Dá-lhe que dá-lhe, a fortuna de Fidel Castro

7 de Maio de 2006

A revista Forbes teima, mais um ano, em incluir o líder revolucionário cubano Fidel Castro na lista de governantes mais ricos do planeta. O jornalista Pascual Serrano analisa neste artigo os critérios e intençons utilizados para difundir umha mentira como essa.

Dá-lhe que dá-lhe, a fortuna de Fidel Castro

Pascual Serrano
Rebelión, 6-5-2006

Como todos os anos, a revista Forbes volta a incluir o presidente cubano na lista do que eles chamam "reis, rainhas e ditadores" mais ricos. Com certeza, todos os meios reproduzírom com entusiasmo umha notícia que se repete ano após ano. Se qualquer pessoa procurar no google news, descobre logo que som umha centena de meios aqueles que informam, nom da lista de governantes milionários, mas da presença de Fidel Castro, embora o lugar dele nom seja o primeiro, mas o sétimo. O qual fai concluir que se o presidente de Cuba nom estivesse na lista, deixaria de ser notícia o património desses ricos.

Neste ano, dim que a fortuna dele é de 900 milhons de dólares, quase o dobro dos 550 do ano passado. E, como noutros anos, é importante irmos à fonte original e observarmos como é que calculam o dinheiro de Castro, segundo afirmam no sítio web oficial da Forbes. Di textualmente em inglês: "No caso de Fidel Castro, um outro controvertido ditador, assumimos que tem o controlo de umha rede de companhias estatais que inclui o Palácio de Convençons (um centro de convençons próximo de Havana), Cimex (um conglomerado de vendas ao retalho) e Medicuba (que vende vacinas e outros fármacos produzidos na ilha)". Com efeito, o presidente do país tem o controlo das companhias estatais, como em todos os países. Embora aqui tenha mudado a tese da Forbes, pois no ano passado dizia que as empresas eram propriedade de Castro.

Continuam: "Ex funcionários públicos cubanos insistem em que Castro, que viaja exclusivamente numha frota de Mercedes pretos, se apropriou dos benefícios desses negócios ao longo dos anos". Todos os cubanos sabem que viaja num Mercedes preto de mais de vinte anos, e que vai acompanhado dos carros dos escoltas dele, como todos os presidentes, nomeadamente aqueles que os Estados Unidos tenhem tentado assassinar. Na maioria dos países, um Mercedes é o que todos os ministros e muitíssimos empresários tenhem, e bastante menos antigo do que o de Fidel Castro. O razoamento de que ex funcionários dim que "se apropriou dos benefícios" como prova da riqueza é umha afirmaçom gratuita sem valor nengum. Nom será dos benefícios que o Palácio de Convençons produz, onde só se realizam actos públicos e o único dinheiro que aí circula é o peso cubano que custa um café no bar. Quanto à medicuba e Cimex, como já assinalei no ano passado em resposta ao mesmo argumento da Forbes, som empresas públicas que comercializam com produtos da ilha. Em nengum registo ou documento se reflecte que seja propriedade do governante, todos os países tenhem empresas públicas.

Agora vem o repto para a Forbes, de quanto é que o presidente se apropriou? Assim afirmam terem feito as contas: "Por forma a obter umha quantidade neta, utilizamos um método em que se descontam as verbas em dinheiro líquido para avaliar tais companhias e a seguir assumimos que umha parte desse fluxo de lucros fica para Castro". Assim sendo, em lugar de 900 milhons, podiam ter posto o dobro, pois afinal a questom era calcular a "parte desse fluxo de lucros" que lhes pareceria oportuna para dizerem que "fica para Castro". Provavelmente farám isso no ano próximo, e poderám dar como notícia que a riqueza dele é o dobro.

Esclarecem a seguir que "tratando de ser conservadores, evitamos calcular qualquer benefício que puder ter sido embolsado noutras épocas, inclusive existindo boatos de que possui grandes quantias em contas bancárias suíças. Castro negou-no publicamente e tem insistido em que nom possui nada". Precisamente, devereiam ter detectado, se estivessem em condiçons de demonstrar a fortuna, era o dinheiro numha conta bancária a nome dele, ou propriedades em que figure como titular ou usufrutuário. Estranho milionário este de quem nom constam jóias, iates, mansons ou férias a esquiar ou na praia.

Após ter lido o método de cáculo, observa-se que nem tenhem constáncia de dinheiro nengum em conta nengumha, nem propriedade a nome dele. Isso sim, tem 900 milhons de dólares. Já em 2003, a revista estabeleceu o pratrimónio de Fidel Castro em 110 milhons de dólares. Na altura, a letra pequena do seu web assinalava que, como "a estimaçom destas fortunas é um assunto muito complexo", tinham calculado a riqueza pessoal do presidente cubano considerando dele umha percentagem do produto interno bruto (PIB) do país. Tam simples quanto isso.


A notícia dá muito jogo nos media. A agência Reuters começa o seu telétipo a dizer que "o presidente cubano, Fidel Castro, enfureceu-se quando a revista Forbes estimou a fortuna dele em 550 milhons de dólares no ano passado". Vários parágrafos mais à frente, o mesmo telétipo di que "Castro tinha declarado que estava a considerar pôr umha queixa depois de que Forbes publicasse a sua lista de 2005, e riu-se entom de que a fortuna dele era parecida com a da rainha de Inglaterra". Quer dizer, enfureceu-se e riu-se ao mesmo tempo. Esses comentários fijo-os num acto no Palácio de Convençons -esse com que parece que se fai rico perante milhares de cubanos e, com efeito, eu estava presente, ironizou com que lhe fosse adjudicada umha fortuna similar à da monarca británica e afirmou que consideraria tomar qualquer iniciativa contra a revista.

Neste ano, parece que Castro estaria muito por cima da monarca británica. Mas soubemos polos media que à rainha Isabel nom lhe incluem como propriedade o Palácio de Buckingham, nem as jóias da coroa. Em troca, Fidel Castro consegue 900 milhons com os rendimentos de um Palácio de Convençons onde só há actos do Estado e se entra de graça.

E é que, se Fidel Castro em lugar de ser um presidente socialista empenhado em partilhar o seu Palácio de Convençons com os cubanos fosse um capitalista com cinqüenta mil milhons de dólares como Bill Gates, receberia em Espanha o Prémio Príncipe das Astúrias da Cooperaçom.

 

 

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