General espanhol ameaça com intervir militarmente na Catalunha e PP apoia-o

Ouve aqui a referência do general à possível intervençom militar

Ouve aqui a declaraçom contrária ao que o general chama "línguas particulares"

Mais umha referência a um possível "pronunciamento" militar

6 de Janeiro de 2006

O general chefe da Força Terrestre espanhola, José Mena Aguado, aproveitou a sua alocuçom hoje na chamada "Páscoa Militar" para ameaçar, literalmente, com "as graves conseqüências que tanto para as forças armadas como instituiçom, como para as pessoas que as integram, poderia implicar a aprovaçom do Estatuto da Catalunha nos termos em que está posto".

Em linha com o tradicional papel intervencionista e golpista das forças armadas de Espanha, e acolhendo-se à funçom que nesse sentido lhes reserva a actual Constituiçom espanhola, o general afirmou que "sempre se insistiu em que os militares nom devemos entrar em disquisiçons políticas, que logicamente correspondem aos políticos; ora, é a nossa obrigaçom alertar das consequências da aprovaçom da actual proposta de reforma do Estatuto catalám".

Citou como aspectos que provocariam a intervençom militar "o facto de que numha autonomia seja exigível o conhecimento da sua língua particular", que considerou "umha aspiraçom desmesurada que obrigaria as forças armadas a regular os destinos a essa autonomia da mesma forma que actualmente se regulam os destinos no estrangeiro".

Apelando ao artigo 8 da Constituiçom de 1978, afirmou que "afortunadamente, a Constituiçom marca umha série de limites infranqueáveis para qualquer estatuto de autonomia, daí que reitere a minha mensagem de tranquilidade", mas acrescentou que "se esses limites fossem transbordados, seria de aplicaçom o artigo oitavo da Constituiçom: as forças armadas, constituídas polo Exército de Terra, a Armada e o Exército do Ar, tenhem como missom garantir a soberania e independência de Espanha, defender a sua integridade e o ordenamento constitucional".

O Partido Popular nom demorou a sair em apoio às palavras do general, justificando-as como "reflexo do que estamos a viver", em referência ao apoio maioritário do Parlamento autónomo catalám a um novo Estatuto que o aparelho estatal tenta rebaixar nos conteúdos mais avançados, inclusive apesar de nom prever o exercício do democrático direito de autodeterminaçom.

Foi o secretário da Comunicaçom do PP, Gabriel Elorriaga, quem considerou "inevitável que se produzam pronunciamentos de todo o tipo", palavras pouco tranquilizadoras sabendo que os "pronunciamentos" som a melhor especialidade do Exército espanhol, aplicados em incontáveis ocasions, a penúltima em 1936 com resultados bem conhecidos, e a última em 1981, que supujo um entrave às reivindicaçons aberturistas de importantes sectores sociais no Estado.

Também o chefe do Estado espanhol, nomeado no seu dia de maneira vitalícia polo ditador fascista Francisco Franco, fijo um apelo no acto castrense de hoje à "unidade de Espanha" e à "manutençom do convívio constitucional". Um "convívio" e umha "unidade" que lhe garantem o posto como monarca imposto e nunca submetido a qualquer processo de eleiçom popular, como saída em falso a umha ditadura que derrocara um regime republicano nunca mais reinstaurado.

Nom é a primeira vez que generais e outros elementos da cúpula militar espanhola fam ameaças directas contra debates e processos políticos como o actualmente gira em torno das reformas estatutárias. Resta comprovarmos se o Governo do PSOE vai olhar para outro lado como já tem acontecido em ocasions anteriores.

NÓS-Unidade Popular emitiu já um comunicado avaliando as declaraçons do general espanhol, situando-as, além de na tradiçom golpista dessa instituiçom militar, no contexto de ofensiva reaccionária no Estado espanhol.

 

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Mais umha vez, um general espanhol, desta vez José Mena Aguado (na imagem, com óculos), ameaça com intervir contra qualquer processo que ponha em questom a "unidade de espanha" nos termos que a instituiçom castrense a entende