BNG quer levar os seus complexos ao novo texto estatutário

4 de Outubro de 2006

Num discurso tam cinzento e formalmente espanholizado como nele é costume, o porta-voz do BNG e vice-presidente da Junta da Galiza, Anxo Quintana, aproveitou o discurso no "Debate do estado da Autonomia" para apresentar a fórmula de referência que essa organizaçom política propom para plasmar o carácter nacional da Galiza no novo Estatuto.

Eis a fórmula do BNG, com a redacçom literal apresentada por Quintana: "A tradición e o sentimento galeguista que nos unen como pobo e o Parlamento que nos representa como cidadáns definen a Galicia como unha nación. A Constitución española no seu artigo 2 recoñece o carácter nacional de Galicia como nacionalidade histórica”.

Para já, e ao contrário do que fijo durante o resto do seu discurso, Quintana propom utilizar o nome espanholizado do País no novo texto estatutário, como se vê neste fragmento em que aparece barbarizado em duas ocasions.

Quanto ao conteúdo, a complexada formulaçom parte de dar por bom o suposto "reconhecimento do carácter nacional" da Galiza que, segundo o BNG, já existe na Constituiçom monárquica espanhola de 1978. Assim sendo, o preámbulo do novo Estatuto limita-se, na proposta do Bloque, a fazer referência ao artigo nº 2 do texto constitucional juancarlista como grande referente, acrescentando enfeites "galeguistas" sobre a definiçom da Galiza como naçom.

Parece confirmar-se o total esvaziado de conteúdos para limitar o reconhecimento nacional da Galiza ao que já di a Constituiçom espanhola, e excluindo qualquer referência ao direito do nosso povo a decidir sem restriçons sobre o seu futuro como tal. De facto, noutro momento do seu discurso, Anxo Quintana chegou a atribuir ao parlamento autonómico a condiçom de sede "onde reside a soberania das galegas e dos galegos". Na versom de Quintana e o BNG, a Galiza conta já com um Parlamento soberano (sic) e com um reconhecimento da sua condiçom nacional por parte do Estado espanhol.

Apesar das renúncias sem conta do complexado BNG, o PP continua sem ceder um acordo para o novo Estatuto, que já ninguém acredita que poda nem atingir o perfil de autonomismo avançado do aprovado no Principat de Catalunya.

 

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