Esquerda independentista catalá analisa resultados do referendo estatutário

20 de Junho de 2006

Polo seu interesse e actualidade, publicamos a traduçom na nossa língua da análise realizada polos companheiros e companheiras de Endavant (OSAN) sobre os resultados do referendo do passado domingo no Principat de Catalunya, no que foi o primeiro estatuto reformado apresentado a votaçom.

Posiçom de Endavant (OSAN) perante o resultado do referendo do Estatuto do Principat

Perante o resultado do referendo sobre o Estatuto de Autonomia decorrido a 18 de Junho no Principat de Catalunya, Endavant (OSAN) fai a seguinte avaliaçom:

Um apoio de 37%

Apesar de o “SIM” ter atingido a maioria dos votos emitidos, há que sublinhar que apenas metade das cidadás e cidadaos que tenhem direito ao voto acudírom aos colégios eleitorais. Isto significa que apenas 37% do eleitorado deu o seu apoio ao Estatut. É sublinhável este dado nomeadamente por se tratar de um texto legislativo marco de que derivará toda a política da Generalitat nos próximos anos.

Esta alta percentagem mostra que o processo de reforma, que tomou balanço no passado mês de Setembro, ficou bastante desacreditado entre a populaçom e que boa parte da cidadania se sentiu muito afastada dela. Muitos dos eleitores e eleitoras interpretárom-no como um texto que a classe política fijo para ela própria.

Voto significativo de rejeitamento

Embora seja certo que o voto positivo ultrapassou largamente o negativo, nom pode menosprezar-se que os votos negativos e embranco somados atingem os 26%.

É relavante ainda compararmos a percentagem de votos que atingira o Estatuto de Autonomia de 1979 e o que atingiu o actual: frente ao actual 73’9% de votos positivos, em 1979 o voto afirmativo tinha chegado aos 88’1%; no caso dos negativos, agora fôrom os 20’7%, enquanto em 1979 tinham sido apenas de 7’8%. Além do mais, no referendo de 1979 votaram 59’3% do eleitorado.

Este dado nom poderá ser obviado polos gestores da autonomia principatina em face do futuro, e mostra que o desejado “encaixe em Espanha” da maioria da classe política nom se conseguiu com esta reforma. O respeito polo direito de Autodeterminaçom do Povo Catalám é um tema que continuará em cima da mesa da política catalá.

Vitória do voto do medo

Vendo a campanha que figérom a maior parte dos partidos políticos que defendiam o texto estatutário, temos de interpretar que o resultado foi a vitória do voto do medo. E é que boa parte do discurso de PSC, CiU e IC-V se centrou em ameaçar que votar “NOM” era agir do mesmo jeito que o Partido Popular. O centro da argumentaçom destes partidos foi umha defesa muito morna do texto proposto e, ao invés, um ataque directo contra aqueles que o punham em questom. Também foi significativo que, a umha semana do referendo, duas terças partes do eleitorado assegurasse que conheciam muito pouco o texto que era submetido a votaçom.

Dispersom do voto autodeterminista

A alta percentagem de votos emitidos em branco, junto à percentagem maioritariamente soberanista de votos negativos e o carácter activo de umha parte da abstençom, reflectem que o eleitorado autodeterminista se dispersou entre as diferentes opçons de rejeitamento ao texto estatutário. O temor de coincidir com o PP na hora de votar, a pouca clareza na defesa do voto negativo por sectores significativos de ERC, e a dificuldade para chegar ao conjunto da populaçom que tivérom as plataformas de rejeitamento ao Estatuto explicam esta dispersom.

Continuar a trabalhar pola Independência e o Socialismo

Para além da pouca legitimidade nas urnas que obtivo o texto estatutário, de Endavant (OSAN) criticamos desde o início um processo que procurava, simplesmente, umha readaptaçom das estruturas estatais para atender às demandas da burguesia e para tentar minimizar as aspiraçons soberanistas de umha maioria de cataláns e catalás. Rejeitamos o texto de 30 de Setembro, saído do Parlamento do Principat de Catalunya, umha vez que nom reconhecia a territorialiadde dos Països Catalans nem criava os instrumentos para pôr a economia ao serviço das classes populares nem para deter a predaçom do território. Neste mesmo sentido, também rejeitamos o Estatuto aprovado para o País Valencià e a proposta que está a ser debatida para as Illes. Quando o texto principatino passou por Madrid, denunciamos, aliás, os cortes que sofreu e o triste papel da maioria da classe política do País.

Continuamos a julgar que os Països Catalans necessitam nom reformas estatutárias, mas o exercício do direito à Autodeterminaçom e a construçom de umha sociedade justa, solidária e sustentável. Infelizmente, durante os próximos meses comprovaremos que os textos estatutários reformados nom nos permitem a vertebraçom como Naçom nem a participaçom no palco mundial de maneira soberana, nem nos permite para as deslocalizaçons de empresas e a precarizaçom do trabalho, bem como também havemos de ver como nom dispomos dos instrumentos necessários para garantirmos o uso social do catalám ou incorporarmos os recém chegados à sociedade catalá em igualdade de condiçons.

Por isso, continuaremos a trabalhar para vertebrarmos e fortalecermos a Esquerda Independentista catalá, garantia da construçom de um movimento autodeterminista que nos permita desfazer-nos dos estados espanhol e francês e construir o socialismo.

Països Catalans, domingo 18 de Junho de 2006

 

 

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