A fame de outrora

18 de Abril de 2006

A fame de outrora

Igor Lugris

"Ja podem os leiros dar
colheitas bem avondosas,
podem en Madrí falar
com palavras bem formosas,
que nunca, nunca nos ham pagar
a nossa fame de outrora!"

(Fuxan os Ventos, Mulher)

Se escreverdes no "guguel" as palavras "Débeda histórica", aparecerám-vos 15.600 resultados. Se escreverdes "Débeda histórica Anxo Quintana", aparecerám 427 resultados. Se escreverdes "Dívida histórica", os resultados serám 540.000, e se acrescentardes "Anxo Quintana", o resultado é de 328. Também podedes provar com "Dívida histórica Galiza" e "Débeda histórica Galiza", tendo entom 57.000 e 18.700 respectivamente. Com "Débeda histórica Galicia" o resultado é de 15.000 páginas. Desconheço que se passará escrevendo essas palavras noutros idiomas distintos do galego-português, em qualquer das suas variantes normativas.

Todo isto vem bem a conto porque dim os meios de comunicaçom que "Galicia vai comezar a cobrar xa a ‘débeda histórica’", que o BNG, por boca do seu lider, Anxo Quintana, tem calculado em 21.000 milhons de euros. O BN, pensa que o Estado deve saldar essa dívida em 8 anos, a razom de 2.600 euros que o Estado deverá pagar à Administraçom galega durante 8 anos. "Ademais, a organización nacionalista esixe que o investimento do Estado en materia de infraestruturas non baixe do 8% do Plano Estratéxico de Infraestruturas e Transportes (PEIT), como figura no pacto de goberno asinado co PsdeG-PSOE". O PSOE está disposto a falar dessas quantidades, ainda que prefira falar de "défice estrutural", porque, evidentemente, o "conceto é o conceto".
Com toda a probabilidade, todo esse dinheiro, por seguir a tradiçom e nom variar, destinará-se às já famosas "infraestruturas" (estradas, auto-estradas, portos, caminhos de ferro, etc...), tal e como fazia o PP, tanto em Madrid como em Sam Caetano, quando anunciava investimentos na Comunidade Autónoma Galega. Assim, os e as emigrantes poderemos emigrar por grandes infraestruturas, e voltar nas férias à nossa naçom, para ver que todo continua na mesma mas os "guiris" tenhem mais fácil passar os veraos nas nossas rias.

Eu, sempre que leio notícias destas, lembro, nom podo evitá-lo, a cançom de Fuxan os Ventos, que durante tantos anos cantavam e coreavam os militantes, e mesmo a dirigência, do BNG. Parece que, finalmente, alguns pensam que sim, que nos vam pagar a nossa fame de outrora. E é que som esses mesmos que levam tempo, anos, a dizer que em Madrid é possível falar com palavras bem formosas, e que os leiros vam dar cada dia colheitas mais avondosas.

Agora que tam politicamente correcto é nos ambientes "progres" falar de "memória histórica" (outro "conceto" que vai caminho de nom significar nada), nom está nada mal fazer memória e lembrarmos esta letra de Fuxan os Ventos.

Vinte e um mil milhons de euros! Pois sim que me parece barato colonizar umha naçom. Bom proveito para eles!. Será o preço da sua claudicaçom.

A meu gaiteriño,
ainda me acordo,
cando baixabas polo monte abaixo,
e viñasme ti dicindo.

Bota carne no pote, Marianiña,
bota carne no pote, Marianá,
un molete enteiro. enservelletado,
unha bota con viño, chupáená!

Muller, fartura de loita
qué che hei decire eu, muller?!
Ti és coma a terra nosa,
e a terra é coma ti é!

Deixeivos a entrambas soias
anque convosco quedei
Valeira está a terra, morna
ti, sementada, abofé.
(bis)

E o vento decia
pronto hai de volver!,
pra tira-la fame, pra poder comer...
(bis)

Ai, muller, cántas noitiñas,
te deitaches coa tristura?,
e o vento, ainda che traguía,
as novas dos que marmuran.

E o vento decia,
pronto hei de volver...

RECITADO FINAL:
Ti és o milagre da terra
e, a terra é un milagre teu
mistura de mel e cerna
de fera e de anxo do ceo.

Pariches de pé o fillo,
como fan no mente as bestas.
E hoxe que volto vencido,
para que eu venza ti te deitas.

O voltar, qué che hei decir?!
Maldito o día e a hora
en que te deixei aquí
pra percurar vida fora!
O inverno da emigración
roubóunos a primavera,
quén eu era, xa non son,
e ti non és a que eras!
Xa poden os leiros dar
colleitas ben abondosas,
poden en Madrí falar
con palabras ben fermosas,
que nunca nos han de pagar
a nosa fame de outrora!

E O VENTO DECíA,
PRONTO HEI DE VOLVER
PRA TIRA-LA FAME,
PRA PODER COMER...


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