Saúde e Língua(s)

20 de Maio de 2005

Reproduzimos a seguir um artigo de Igor Lugris em que analisa o conflito lingüístico no Berzo partindo do conhecimento que dá estar a realizar um importante labor como activista cultural no movimento normalizador pró-galego nessa comarca excluída da Comunidade Autónoma da Galiza polo actual Estatuto.

Saúde e Língua(s)

Nom se entende bem como é que resulta tam recorrente entre as pessoas contrárias ao reconhecimento e normalizaçom da língua galega no Berzo (algumhas abertamente anti-galeguistas, outras disfarçadas de leonesistas), essa falácia que supom que a má saúde da nossa língua no Berzo vai supor umha melhora para a saúde da língua leonesa, ou astur-leonesa. Nom é certo. É umha mentira, empregue abundantemente, que nom tem consistência algumha a pouco que se reflectir sobre ela.

A saúde do astur-leonês nom tem nada a ver com a situaçom da língua galega, e viceversa. Os defensores da língua galega como língua própria e autóctone do Berzo nom estaremos mais contentes polo facto de que o astur-leonês nom tenha reconhecimento por parte das autoridades leonesas e castelhano-leonesas.

A situaçom do astur-leonês é grave, bem certo. Mas disso nom tem culpa a língua galega. A culpa será da sociedade leonesa e castelhano-leonesa, que nom é quem de promover a sua difusom, promoçom, normalizaçom, protecçom... E, com certeza, das autoridades e instituiçons que nom cumprem com o que deveria ser o seu dever: a defesa do património histórico, e dentro dele, da língua leonesa.

Vem isto a conto pola suposta polémica que algumhas pessoas querem criar com a aprovaçom por parte da Presidência do Conselho Comarcal do Berzo dumha declaraçom institucional bilíngüe, com motivo do 17 de Maio, Dia das Letras Galegas. O Conselho Comarcal, ao contrário que outras administraçons e instituiçons que padecemos nesta comarca (a saber: a Deputaçom de Leom, a Junta de Castela e Leom, muitas das instituiçons locais, e algumhas outras como a Universidade de Leom, etc...) parece que sim quer defender o património histórico berziano, e dentro dele, especialmente, a língua galega. Isso nom é criticável.

Nom temos os defensores da língua galega no Berzo nengum problema em reconhecer a existência, e necessidade de protecçom em diversos ámbitos e por parte de diferentes organismos, da língua leonesa. Mas o que nom tem sentido é pretender enfrentar estas duas línguas (minorizadas) enquanto a língua dominante, a língua que realmente se acha em posiçom de poder e hegemonia, segue avançando sem topar praticamente resistências e contando com o beneplácito das instituiçons, organismos e grande parte da sociedade organizada (partidos políticos, sindicatos, associaçons de diversos tipo, etc...).

Devem convencer-se os leonesistas de que a má saúde do galego, ou galego-português, nom vai supor a boa saúde do leonês ou astur-leonês. Pretender avançar seguindo o modelo asturiano (onde os asturianistas mais descerebrados malgastam o seu tempo em atacar a língua galega, em vez de em defenderem a sua língua, mesmo hoje nom oficial), é um suicídio para o movimento de defesa do leonês.

Negar a existência do galego no Berzo é umha barbaridade tam grande como pretender que Astorga é umha cidade galego-falante. O leonesismo político, representado pola UPL, fai um favor bem cativo às pessoas que defendem um Berzo leonês ao renovar a sua web e falar exclusivamente do leonês, ou astur-leonês. E, ao mesmo tempo, fai-nos um grande favor às pessoas que pensamos que a comarca do Berzo deve ser, também oficial e administrativamente, parte da Comunidade Autónoma Galega, pois parte da Galiza já o é por motivos históricos, políticos, culturais, lingüísticos, sociais, etc... E também, pola desatençom e abandono, pola negaçom da sua identidade e história, pola destruiçom da sua memória, que sofre por parte de Leom e de Castela e Leom.

Mas em todo o caso, o Berzo será o que voluntariamente os e as berzianas, as pessoas que vivemos e trabalhamos no Berzo, quigermos que seja. Os leoneses, parecem querer, a dia de hoje, que o Berzo nom seja Leom. Isso, também, nom é criticável.

 

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