Brutal repressom da Guarda Civil contra imigrantes em Melilha deixa um menor morto

30 de Agosto de 2005

O presidente da ONG Pró Direito da Infáncia (PRODEIN) acusou directamente a Guarda Civil espanhola pola morte de um jovem subsaariano de 17 anos na noite do domingo, na fronteira entre Marrocos e a colónia espanhola de Melilha.

Os factos acontecêrom quando numeros@s imigrantes tentavam ultrapassar de maneira precária, através de umhas escadas de madeira, as altas barreiras de arame farpado com que as autoridades espanholas tentam impedir o acesso ao território oficialmente europeu por parte das massas empobrecidas africanas.

O balanço oficial da contundente actuaçom do corpo armado espanhol, com abundante material antidistúrbios, falava de dez guardas civis feridos e três imigrantes com "ferimentos ligeiros". 87 pessoas teriam sido detidas segundo essa versom.

Porém, na tarde da segunda-feira, tivérom que ser os próprios imigrantes, em concreto um grupo de entre 30 e 40 pessoas, quem apresentassem sobre umha maca o corpo sem vida da vítima mortal da agressom protagonizada pola Guarda Civil no dia anterior.

A partir daí, já o delegado do Governo espanhol, José Fernández Chacón, reconheceu o falecimento do jovem camaronês, ainda que afirmando desconhecer as causas e circunstáncias em que se produziu. Ao mesmo tempo, as autoridades espanholas tentam safar-se da sua responsabilidade dizendo que o corpo ficou do lado marroquino, polo qual corresponde a esse Governo tratar do assunto.

A primeira instituiçom a culpabilizar directamente a Guarda Civil pola morte do moço de 17 anos foi PRODEIN, enquanto outras como SOS Racismo e a Comissom Espanhola de Ajuda ao Refugiado (CEAR) exigírom já às autoridades espanholas umha comissom de inquérito que pesquise exaustivamente "e nom fique nengumha dúvida de se este abuso se produziu".

CEAR criticou o tratamento que as instituiçons espanholas costumam dar às tentativas de acesso à Europa de pessoas que querem trabalhar e fugir da miséria, sendo tratadas e respondidas polas forças repressivas "como se se tratasse de umha acçom planificada de homens experimentados em estratégia militar".

Nom é a primeira vez que acontecem brutais agressons por parte de forças policiais espanholas na fronteira melilhense, nem a primeira morte atribuída a esses corpos repressivos, costumando ficar impunes as suas actuaçons, habitualmente apoiadas pola Gendarmeria marroquina.

A vedaçom de arame farpado é agora dupla e mais elevada nesse ponto fronteiriço, o que nom impede que grande número de pessoas desesperadas tentem chegar à opulenta Europa fugindo da fame.

 

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Nom é a cortina de ferro em Berlim, nem o muro do Apartheid na Cisjordánia. É a fronteira de Melilha, onde as actuaçons repressivas contra imigrantes som tam habituais como brutais