Junta "atende" duas reivindicaçons independentistas

28 de Outubro de 2005

Nos últimos dias, o Governo autonómico anunciou duas medidas que vam ao encontro de duas reivindicaçons da esquerda independentista. Umha delas, a possível suspensom da Cidade da Cultura, é umha histórica reclamaçom de NÓS-Unidade Popular, que desde que o PP lançou a faraónica proposta de mausoleu da cultura foi a única organizaçom política nacional que se manifestou clara e repetidamente contra semelhante projecto.

A organizaçom da esquerda independentista publicou ontem mesmo no seu web nacional um comunicado em que analisa o anúncio da conselheira da Cultura, Ángela Bugalho, sobre umha possível suspensom das obras da Cidade da Cultura. O que até nom há muito era considerado por muitos como umha proposta irrealista de NÓS-UP, acabou por ser assumida, sequer dialecticamente, polo actual gabinete autonómico. Resta comprovar se finalmente é levada à prática ou fica num anúncio "com marcha atrás", como já aconteceu com outras propostas positivas como a do uso do nome do País nas camisolas da selecçom nacional de futebol.

Auditoria ao fraguismo

De outra parte, o próprio presidente Tourinho acabou de anunciar a abertura de umha auditoria sobre a gestom económica da Junta anterior, presidida polo fascista Manuel Fraga Iribarne. Umha proposta incluída no preámbulo da chamada "Tabela reivindicativa de mínimos para o novo Governo autonómico" apresentada em dias passados por NÓS-Unidade Popular. Em concreto, a medida número 2 das 444 que publicou em Setembro a organizaçom independentista e que em Outubro apresentou ao Governo bipartito di assim: "Abrir umha auditoria sobre os 16 anos do fraguismo para delimitar responsabilidades individuais e colectivas, no ámbito penal e administrativo, no saque dos recursos públicos que caracterizárom quatro anos de legislaturas consecutivas de corrupçom, nepotismo e apropriaçom de património público."

A 13 de Setembro, NÓS-UP difundiu um comunicado em que expunha de maneira mais desenvolvida a proposta de auditoria que agora o Governo anuncia que será feita, se bem Tourinho nom falou da necessidade de exigir responsabilidades polas numerosas irregularidades financeiras da Junta anterior, reconhecidas meses atrás até por ex-conselheiros como Lopes Veiga.

Dentro do seu trabalho político ante a nova fase aberta com a chegada do PSOE e do BNG à Junta da Galiza, NÓS-Unidade Popular entregou já no Registo Geral da Junta o citado documento de "444 medidas concretas para umha nova política nacional e de esquerdas", acompanhado de umha carta dirigida ao presidente, Peres Tourinho, e ao vice-presidente, Anxo Quintana. NÓS-UP apela na mesma ao discurso de toma de posse de Tourinho, realizado a 2 de Agosto, em que afirmou que ia "falar com todos, escuitar todos e respeitar todos”, ante o contrastado interesse da esquerda independentista de participar na nova etapa aberta com ánimo construtivo, mas também fiscalizador do que deve ser umha política nacional e de esquerda em favor da maioria social galega.


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Dezembro de 2002: Concentraçom de NÓS-UP em Compostela reclamando literalmente a "suspensom das obras" e a transferência dos investimentos para enfrentar o desastre provocado polo Prestige.