de inimigo, ou age politicamente com má intençom, quando, assumindo as palavras-de-ordem lançadas polos media espanhóis no passado 1º de Maio a respeito de NÓS-UP e supeditando a elas a sua acçom, trata de criminalizar gratuitamente a nossa organizaçom e a militáncia de NÓS-Unidade Popular que realiza trabalho sindical na CIG.

Temos que dizer, em contra das acusaçons mediáticas que alguns dirigentes da central reproduzírom sem contrastar e mecanicamente nos últimos dias, que NÓS-Unidade Popular é umha organizaçom política legal que enquadra a sua intervençom dentro da legalidade e trabalha ao serviço do Povo Trabalhador Galego e da sua libertaçom nacional e social de género. Pretender atribuir a NÓS-UP a realizaçom de acçons tipificadas como delitivas no actual quadro legal, e fundamentar sobre essa acusaçom falsa um apartheid sindical contra os sectores da esquerda independentista a que representamos, indica que o objectivo da Executiva Confederal é, unicamente, acabar com a a pluralidade político-sindical real da central, limitar esta a um couto privado do BNG e suprimir a presença de independentistas organizad@s no seio da CIG.

A Executiva da CIG deveria declarar pessoa "non grata" e solicitar a demissom de Delfín Fernández, Subdelegado do Governo de Ponte Vedra, do chefe da Polícia espanhola e do chefe da Polícia local de Vigo pola brutal carga policial, polas agressons indiscriminadas contra as centenas de trabalhadoras e trabalhadores que participavam na mobilizaçom do 1º de Maio em Vigo, polas feridas sofridas por dúzias de operári@s e jovens, polo tratamento vexatório aos três detidos, e nom fazer o jogo aos inimigos do povo trabalhador e da Naçom galega.

4º Lamentamos, por último, que, sob a pressom mediática e política do patronato e do espanholismo, em funçom dos interesses eleitoralistas do BNG, um importante sector da direcçom da central repita erros do passado e decida somar-se à politicamente correcta "caça ao independentista". Queremos recordar que, tal como ontem, esta caçaria é ilegítima, inclusivamente antiestatutária e está condenada ao mais estrepitoso fracasso: a militáncia independentista é, ontem, hoje e amanhá, umha parte indissociável do sindicalismo nacionalista e de classe, da pluralidade política e sindical inerente à classe trabalhadora da nossa Naçom. Nengumha decisom funcionarial da burocracia pode suprimir esta realidade nas estruturas sindicais e dos centros de trabalho.

Advertimos que resistiremos com todos os nossos meios, e com a solidariedade dos filiados e filiadas da CIG quem estejam dispost@s a defender a pluralidade político-sindical do sindicato de que fazemos parte, para que nom se execute este acordo antidemocrático e contrário ao espírito e a letra dos Estatutos aprovados no III Congresso.

Nom aceitaremos, portanto, que qualquer decisom burocrática e antidemocrática trate de modificar esta condiçom objectiva e comprometemo-nos a defender firmemente a pluralidade da central e o lugar que nos corresponde dentro do sindicalismo nacionalista e da classe trabalhadora do nosso País.


Avante o sindicalismo nacionalista e de classe!!!
Defendamos a pluralidade política e sindical da CIG!!!
Viva a Classe Trabalhadora Galega!!!
Nom à repressom policial, mediática e judicial!!!


Direcçom Nacional de NÓS-Unidade Popular

Galiza, 12 de Maio de 2005"

 

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