Das palavras aos factos: a necessária aproximaçom do movimento juvenil da esquerda soberanista

4 de Agosto de 2006

Publicamos um interessante artigo de opiniom difundido em diversos meios de comunicaçom nestes dias, em relaçom com a apariçom oficial de umha nova corrente interna no seio da organizaçom juvenil do BNG. A autoria do texto corresponde ao camarada Daniel Lourenço Mirom, jovem independentista de dilatada trajectória no trabalho juvenil revolucionário galego, actualmente integrante do organismo de direcçom de BRIGA.

 

Das palavras aos factos: a necessária aproximaçom do movimento juvenil da esquerda soberanista

Daniel Lourenço Mirom (Membro da Mesa Nacional de BRIGA)

Umha das novidades do recente Dia da Pátria foi a apresentaçom pública de umha nova organizaçom juvenil, nascida no interior de Galiza Nova a partir de umha cisom das mocidades da UPG.

A aqueles e aquelas que, como é o meu caso, participamos há exactamente dez anos num processo semelhante de configuraçom de umha nova corrente interna no BNG, à esquerda do partido maioritário na sua Direcçom, o manifesto repartido por estes companheiros e companheiras no passado dia 25 de Julho em Compostela trouxo-nos quase a sensaçom de um "dèjà vu", lembrando-nos em muito a nossa posiçom em 1996.

A negaçom do interclassismo como princípio estratégico do nacionalismo galego, o explícito compromisso anticapitalista, o reconhecimento da realidade da luita de classes como motor da evoluçom social na Galiza, a reivindicaçom da democracia como algo mais que "ir votar cada quatro anos", a íntima relaçom existente entre o político e o social, o papel central da luita pola emancipaçom das mulheres, a denúncia dos falsos vanguardismos, a denúncia das restriçons à democracia no interior do próprio BNG, o necessário combate frontal ao neoliberalismo, a autodeterminaçom com única saída frente aos parches autonomistas, o fracasso do Estatuto em matéria lingüística,…

Quem reler o manifesto fundacional e os primeiros textos de Primeira Linha, a corrente comunista gestada no seio do BNG em 1996, nom poderá evitar a sensaçom do "já visto". Também se repete a vocaçom de participar na reorientaçom do BNG em direcçom à esquerda e a vontade de enriquecer a sua composiçom ideológica.

Todo o mundo sabe no que deu aquela experiência: as irrespiráveis condiçons políticas impostas no BNG polo sector hegemónico na sua direcçom (leia-se UPG) obrigou-nos a optar entre a claudicaçom e a continuidade fora da frente. Desde aquela altura -1999- Primeira Linha desenvolve incansável o seu trabalho independentista e comunista no seio do nosso povo trabalhador, enquanto o BNG, por seu turno, nom deixou de caminhar em sentido contrário aos seus princípios fundacionais, escrupulosamente respeitados polo nosso partido durante os dous anos de permanência no seu interior.

Umha década depois, o sector representado pola entidade juvenil "Isca!" apresenta-se publicamente com um discurso nom muito semelhante ao que nós mantínhamos dez anos atrás, se exceptuarmos a nossa firme aposta na independência nacional.

Particularmente, considero positivo que novas vozes se alcem contra a deriva reformista e autonomista do BNG no seu próprio interior. Mas, como integrante da organizaçom juvenil independentista e revolucionária BRIGA, avalio como especialmente positivo a disposiçom expressada polos companheiros e companheiras de Isca! quanto ao seu compromisso para "traballar en clave participativa con todos os movimentos sociais xuvenis".

Há, sem dúvida, espaços em que essa colaboraçom é nom só possível, mas necessária. Eu nom duvido que a organizaçom em que trabalhamos aqueles e aquelas que, há dez anos, abandonamos Galiza Nova e o BNG para poder construir um espaço soberanista e anticapitalista na Galiza, estará disposta a essa colaboraçom, por bem da Galiza e da juventude trabalhadora.

Oxalá as palavras se concretizem em factos e todos e todas sejamos coerentes com aquilo que manifestamos. Se assim for, o fragmentado espaço político da esquerda soberanista poderá ver-se enriquecido polo contributo de tod@s.

Galiza, 29 de Julho de 2006

 

 

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