Libertemos a Irlanda

James Connolly

Libertemos a Irlanda. Tanto fam as mesquinhas consideraçons materiais relacionadas com o trabalho e o salário, lares saudáveis ou vidas livres da pobreza.

Libertemos a Irlanda. O latifundiário que exige umha renda abusiva, nom é também irlandês? Vamos desprezá-lo? Nom pode ser, nom falemos mal do nosso irmao, ainda que nos suba a renda.

Libertemos a Irlanda. O capitalista devorador de lucros, que rouba três quartas partes do nosso trabalho, que nos chucha os miolos dos ossos quando somos novos e depois nos bota à rua como umha ferramenta gasta quando ficamos velhos prematuramente ao serviço dele, nom é também irlandês e quiçá um patriota? Vamos dizer mal dele?

Libertemos a Irlanda. "A terra em que nascemos e nos criou" E o latifundiário a quem temos de pagar para que nos permita viver nela. Um brado pola liberdade!

"Libertemos a Irlanda", di o patriota que nom quer saber nada do socialismo. Juntemo-nos todos e esmaguemos o brutal saxom. Juntemo-nos todos, di el, todas as classes e credos. E, pergunta ot rabalahdor da cidade, depois de termos esmagado o saxom e de libertarmos a Irlanda, faremos o quê? Bem, entom poderedes voltar aos vossos casebres, tal como antes. Um brado pola liberdade!

E, pergunta o trabalhador do campo, depois de termos libertado a Irlanda, o que é que vai acontecer? Bem, entom havedes de poder continuar a esgotar-vos para pagar a renda do latifundiário ou os juros dos prestamistas, tal como antes. Um brado pola liberdade!

Quando a Irlanda for livre, di o patriota que nom quer saber do socialismo, havemos de proteger todas as classes e se tu nom pagares a tua renda, hás de ser despejado, tal como agora. Mas o grupo de despejo, às ordens do alguazil, levará fardados verdes e a harpa sem a coroa, e o a ordem judicial de despejo que te botará para a rua levará o carimbo da República da Irlanda. Por acaso achas que nom adianta luitar por isso?

E quando nom deres arranjado um emprego e, no desespero, renunciares a continuar a luita, entrando para o asilo, a banda do regimento do Exército irlandês mais próxima há de escoltar-te até a porta do asilo a tocar "O dia de Sam Patrício". Vás ver, há de ser bonito viver nesses tempos.

Com a bandeira verde sobranceira por cima de nós e um crescente exército de desempregados a passear em volta da bandeira verde e a devecer por algumha cousa para comer. O mesminho que agora. Um brado pola liberdade!

Meu amigo, eu também sou irlandês, mas sou um pouquinho mais assissado. O capitalista, afirmo, é um parasita da indústria, tam inútil na fase actual do nosso desenvolvimento industrial como outro parasita qualquer do mundo animal ou vegetal é para a vida do animal ou vegetal de que se alimenta.

A classe trabalhadora é a vítima deste parasita, desta sanguessuga humana, e tem o direito e o dever deutilizar todos os meios ao alcance dele para expulsar essa classe parasitária da posiçom que lhe permite alimentar-se das forças vitais do trabalho.

Portanto, eu digo, organizemo-nos para enfrentarmos os nossos dominadores e desfazer o seu domínio; organizemo-nos para lhes tirar o controlo que exercem sobre a vida social por meio do seu poder político; organizemo-nos para arrancar das suas garras de ladrom a terra e as fábricas em que e com que nos escravizam; organizemo-nos para limparmos da nossa vida pública a nódoa do canibalismo social, a nódoa da exploraçom do homem polo homem.

Organizemo-nos para umha vida plena, livre e feliz PARA TODOS OU PARA NINGUÉM.

Publicado nas publicaçons operárias irlandesas Worker's Republic, em 1899, e Socialism Made Easy, em 1908.

 

 

 

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