A utilidade da visita real ou como o Bourbon os igualou a todos

16 de Julho de 2006

A visita dos Bourbons a várias cidades galegas, com desigual acompanhamento por parte dos sectores populares, quijo afirmar a espanholidade da Galiza mediante umha adesom popular em massa que nom se produziu. Na altura em que crescentes sectores de naçons sem Estado peninsulares contestam a estabilidade do projecto constitucional encetado em 1978, a visita do chefe do Estado a Galiza quijo pôr sobre a mesa da reforma estatutária em curso o suposto compromisso inabalável do povo galego com Espanha.

Já informamos do estrepitoso fracasso das recepçons na Corunha e Ferrol. As duas cidades juntas congregárom poucas centenas de alienadas e alienados pró-monárquicos a abanar bandeirinhas de Espanha com entusiasmo, enquanto a maioria continuava com a sua vida normal, que pouco a ver tem com a dos reis vindos da Meseta. Bom número de representantes vicinais rejeitárom o convite para assistirem à recepçom, enquanto alguns outros, claro, se mostrárom agradecidos com as instituiçons que ao longo do lhes financiam actividades culturais e culinárias várias.

Em Ponte Vedra, Ourense, Ribeira e Marim houvo algumhas centenas mais de fáns de Juan Carlos e Sofia de Bourbon, mas contodo, a visita real deixou em evidência sobretodo a existência de um grande número de barrigas agradecidas, lambebotas e políticos sem vergonha dispostos a todo para saírem na foto, e nom umha adesom popular maioritária à farsa monárquica.

A ninguém estranha o entusiasmo dos dirigentes do Partido Popular, Independientes por Ferrol e até do PSOE, a babarem diante das suas majestades. No entanto, sim chocou a muitos comprovar a incondicional adesom dos principais dirigentes de IU e o BNG. Autoproclamadas republicana a primeira, e nacionalista galega a segunda, no momento de demonstrarem com factos o seu republicanismo e nacionalismo, decidírom esquecer esses pormenores dos seus respectivos ideários, para assistirem às recepçons e reverenciarem o rei espanhol.

Foi o caso da máxima dirigente de IU na Galiza, Yolanda Díaz, vereadora em Ferrol, que nom quijo perder a ocasiom de reunir-se com a nata da Jet Set ferrolana, dirigentes políticos, castrenses, eclesiásticos e outras ervas. Ali estavam também os vereadores, vereadoras do BNG, além dos presidentes das cámaras das Pontes, Mugardos e Fene, também do Bloque. O mugardês, Xosé Fernandes Várzea, por sinal militante da UPG e ex-sindicalista na CIG, aproveitou a saudaçom para convidar directamente o monarca a visitar a sua vila, insistindo na condiçom de Real concedida por algum parente do actual rei de Espanha.

Cenas parecidas sucedêrom-se na Corunha, com Anxo Quintana de etiqueta para receber tam insignes personagens, ou em Ponte Vedra, onde o presidente da Cámara polo BNG, Fernandes Lores (também da UPG), acompanhou as restantes autoridades civis e militares na recepçom aos pais da pátria [espanhola]. Isso sim, as juventudes do BNG nom deixárom de fazer pública a sua crítica à presença dos monarcas na Galiza, no que parece umha burla à inteligência dos galegos e as galegas com um mínimo de consciência e orgulho nacional.

Quem dixo que a visita real nom serviu para nada? Pujo em evidência que, como muitas vezes se di nas ruas da Galiza para referir o papel dos que mandam, "todos som iguais". Falta é que os amplos sectores que nom nos sentimos representados por semelhante fauna política demos passos para organizar, unificar e fortalecer a dissidência galega, soberanista, socialista e republicana.

 

:: Mais informaçons sobre o mesmo tema

Real fracasso: Reis de Espanha nom tivérom "banho de multitudes" (+...)

NÓS-UP rejeita presença institucional do monarca espanhol em Ferrol (+...)

 

Voltar à página principal

 

 

Os Bourbons com Peres Tourinho em segundo plano, no acto militar de exaltaçom espanhola com que concluiu a viagem à Galiza, em Marim, e que foi transmitido integramente e em directo pola TVG