Posiçom das FARC-EP sobre a "vitória eleitoral" de Uribe

1 de Julho de 2006
Pola sua importáncia publicamos o comunicado emitido polo Secretariado do Estado Maior das FARC-EP, a maior organizaçom guerrilheira da Colômbia, as Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia-Exército do Povo, no que analisa os resultados das eleiçons à Presidência da República. Datado em 20 de Junho consideramos oportuno divulgá-lo integramente.
Presidente de minorias, governo ilegítimo
A reeleiçom de Álvaro Uribe foi conseguida sob a pressom do
terror, da violência
generalizada
nas cidades e nos campos, da chantagem, corrupçom, suborno, assassinato
de dirigentes populares, encarceramento maciço de cidadaos, fraude,
falta de garantias para votar como em Caquetá e Meta onde foi impedida
a instalaçom de mesas que anteriormente tinham sido permitidas, com
todo o aparelho do Estado e dos meios de comunicaçom prostrados perante
a campanha reeleicionista e que, no final, triunfou apenas com o respaldo
viciado de 27 por cento do eleitorado.
No passado 28 de Maio o senhor Uribe, possivelmente, terá cumprido
os requisitos legais exigidos por todos os teodolindos [1] e pola Corte Constitucional
para a sua reeleiçom, mas estivo muito longe da legitimidade que ambiciona.
O 73% d@s colombian@s com capacidade de votar nada quigerom saber das suas
estratégias messiânicas, elitistas, paramilitarizadas e antipatrióticas
que aumentarám a polarizaçom nacional, atiçarám
ódios e afastarám a soluçom política do conflito
social e armado.
Nestas eleiçons também foi significativo que o Partido Liberal tenha saído golpeado como nunca antes porque uma parte importante dos seus chefes foi parar no uribismo em busca de prebendas. Foi transcendente a votaçom obtida por Carlos Gaviria, que converteu o Polo Democrático Alternativo numa força política de importância para o futuro da Colômbia.
Conhecidos os resultados eleitorais, perante o clamor nacional, as FARC-EP ratificam as suas propostas de troca de prisioneiros e de saídas políticas para o conflito social e armado.
O governo deverá definir-se entre as afirmaçons de alguns dos seus ministros sobre a necessidade de buscar caminhos de aproximaçom e as arengas de altos comandos sobre maior acçom militar e mais guerra como forma de pressionar uma rendiçom, velha, desgastada e fracassada estratégia gringa que só gerou incremento e extensom da confrontaçom armada.
Fazemos um veemente apelo patriótico à oposiçom eleitoral, a aqueles que se abstiveram, aos/as trabalhadores/as sindicalizados, aos independentes, desempregad@s, deslocad@s, indígenas, negritudes, professores, estudantes, a todo o povo amante da paz com justiça social a impulsionar e participar da luta organizada das massas nos campos, povoados e cidades, estradas, bairros, fábricas, universidades e colégios numha grande cruzada para cerrar o caminho ao Terrorismo de Estado do governo fascista, às extradiçons, à violaçom da nossa soberania, ao neoliberalismo, à vulgar intromissom dos Estados Unidos no nosso conflito, e pola formaçom de um Novo Governo de Reconciliaçom Nacional, pluralista, patriótico e democrático, garante dos interesses maioritários do nosso povo.
Secretariado
do Estado Maior Central das FARC-EP
Montanhas da Colômbia, 20 de Junho de 2006
[1] Referência a um conhecido deputado corrupto do parlamento colombiano, de nome Teodolindo.