Tourinho e Vasques: dous sectores ou o póli bom e o póli mau?

20 de Dezembro de 2005

As últimas declaraçons do presidente da Cámara da Corunha som equiparáveis às que podia ter feito Blas Piñar nos seus melhores tempos, e situam novamente a sucursal galega do PSOE como o que realmente é: um apêndice jacobino do contraditório partido que governa no Estado espanhol. Assim, a cara amável de Zapatero e o avançado autonomismo do PSC acham o seu mais cru contraponto em ministros da linha dura do espanholismo, como o da Defesa, José Bono; em extremistas neoliberais, como o da Economia e as Finanças, Pedro Solves; e no continuísmo repressivo do departamento do Interior, que dirige José Antonio Alonso.

No que toca à Galiza, o dirigente corunhês do PSOE constitui um exemplo claro do sector mais reaccionário presente nesse partido, enquadrável em idênticos parámetros ideológicos que a ala mais direitista do Partido Popular, e seguramente por isso a governar a instituiçom municipal graças à massa de votantes do PP. Se a recente negativa a retirar a Franco o título de filho adoptivo da Corunha nom for suficiente, as últimas declaraçons deste reconhecido simpatizante da Opus Dei identificam-se já abertamente com o discurso da extrema direita espanhola. Para quem nom saiba a que declaraçons nos referimos, esclarecemos que Francisco Vasques declarou que a existência efectiva de línguas diferentes da espanhola provocam "barreiras infranqueáveis" que, "impedindo o normal movimento das pessoas, rompem a estrutura vertebral de Espanha". Os delírios de Vasques chegam à verbalizaçom de umha denúncia contra a suposta política de "limpeza lingüística" exercida polos nacionalismos periféricos peninsulares, com especial destaque para o BNG.

Nesse sentido, Francisco Vasques reclamou atençom para os capítulos relativos à política lingüística nas propostas de novos estatutos de autonomia do País Basco, a Catalunha e na que o BNG apresentou para a Galiza em dias passados. O acomplexado dirigente do PSOE na Corunha sugeriu que os políticos deixem de usar o galego na Galiza, considerando que "imponhem por via de factos o idioma próprio, entendendo-o como próprio, quer dizer, entendendo o espanhol como língua alheia". A seguir, definiu como "tremendo" que, para ser político na Galiza, "haja que saber galego".

As provocaçons do corrupto presidente da Cámara da Corunha representam burlas quando contrastadas com a realidade social da nossa língua, que vive em estado crítico, segundo advertem organismos internacionais, como conseqüência da histórica imposiçom espanhola, que hoje subsiste e da qual a instituiçom que Vasques preside constitui o exemplo paradigmático.

É grave, sem dúvida, a impunidade com que o partido de Vasques lhe permite declarar e actuar contra a nossa dignidade como povo. Mas especialmente grave é a cumplicidade com que o actual presidente da Junta costuma justificar as actuaçons desse representante de umha extrema direita espanholista cada vez menos camuflada e que, longe de ser um caso isolado, representa um sector muito significativo do PSOE na Galiza. De facto, mais do que duas linhas no interior desse partido, Tourinho e Vasques parecem cada vez mais estar a jogar os roles do "póli bom" e "póli mau" num filme de série B que tem por argumento umhas descafeinadas reformas estatutárias. Com tácticas diferentes, mas complementares, ambos interpretam um guiom que conduz para o mesmo objectivo, que Quintana se empenha em garantir-lhes: "evitar que a Galiza seja um problema".

 

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O "moderado" Tourinho costuma justificar as actuaçons do seu representante na instituiçom municipal corunhesa