Estudo científico questiona modelo de desenvolvimento existente na Galiza

28 de Agosto de 2005

Um relatório elaborado polo biólogo galego Ramom Varela confirma a falta de proporçom entre o baixo nível de industrializaçom existente na Galiza e o excesso de contaminaçom atmosférica, muito por cima do esperável para umha superfície geográfica como a galega.

O sector energético é o principal produtor de poluiçom na nossa naçom, devido principalmente às centrais térmicas das Pontes e Meirama, alimentadas por combustíveis fósseis como o lignito, ou a de Sabom, em Arteijo, alimentada com fuelóleo. A primeira delas pertence a Endesa e as outras duas som propriedade de Unión Fenosa.

O transporte é o outro grande responsável pola emissom de gases cuja emissom o Protocolo de Kioto quer reduzir de maneira significativa para tentar deter a progressom do chamado efeito estufa.

Entre eles, salienta o CO2, emitindo a Galiza 11,1% do total do Estado espanhol, supondo 85% dos gases produzidos no nosso país e que Kioto assinala como de alta incidência no efeito estufa. Esses 15% restantes som constituídos polo CH4, N2O, HFC, PFC e SF6. Mas as centrais térmicas de Endesa e Fenosa na Galiza emitem também dióxido de enxofre (SO2) e óxido de nitrogénio (NOX), causantes de poluiçom mais directa e localizada em forma de chuva ácida.

No que toca ao CO2, os níveis de emissom galegos implicam que a cada habitante da Galiza correspondem 12,16 toneladas do total anual, frente às 7,43 correspondentes a cada habitante do Estado espanhol e às 9,6 toneladas por habitante da Uniom Europeia. Os níveis galegos ficam, portanto, muito por cima das médias dos países e estados da nossa área geográfica, sem que isso se corresponda com umha maior industrializaçom, senom todo o contrário.

É o modelo de desenvolvimento aplicado polo Estado espanhol à Galiza que atenta contra o equilíbrio ambiental e a saúde da populaçom, com umha produçom energética de tipo térmico muito elevada e sem controlo da contaminaçom até os últimos tempos, com a aplicaçom do Protocolo de Kioto. Porém, as medidas recentemente tomadas som insuficientes, segundo o próprio relatório de Ramom Varela. Lembremos que o citado protocolo foi assinado em 1997 no Japom, estabelecendo o compromisso de reduzir entre 2008 e 2012 em 5,2% as emissons existentes em 1990, algo que nom será cumprido ao ritmo actual, apesar de ser um objectivo mais simbólico do que efectivo ante a magnitude do esquentamento global em curso. Meios científicos dependentes da ONU situam em 60% as reduçons necessárias para deter o processo.

As quantidades de CO2 expulsas à atmosfera desde o início da revoluçom industrial tenhem originado umha elevaçom da temperatura global média do planeta de 0,6 graus centígrados no século XX, mas a velocidade de esquentamento actual pode ser de 3 graus centígrados cada 100 anos, o que dá ideia da gravidade dos efeitos do modelo capitalista de desenvolvimento.

Só a reduçom do consumo de energia e a reorientaçom da sua produçom para vias menos agressivas com o ambiente, todo inserido numha mudança radical de modelo sócio-económico, deixando atrás o capitalismo como modo de produçom, poderá deter as nefastas tendências actuais, que ponhem em questom o futuro do planeta.

 

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Vista aérea da central térmica de Meirama