De incendiários, socialistas e nacionalistas

23 de Agosto de 2006

Reproduzimos o artigo publicado em Vieiros e no web de BRIGA assinado polo jovem trabalhador Diego Bernal, integrante como peom florestal de umha brigada anti-incêndios e militante independentista na organizaçom juvenil BRIGA. Nele, atende-se a um aspecto pouco tratado sobre a crise incendiária das últimas semanas, como é a perspectiva dos trabalhadores e trabalhadoras das brigadas de extinçom de fogos.

De incendiários, socialistas e nacionalistas

Se umha liçom nos ensinou história é a diferença entre presumir de ser e o facto de sê-lo. A nossa sabedoria popular poetiza esta reflexom afirmando que umha cousa som alhos e outra bugalhos.

Hoje o governinho autónomo galego gaba-se de ser o governo da mudança, do progresso, um governo gerido por nacionalistas de esquerda e socialistas. No entanto, é o mesmo governo que mantém umhas nefastas condiçons laborais a aquelas/es aos que umha força de esquerdas diz representar, os trabalhadores e trabalhadoras.

O primeiro cronista mor do reino português Fernám Lopes escandalizou a Europa cristá medieval justificando a nova dinastia real portuguesa e dando protagonismo e voz à "arraia miúda" nas suas talentosas crónicas, linda forma de chamar o povo. Eu agora também quigera falar de povo e romper com o silêncio de jornalistas a soldo, tertulianos fala-baratos, locutores impertinentes, articulistas sem ideia do que escrevem e de toda essa informaçom que nos transmitem meios de comunicaçom em maos da burguesia, todos esses que falam de lume e apenas sentírom como lhes aquecia o cu na lareira do seu chalet.

Resulta realmente indignante que ainda nom se erguera nengumha voz para denunciar nom o facto de que arda a massa florestal, ponto onde direita e esquerda domesticada som coincidentes, senom simplesmente para denunciar as míseras condiçons de vida dos milheiros de galegos e galegas, jovens na sua grande parte, que trabalham como peons florestais para o auto-denominado governo bipartito que dirige a Junta de Galiza desde há já mais de um ano. Estamos a falar de pessoas que fam jornadas de mais de 12 horas diárias por um ordenado de 7 horas e meia, cum soldo ruinoso, com mudanças de horário semanais que dificultam a folgança óptima precisa para realizar um trabalho físico destas características, pessoas que carecem de tempo de lazer, de vida, que os dous dias à semana que tenhem de descanso passam-nos a dormir para se recuperarem, que tenhem maniotas ao longo do corpo, chagas nos pés, olhos irritados, problemas respiratórios derivados da inalaçom do fume, que conducem centos de quilómetros diários para se deslocarem até os lumes e de volta às suas moradas, correndo perigo polas suas vidas tanto pola perigosidade dos fogos como polas pésimas condiçons laborais, como pola escandalosa falta de formaçom.

Há escassos dias, o escritor corunhês Manuel Ribas sublinhava o direito que tinha o povo galego a conhecer a cara dos incendiários e inquiria aos meios de comunicaçom a que difundissem as imagens das suas caras ao igual que decote víamos as de assassinos, violadores ou narco-traficantes. A classe trabalhadora galega leva mais de um ano na procura das caras socialistas e nacionalistas de esquerdas do governo autonómico. Nom é muito o que demandam os rostos enfelujados d@s peons florestais, apenas ter umhas condiçons laborais dignas. Porém, acho que nom será este o verao em que lhe vajamos a face nem a incendiários nem a nacionalistas e socialistas. Os primeiros nom interessa detê-los e os segundos porque se calhar nom eram alhos senom bugalhos. Mais umha vez só resta ir procurá-los à rua. Já o dizia um da minha brigada sabe mais o raposo por velho que por raposo.

 

 

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