Intervençom de Carlos Morais na ceia-acto político-festa X Aniversário

Compostela, Galiza, 22 de Abril de 2006

Boa noite, amigas e amigos, companheiras e companheiros, camaradas, delegaçons convidadas:

Há agora exactamente dez anos, o punhado de jovens e nom tam jovens que tivemos a honra de participar na fundaçom de Primeira Linha estávamos a dar os últimos retoques ao manifesto que seria aprovado no 1º de Maio de 1996, no acto fundacional de constituiçom do nosso partido, que tivo lugar num local da compostelana rua do Vilar.

Também um dia como hoje, a 22 de Abril de 1870, nasceu Valdímir Ilich Ulianov Lenine, arquitecto do primeiro Estado obreiro da história e cujo exemplo militante, modelo de partido revolucionário e induvitáveis contributos teóricos reivindicamos e dos quais nos consideramos seguidores.

Em 1996, a nossa inexperiência e enormes incapacidades teórico-práticas eram compensadas polo entusiasmo revolucionário, a audácia leninista e a vontade de intervirmos. O nosso inconformismo e um correcto, embora parcial e incompleto, diagnóstico da estrutura de classes galega foi determinante para emergirmos do anonimato, ocuparmos um espaço entre a esquerda nacional convertendo-nos no referente marxista-leninista, sem complexos, nem maquilhagens, da nova esquerda independentista galega que nestes dez anos contribuímos para construir sob as ruínas de fracassados projectos anteriores.

Nascíamos num momento difícil e complexo. Sabíamo-lo. Estávamos plenamente conscientes da desfavorável conjuntura nacional e internacional sobre a qual estávamos a colocar as primeiras pedras na construçom dum partido comunista de nova planta.
Mas nada disto impediu atingirmos o presente como umha realidade viva, como um colectivo partidário combativo e proletário, de carácter estratégico, conformado por revolucionári@s que nem se vendem, nem se adaptam aos guions impostos polo politicamente correcto.

Nascemos como um revulsivo às derivas reformistas e ao derrotismo da velha esquerda esmagada pola queda do muro de Berlim e implosom da Uniom Soviética. E assim, nom o duvidedes, seguirá a ser a nossa pegada e a nossa singular estela na luita de classes, na luita pola independência nacional e a libertaçom da mulher.

Nom nascemos fruto dum capricho, nom somos o resultado dumha artificial decisom. A nossa trajectória colectiva e intervençom teórico-prática nesta década demonstrou os acertos daquela decisom e a imprescindível necessidade de que a Galiza e a sua classe obreira sentasse as bases de um novo e verdadeiro, na sua coerência discursiva e métodos de luita, partido comunista.

Se em 1996 nós nom tivéssemos criado Primeira Linha, antes ou depois, de núcleos de jovens e trabalhadoras, teria nascido algo semelhante.

Aqui estamos, graças ao esforço de muit@s de vós, de muit@s que hoje nom pudérom assistir, de muit@s outr@s que nom agüentárom as dificuldades deste longo caminho, mas que fôrom determinantes no seu momento na construçom da ferramenta organizativa que com outras organizaçons e entidades tem a responsabilidade histórica de fazer da classe obreira galega único sujeito da sua libertaçom, e motor da recuperaçom da independência nacional.

A tod@s eles, a todos elas, o nosso mais sincero agradecimento.

A nossa modéstia revolucionária e sentido autocrítico comunista nom deve ocultar que estamos relativamente satisfeit@s destes dez anos. Consideramos que as luzes som maiores do que as sombras, que os acertos tenhem sido superiores aos erros.

Hoje, sem lugar a dúvidas, somos umha organizaçom mais sólida, com umha experiência militante nada desprezável, com umha curta, embora intensa trajectória. Temos a honra de sermos o primeiro partido comunista criado na Europa ocidental após a desapariçom da URSS.

Nestes dez anos, tam só pugemos os alicerces do partido e do movimento sociopolítico revolucionário que estamos firmemente comprometidos a levantar, entregando a nossa inteligência colectiva e o melhor da nossa energia e compromisso militante.

No imediato futuro, queremos continuar a ser úteis e contribuir para os sucessos das luitas da juventude, das mulheres, da classe operária e camadas populares, na defesa dos seus direitos e conquistas. Queremos estar e incidir em todas aquelas batalhas quotidianas, locais, sectoriais, mas também naquelas de carácter estratégico determinantes no futuro da naçom galega e na capacidade da sua imensa maioria social, o povo trabalhador, de construir umha sociedade nova superadora do capitalismo.

Para isso sabemos que é necessário criar espaços comuns de luita e combate com muitos outr@s companheir@s, para acumular forças.

Com alguns sabemos que a dia de hoje nom é possível passarmos de simples acordos pontuais, caminhando separados, mas golpeando juntos. Porém, com muitos outros sim sabemos que é possível construir espaços comuns para alargar a capacidade de resistência e combate da classe obreira galega pola sua emancipaçom e libertaçom.

Contamos pois convosco para esta imensa, mas imprescindível tarefa.

Ninguém nos deterá, nem Espanha, nem o capital, nem a sua repressom.
A nossa estrela vermelha seguirá brilhando, a nossa fouce e martelo seguirá a ser um guia para a Revoluçom Galega.

Viva Primeira Linha!


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