Contra a farsa mediática sobre a violência nas aulas

27 de Março de 2006

Reproduzimos a seguir um artigo de opiniom assinado por Iago Barros, estudante de Direito na USC e membro do Conselho Nacional da entidade estudantil independentista AGIR, dedicado ao tema da violência nos centros de ensino e o seu tratamento nos media.

Contra a farsa mediática sobre a violência nas aulas
Iago Barros

As aulas galegas acrescentam por vezes o interesse que suscitam nos meios de comunicaçom espanhóis. As páginas dedicadas a radiografar as escolas e o alunado aumentam em número e cobram maior protagonismo na distribuiçom das notícias. Devemos congratular-nos por este desmedido interesse que despertamos? Contra o que puder parecer, nom se trata de nengumha classe de seguimento aos problemas estruturais que padece o ensino na Galiza; nengumha classe de crítica aos défices materiais e formativos, pedagógicos, das escolas galegas. Ao contrário, observamos fluir rios de tinta sobre a pré-cozinhada violência nas aulas, com que se representa @s alun@s como vítimas de si própri@s.

Com efeito, a brutal acçom desinformativa e alienante dirigida polo jornal mais lido do País, La Voz de Galicia, semelha ter calhado como recurso qutidiano da sua crónica negra de sucesos. Da sua, e doutros meios que sobem ao carro levados pola inércia decomponente que guia o seu questionável labor social. A sincronizada martelagem configura um arrepiante panorama, enraizado no suposto carácter de delinqüente da juventude tam em voga, de infernais escolas às que cumpre trazer ao rego.

Cumpre contextualizar com uns breves dados a nossa crítica ao suposto labor informador destas empresas. Em primeiro termo, reflexionando sobre a hipotética violência social onde se enquadra o problema da delinqüência juvenil, no que por sua vez tem cabida o presuposto tema da violência nas aulas. Se bem que, segundo informes que baralha o Ministério do Interior, a Galiza dá em obter um dos índices mais baixos de delinqüência do Estado espanhol, que por sua vez detenta um dos mais baixos da Europa policial (na que o rátio de crimes/pessoa é com certeza incomparavelmente inferior a outras áreas do planeta), na Galiza, dizíamos, abre-se porém a veda policializadora sem visos de final, nem tam sequer de ralentizaçom.

Assim, afazemo-nos à promoçom interesseira de corpos cidadaos auto-organizados de luita contra o vandalismo de baixa intensidade, à presença policial nas Escolas, à ampliaçom quantitativa dos corpos armados com novas ofertas de emprego, à criaçom dumha polícia autonómica a maiores das existentes Guarda Civil, "Nacional" e Local, ao fomento de leis penais agressivas e regressivas quanto a direitos e liberdades das e dos menores de idade, ao aumento da populaçom presidiária ultrapassando ilegalmente os índices de pessoas por cela, à instalaçom massiva de videovigiláncia nas ruas e outros espaços públicos, inclusive escolas e, também, entre outros recursos do Estado para acabar com "tanta crueldade civil", se ameaça a mocidade com instaurar um permanente e infranqueável controlo lá onde costumamos reunir-nos e desfrutar do tempo de lazer (veja-se a este respeito a anunciada policializaçom das estaçons de combios e autocarros, centros desportivos e parques públicos de habitual reuniom juvenil, como foi o caso com os recentes "macrobotelhons").

Nesta linha marcada polo conglomerado político, judicial, policial e comunicativo do capitalismo espanhol, os espaços de desenvolvimento e de liberdade acoutam-se ao ritmo marcado polo permanente estado de agitaçom e falsa insegurança criado polos meios. A cada novo uniformado nas ruas, a cada nova carrinha na entrada dumha escola, a cada nova proibiçom e recrudescimento legislativo, antecede um especial informativo com luzes obscuras, cores rechamantes e sintonias peliculeras e demais artifícios de inquietaçom profissional.

Uns polos outros; os outros polos uns, fecham um circuito inacabável de esquizofrenia colectiva que mata à nascença as arelas emancipadoras das e dos independentistas galeg@s.

Neste obsceno contexto de ofensiva capitalista, a ampliaçom dos espaços de libertaçom torna um labor enormemente dificultoso. Também nas aulas. É por isto que de AGIR achamos de urgência espelir-nos, pôr fim à atençom emprestada a tanta miséria vertida sobre a juventude, sobre o alunado, para esquecer complexos, superar as adversidades e agir por nós própri@s para alcançar um ensino de qualidade onde, é óbvio, as labaçadas e burlas entre companheir@s nom terám afortunadamente desaparecido.

 

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