A Junta abre as portas à espanholizaçom da nova Televisom Digital Terrestre

27 de Abril de 2005

A Junta da Galiza acabou de publicar a 26 de Abril o decreto que regula a concessom de canais televisivos com tecnologia digital, que multiplicarám o número de cadeias de televisom e poderám supor um incremento da presença do espanhol na comunicaçom social. Com efeito, as grandiloqüentes palavras que na normativa publicada falam de "fomento dos valores e da identidade cultural", "respeito à pluralidade lingüística" e de "empregar o idioma galego de jeito usual", tornam-se umha farsa na leitura da letra pequena.

Dúzias de novos canais digitais substituirám os actuais após o chamado "apagom analógico", a partir de 2008 segundo cálculos do Governo espanhol. Em maos da Junta da Galiza ficam os critérios para a concessom de canais privados nas 21 demarcaçons comarcais em que o território da Comunidade Autónoma Galega ficará dividido. Se no caso dos canais públicos nom há concessom, ao realizar-se de jeito automático, no caso dos canais privados sim há umha série de requisitos, que garantirám que vam para as maos dos grandes grupos mediáticos para assim cumprirem o seu papel ideológico ao serviço do sistema.

Mas no que di respeito aos usos lingüísticos, todo indica que estamos ante umha nova ameaça para os direitos lingüísticos dos galegos e as galegas. Tanto para os canais públicos como para os privados, o decreto fala de garantir a emissom de 32 horas semanais de "programas originais", das quais 60% deverá ser "produçom própria", reservando-se o uso do galego para metade desse 60%. Afinal, portanto, a lei marca unicamente 10 horas efectivas semanais de uso do galego por parte das novas televisons digitais. Isto significa que só se garante umha hora e meia diária de uso da nossa língua em cada um desses novos canais. Umha nova burla aos galegos e galegas que aspiramos à normalizaçom lingüística e cultural da nossa naçom.

Aos dados anteriores haverá ainda que acrescentar o abandono a que mais umha vez se vem abocadas as comarcas galegas excluídas polo actual Estatuto de Autonomia do território oficialmente galego. Na faixa leste da Galiza, o galego-português fica excluído da digitalizaçom televisiva em curso.

A gravidade destes factos aumenta quando assistimos ao silêncio cúmplice dos partidos da oposiçom parlamentar ou relemos o já "célebre" Plano de Normalizaçom Lingüística aprovado polo Parlamento autonómico galego, com os votos unánimes de PP, PSOE e BNG. Já nesse texto se exclui qualquer referência à galeguizaçom da Televisom Digital Terrestre, abrindo as portas ao decreto agora publicado pola Junta, que condena o galego a umha marginalidade ainda maior do que a actual no ámbito da comunicaçom social.

 

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