PP pretende tornar a lei eleitoral espanhola ainda mais antidemocrática

2 de Julho de 2005

O Partido Popular continua em frente na sua deriva abertamente reaccionária, avançando a sua intençom de propor, no próximo mês de Setembro, umha modificaçom da Lei eleitoral espanhola que evite a formaçom de coligaçons de governo e permita governar directamente a lista com mais deputad@s. Com essa reforma em vigor, no caso da Comunidade Autónoma da Galiza, o PP poderia continuar a governar apesar de contar com menos votos que a soma de PSOE e BNG.

Haverá que lembrar que a antidemocrática Lei d'Hont favorece já claramente os partidos maioritários, sobredimensionando a sua representatividade mediante a rebaixa no número de votos por deputad@ à medida que o número de votos aumenta. Desse jeito, as candidaturas minoritárias tenhem umha barreira quase insalvável para a consecuçom do primeiro ou primeira representante, enquanto os partidos maioritários conseguem cada representante com muitos menos votos.

Em lugar da necessária reforma para possibilitar a representaçom das minorias, o PP propom aprofundar nos trucados mecanismos de representatividade da democracia burguesa, garantindo o bipartidismo entre PP e PSOE e banindo as restantes forças institucionais hoje existentes.

A proposta do PP parte da difícil digestom da derrota de Manuel Fraga no passado dia 19, ainda que nom só o Partido Popular a apoia. Representantes do sector mais direitista e espanholista do PSOE tenhem manifestado ideias semelhantes, e o presidente da Junta da Estremadura, Juan Carlos Rodríguez Ibarra, manifestou nestes dias a necessidade de aumentar as percentagens necessárias para atingir representaçom institucional, para assim eliminar do mapa opçons eleitorais adscritas aos nacionalismos periféricos. No fundo, estamos ante um novo instrumento dos sectores mais "duros" do imperialismo espanhol para impor o seu projecto nacional e combater até os mais mornos e autonomistas partidos nacionalistas galegos, bascos e cataláns.

Estamos também ante umha nova mostra de que o espanholismo nom prevê nengumha reformulaçom "plurinacional" do Estado unitário, por mais que as forças autonomistas insistam na sua demanda de homologaçom constitucional.

 

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