Umha vista de olhos às reacçons mediáticas e institucionais perante as detençons de independentistas

16 de Novembro de 2005

O de ontem foi o dia das reacçons após a jornada das dez detençons de independentistas por parte da Guarda Civil. Os meios de comunicaçom seguírom à risca as previsons e agírom, mais umha vez, como alto-falantes da versom policial, com grandes doses de sensacionalismo, desinformaçons e criminalizaçom indiscriminada por partes iguais. Foi o caso de La Voz de Galicia, que chegou a publicar um suposto relatório histórico do independentismo galego em que proporcionava "dados" tam "rigorosos" como situar o nascimento da AMI no seio de NÓS-UP, a fundaçom da FPG em 1977 ou a origem do nosso partido numha cisom da UPG. Toda umha jóia do "jornalismo de investigaçom" que serve para evidenciar o grau de rigor e fiabilidade com que trabalham os grandes media do sistema.

Bugalho: o renegado exaltado

Entre as reacçons dos políticos institucionais, salientárom pola sua sanha as do presidente da Cámara de Compostela, cabeça principal de um governo de coligaçom entre PSOE e BNG. José Sanches Bugalho mostrou a sua "satisfaçom" polo que denominou "fim da impunidade" das pessoas represaliadas. Aparentando conhecer umha por umha as trajectórias de cada umha das dez pessoas detidas em Vigo, Ourense, Lugo e Compostela, Bugalho erigiu-se em juiz e parte e atribuiu aos dez independentistas "pintadas em monumentos, colar cartazes e interrupçom de actos", "gravíssimas" actuaçons acontecidas, segundo ele, em Compostela nos últimos seis anos. Ainda bem que Sanches Bugalho nom remontou uns aninhos mais atrás, ou poderia tê-los culpabilizado por algumha das pintadas que ele próprio terá feito nos seus tempos de militante do "Movimento Comunista" (MCG).

De qualquer maneira, di muito da sua condiçom de "revoltado" renegado que agora julgue esses factos que ele próprio relatou, e seguramente praticou nos seus tempos moços, como merecentes de umha actuaçom "antiterrorista" directamente ordenada polo Tribunal de excepçom espanhol e aplicada por encapuzados da Guarda Civil. De facto, já se ofereceu à Audiência Nacional para colaborar na incriminaçom d@s detid@s.

Tourinho: presidente de tod@s?

Também o presidente da Junta da Galiza e companheiro de partido de Bugalho, Emílio Peres Tourinho, fijo declaraçons públicas sobre os acontecimentos de anteontem. Num tom algo menos exaltado, mas igualmente parcial, Tourinho apoiou a actuaçom judicial aplicando a conhecida máxima de "se os detenhem, algo fariam", quer dizer, obrigando as pessoas detidas a demonstrarem a sua inocência, como corresponde num regime totalitário, e dando-os por culpados. Em concreto, o presidente da Junta referiu-se à actuaçom repressiva nos seguintes termos: "respeito-a e compreendo que se essa foi a decisom de um juiz da Audiência Nacional, será que ele tem motivos e, portanto, expresso o pleno respeito à independência do poder judicial". Podia também ter dito que essas pessoas nom fôrom ainda condenadas e que tenhem direito à presunçom de inocência, mas preferiu aquilo de "se os detenhem, algo fariam"...

BNG: um "nacionalismo" cada vez mais "residual"

Porém, as declaraçons mais estridentes fôrom as formalmente emitidas polo BNG. O seu falangueiro porta-voz e vice-presidente da Junta, Anxo Quintana, que gosta de falar de qualquer tema cada vez que lhe aproximam um mircrofone com tal de sair nos jornais, e agora também na tele, parecia preferir desta vez guardar um "prudencial" silêncio. Se calhar calculando que estes temas nom dem pontos na valorizaçom periódica dos líderes que publicam as sondagens institucionais. Mas finalmente acabou por pedir que os juízes e a polícia "actuem com toda a força da lei" (sic).

Já o comunicado do Bloque, serviu para situar a posiçom do autonomismo na pura ruindade política. Começou por criticar a "aplicaçom dos aspectos mais estritos da legislaçom antiterrorista". Quer dizer, podiam e provavelmente tivessem de aplicar essa legislaçom de excepçom, claro, mas de maneira menos "estrita". E nom porque o BNG queira salvaguardar os direitos fundamentais das dez pessoas vítimas do operativo, direitos aos quais nom se refere o BNG no seu comunicado, senom para evitar que essa actuaçom policial "sirva para dar publicidade a expressons políticas que som residuais na Galiza". Nengumha palavra, tampouco, para as entidades culturais assaltadas pola Guarda Civil com a escusa da actuaçom contra a AMI.

As palavras de desprezo dedicadas à esquerda independentista, habituais nos dirigentes do Bloque, acompanham-se, é claro, da expressom do "respeito ante a acçom da justiça", nom vaia alguém julgar que o BNG tem algumha fraqueza ou queda polo sector minoritário do nacionalismo galego. Nom, nom, o BNG é umha força de ordem, que "deseja que às pessoas que tenham incorrido na comissom de delitos lhes sejam exigidas as responsabilidades a que houver lugar". Como nada di dos direitos d@s detid@s, deveremos entender que o desterro e julgamento por parte de tribunais alheios à Galiza, bem como a evidente perseguiçom de ideias políticas, todo isso incluído neste assunto, fam parte das "responsabilidades exigidas" aos separatistas e terroristas pola Justiça espanhola... e polo BNG.


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