Cumprem-se 40 anos da maior matança de militantes comunistas da história
10 de Novembro de 2005
Neste ano cumpre-se o quadragésimo aniversário de um dos maiores massacres do século XX, o protagonizado polo general indonésio Suharto contra o povo dessa ex-colónia holandesa em 1965. A ditadura militar apadrinhada polo imperialismo ianque estreou-se no poder com o chamado "massacre de Jacarta", em que fôrom assassinadas 700.000 pessoas e 200.000 feitas presas políticas. Entre as vítimas, o maior aniquilamento de militantes comunistas: 105.000 membros do Partido Comunista da Indonésia (PKI), na altura o terceiro maior do mundo.
Em Julho de 2001, o National Security Archive, um grupo de pesquisa sem fins lucrativos ligado à norte-americana Universidade George Washington, especializado na divulgaçom de documentos oficiais que deixam de ser secretos, publicou na Internet um livro com dados novidosos e relevantes sobre a participaçom do Governo americano no citado golpe de Estado. O estudo cita relatórios internos da Inteligência estado-unidense, que relatam dados como a morte de entre 50 e 100 membros do Partido Comunista da Indonésia a maos da nova ditadura cada noite. A estimativa de 105.000 comunistas mort@s na operaçom de liquidaçom física do Partido Comunista pertence a um relatório da CIA ianque em 1970.
Para tal, o regime
de Suharto utilizou um grupo para-militar chamado Kap-Gestapu, de reminiscências
nazis, contando com carta branca dos EUA no labor de acabar com o que chamavam
"infiltraçom comunista" no regime liderado por Sukarno, que
em 1954 dirigira o grande país asiático até a independência
da Holanda, depois de cinco séculos de colonizaçom. O Partido
Comunista, que contava com três milhons de militantes e era o 2º
maior da Ásia, apoiava nesse momento a política do líder
independentista, que acabava de nacionalizar o petróleo, até
entom em maos da companhia multinacional anglo-holandesa Royal Dutch Shell.
Esse foi o álibi que permitiu aos EUA patrocinar o genocida golpe militar
e aceder assim às grandes riquezas naturais e energéticas dessa
regiom do sueste asiático.
Lembremos que a queda de Sukarno e o acesso ao poder do genocida pró-ianque
Suharto nom só supujo o assassinato em massa de centenas de milhares
de pessoas na Indonésia, mas também a invasom da ex-colónia
portuguesa de Timor Leste em 1975, logo após esta ter recuperado a
independência coincidindo com a Revoluçom dos Cravos em Portugal.
Em Timor, também com o apoio norte-americano, Suharto liderou o pior
genocídio desde o Holocausto nazi, com mais de 200.000 mortos em 20
anos, o que supujo a assassinato de 20% da populaçom total do pequeno
país asiático.
Quando vivemos
novos episódios do terror imperialista exportado polos EUA a países
como o Iraque e o Afeganistám, será bom mantermos a memória
histórica da trajectória criminosa norte-americana desde o seu
nascimento como potência capitalista mundial.