Já deu começo a luita capitalista pola água

15 de Agosto de 2006

Já deu começo a luita capitalista pola água: actualmente a água interesa aos inversores mais que o petróleo

Os maiores investidores do mundo estám a escolher a água como o produto básico que mais pode elevar o seu valor nas próximas décadas, por cima mesmo do petróleo, base e motor de toda a indústria capitalista actual, segundo comenta a revista cubana “El Economista”. As Naçons Unidas estimam que, para o ano 2050, mais de 2000 milhons de pessoas em 48 países sofrerám escassez de água, e este dado nom passa inadvertido aos tubarons das finanças, sempre dispostos a tirar ganho das necessidades, o sofrimento e a miséria da grande maioria da humanidade.

60% das fontes de água estám localizadas em só 9 países (entre os quais os Estados Unidos, a Rússia, o Canadá, o Brasil, a China e a Indonésia), equanto 80 naçons que reúnem os 40% da populaçom mundial estám abocadas a umha verdadeira penúria hídrica. Mas a situaçom também é crítica dentro dos países com reservas de água: o Brasil conta com 11% das fontes de água doce do pláneta, mas 45 milhons de brasileiros e brasileiras nom tenhem ainda acesso à água potável.

Esta falta de água potável no mundo, converte-a num bem mais valioso actualmente que o petróleo, e assim o índice Bloomberg World Water Index recolhe dados de 11 grandes empresas do sector, que indicam uns rendimentos dos 35% ao ano desde 2003, contra uns 29% das acçons do petróleo e gás nos mesmos anos.

A realidade é dramática,: só um pequeno 2.5% do total da água existente no planeta é doce, e portanto de uso humano. As previsons som catastróficas: em vinte anos, por volta de 2025, mais de 3 mil milhons de seres humanos –os 80% nos chamados países “periféricos”- sofrerám a falta do líquido vital. Já hoje em dia, mil e quatrocento milhons de pessoas –quer dizer: um em cada quatro habitantes do planeta- carece de água potável, entre eles, por exemplo, 80 milhons de latino-americanos; e 2 mil e 400 milhons de pessoas nom tenhem acesso a serviços sanitários. As diferenças e tensons nom deixam de aumentar. Enquanto umha pessoa dum país do Sul consome de promédio 20 litros por dia, um italiano pode chegar a 213 e um estado-unidense ultrapassa os 600.

A ecologista suíça Rosmarie Bär, umha das especialistas na matéria, traz um dado que nos ajuda a compreender, dumha maneira clara, a situaçom: ela tem explicado em muitas ocasions que, cada ano, a Europa e os Estados Unidos gastam mais dinheiro em alimentar os seus cans e gatos domésticos do que o que se precisária para permitir a todos os seres humanos aceder à agua potável. É evidente que a luita pola água é um combate que implica, pontualiza, modificaçons sociais a favor do desenvolvimento económicos e a justiza social.

Com esta situaçom, entende-se o optimismo das aves de rapina capitalista. A miséria, a escassez, a desigualdade, som um campo bem adubado para os lucrativos negócios milionários. Hans Peter Portner, administrador do Water Fund, afirma que “há só umha direcçom para os preços da água na actualidade: para cima”. Este fundo, de 2.300 milhons de euros, da Picter Asset Management, de Genebra, cresceu 26% no ano passado. O próprio Portner prognostica rendabilidades anuais da água de até 8% até 2020.

Ao tempo, Jeffrey Immelt, presidente de General Electric (GE) di que a água potável aumentará mais do dobro as receitas que obtenhem com o tratamento e purificaçom, para chegar-se dos 4000 milhons em 2010. “Será um mercado grande e em expansom”, conclue.

Albert Frere, o homem mais rico da Bélgica, investiu 2700 milhons de euros em água e energia através da sua participaçom em Suez, o segundo proprietário mundial de empresas de água. Mais dos 98% da água do mundo é salgada, e é preciso investir nos próximos anos 144.000 milhons em infraestrutura de água, mais do dobro do que se gasta hoje.

Como a água nom quotiza em Bolsa, os preços venhem marcados por agências governamentais e autoridades locais. Pictet atende às tendências neste campo, como por exemplo na Califórnia, o Estado mais populoso dos EEUU, onde os aumentos fôrom de umha média de 6.3% entre 1989 e 2005, enquanto o petróleo crescia a umha média de 7.7% nesse período.

30 mil pessoas, entre elas seis mil crianças de menos de cinco, anos morrem cada dia como conseqüência do consumo de água insalubre e a impossibilidade de terem acesso a serviços sanitários. 80% de todas as doenças nos países do Sul tenhem como origem a utilizaçom de água insalubre. Três mil milhons de seres humanos nom contam hoje com instalaçons sanitárias adequadas.

A estratégia da General Electric, a empresa mais valiosa do mundo depois de Exxon Mobil, é que a sua divisom de águas invista em plantas de desalinizaçom e purificaçom em países onde nom abunda a água doce. Arábia Saudita, o maior produtor de Petróleo do mundo, é um cliente potencial, pois segundo dados da ONU tem que gastar mais de 64.000 milhons até 2025 em plantas desalinizadores e na rede de esgotos.

Umha planta de desalinizaçom de GE subministra na Argélia 190 milhons de litros de água potável ao dia, segum Jeff Connelly, Vice-presidente e Gerente Geral da sua divisom de águas. “Temos umha lista de 50 a 60 projectos como este no Estado espanhol, Oriente Médio, a Índia e a China”, asegura.

Entretanto, muitos movimentos sociais e organizaçons populares tenhem incorporado a palavra de ordem da nom-privatizaçom da água como um ponto inegociável nas suas reivindicaçons. O levantamento popular de Cochabamba –a guerra da água- na Bolívia, em Abril de 2000, foi talvez o protesto mais emblemático nos últimos anos, tanto pola sua dimensom como por ter obrigado a transanacional norte-americana Bechtel Enterprises e o Governo sulamericano da altura a retroceder nos seus planos privatizadores. Luita que logo se estendeu a outras mobilizaçons locais antiprivatizadoras na Argentina, Honduras, Peru, El Salvador, Nicarágua, Brasil,… por citar os casos mais conhecidos.

Para as transnacionais e as instituiçons financeiras internacionais a água é um bem económico-comercial, como o petróleo, um carro ou um televisor. Portanto, pode ser vendida, comprada ou intercambiada. O acesso à água é umha necessidade vital, mas, desta óptica, nom é um direito humano essencial. Os seres humanos som consumidores/clientes de um bem ou serviço a que só se pode aceder através dos mecanismos do mercado. Impom-se a liberalizaçom de serviços.

A OMC (Organizaçom Mundial do Comercio) pressiona os governos no sentido da privatizaçom de diversos sectores públicos, da educaçom à saúde, passando pola água. É nesta situaçom que a Uniom Europeia exige a mais de 70 países “em vias de desenvolvimento ou em transiçom” a abertura dos seus serviços de água a empresas estrangeiras, acatando as directrizes das multinacionais que tentam estender ainda mais o seu raio de acçom e, com certeza, os seus grandes benefícios.

 

 

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