Pobreza e capitalismo real na Galiza

10 de Janeiro de 2006

A morte de dous indigentes por inalaçom de monóxido de carbono numha casa abandonada de Ourense tira da ocultaçom por um momento a existência de um importante sector social condenado à pobreza no meio do injusto capitalismo real imposto à Galiza sob o eufemismo "livre mercado".

Nos últimos quinze dias, três sem teito morrêrom de maneira semelhante em Ourense. Em Vigo, outras quatro pessoas sem recursos falecêrom na rua, como cans, nos últimos meses. As explicaçons dadas polos responsáveis políticos ficam sintetizadas nas palavras de um vereador ourensano do PP que, perguntado polas últimas mortes de Ourense, respondeu que "é mui difícil evitar a morte de pessoas sem recursos porque é complicado persuadi-los de que mudem a sua forma de vida" (sic).

Segundo dados de 2004, 18'74% dos galegos e galegas vivem por baixo do limiar da pobreza, sendo a galega a segunda Comunidade Autónoma do Estado no ranking de pobres, por trás das Canárias. Outros dados como a renda per capita, a precariedade no emprego ou as pensons de miséria situam o nosso país numha posiçom abaixo da média estatal e europeia quanto a desenvolvimento e reparto da riqueza, o que explica fenómenos como a nova geraçom de emigrantes ou a indigência de grande número de pessoas velhas (e nom só), que se contam por milhares, nas ruas das cidades galegas.

Só há que dar umha vista de olhos aos contentores de qualquer das nossas cidades para visualizar essa realidade oculta chamada pobreza, espelho das desigualdades intrínsecas ao capitalismo como sistema sociopolítico imposto à Galiza.

 

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