Fidel Castro visto por Iñaki Gil de San Vicente

3 de Agosto de 2006

Publicamos a traduçom galega do artigo do comunista e independentista basco Iñaki Gil de San Vicente, centrado em analisar a figura de Fidel e o valor do projecto revolucionário cubano no actual contexto capitalista mundial.

Fidel Castro

Iñaki Gil de San Vicente


A doença de Fidel Castro está a multiplicar todo o género de críticas à sua pessoa e à sua obra. Nom surpreende em absoluto a parcialidade e animosidade, quando nom o ódio, desses juízos negativos, realizados a partir do subjectivismo mais teimoso ou da mais fria objectividade de aqueles que sabem que o seu soldo aumenta à medida que aumentam os seus ataques à emancipaçom humana. Sim surpreenderia que se figesse umha outra análise deste revolucionário por parte dos escreventes ao serviço do capitalismo, pola simples razom de que a racionalidade historicamente burguesa nom serve para ajuizar as pessoas revolucionárias e ainda menos os processos revolucionários. Quero dizer que a ideologia burguesa está essencialmente incapacitada para perceber a racionalidade da praxe revolucionária, ou o que é a mesma cousa, nom só nom pode compreender o que é o socialismo, senom que, além disso, a sua funçom radica em luitar com todos os meios possíveis, nomeadamente o terrorismo, contra esse socialismo que nem compreende nem admite. A ideologia burguesa luita contra aquilo que desconhece e, ao caracer de argumentos, nom tem mais remédio que recorrer aos mais sanguinários e atrozes métodos repressivos. E da mesma forma que nom pode saber que é o socialismo, também nom pode conhecer realmente as pessoas que dam a sua vida por esse objectivo histórico. A objectividade axiológica, ontológica e epistemológica burguesa tenhem o seu limite insuperável no facto de que, sem exploraçom, nom existiria classe burguesa. A fera subjectividade do explorador sofremo-la todas as classes trabalhadoras, as mulheres e os povos oprimidos.

Quem temos discutido e falado com Fidel Castro sobre problemas candentes para a humanidade, sem rodeios, com umha sincera liberdade de contributo crítico e construtivo, sabemos que falar com ele é introduzir-se na racionalidade historicamente socialista com umha facilidade pasmosa, mas com um sofisticado conteúdo e rigor teóricos porque, além do ágil uso das categorias dialécticas e do método marxista, também e sobretodo a sua permanetne ligaçom com os problemas prementes e quotidianos das massas. O método de pensamento de Fidel Castro é um exemplo perfeito da capacidade de concreçom do geral em todo o momento, graças à acumulaçom de umha enorme massa de dados ordenados e sistematizados. Um método de pensamento que, por isso mesmo, é baseado na exigência de aprender e de escuitar, de perguntar e de integrar o escuitado no armazém da memória. Fidel escuita activamente a realidade basca, a situaçom das prisioneiras e prisioneiros, das suas familiares, a prática das torturas, os dados socioeconómicos, as experiências históricas, as luitas de classes na nossa naçom basca, etc. A escuita activa nom é outra cousa que a dialéctica e da crítica, do pedido de mais dados e da exigência feita a quem fala e responde de que, se puder, relacione o que está a dizer com outros problemas aparentemente desligados com aquele que é exposto nesse momento, mas necessários logicamente para quem está a escuitar e perguntar. Também é um método que envolve directamente terceiros, aqueles que, es,tando presentes, apenas escuitam e calam, pensam, como podem contribuir para o que está a ser dito pola pessoa que fala nesse instante, de modo que se cria umha interacçom sinérgica em que o conhecimento resultante é superior em qualidade à mera troca de opinions. Debater com Fidel Castro é um prazer e um risco, umha aprendizagem e umha aventura criativa, quer dizer, é praxe revolucionária.


Tendo isto em conta, eu nom cairei na reaccionária conversa superficial e tópica sobre as chamadas "limitaçons" e "erros"do socialismo em Cuba, ou sobre a suposta personalidade deste revolucionário. O problema é outro porque a realidade é outra. De facto, o método de pensamento de Fidel Castro é apenas parte da racionalidade historicamente socialista que é aplicada em Cuba e, já agora, com bastante efectividade. Os contributos cubanos assim o confirmam e os fracassos reiterados do imperialismo para dar cabo deste povo heróico também. Som os méritos, os contributos e os avanços deste povo, os que explicam tanto o fracasso do imperialismo como o carácter e conteúdo secundário dos problemas ainda nom resolvidos na Ilha, como, por exemplo, o da corrupçom. Ora, nom é em modo nengum a corrupçom capitalista, e esta diferença qualitativa é incompreensível para os burgueses, corruptos por essência económica, ética e ideológica. A corrupçom burguesa é inerente ao sistema polo irracionalismo do lucro privado e individual; pola lei da concorrência e do canibalismo intraburguês; pola necessidade de ocultar o processo de obtençom de mais-valia, quer dizer, de ocultar a exploraçom social; polas dificuldades crescentes da realizaçom do benefício industrial, o que leva à finaciarizaçom e o tránsito do narco-capitalismo para o narco-impeiralismo, par o aumento da economia submersa e "criminosa", para o armamentismo imperialista, etc, e, para nom nos estendermos, para os problemas inerentes à transformaçom do valor da mercadoria no preço da mercadoria. Estas e outras som as causas da multiplicada corrupçom estrutural do capitalismo, que já apodrece a sua indústria da saúde e a sua instituiçom tecno-científica, supostos alicerces útlimos da virtude do dinheiro.


Nom podemos estender-nos agora neste muito importante problema, e menos no processo de corrupçom postcapitalista e proto-socialista na extinga URSS e na actual China Popular porque, para tal, deveríamos analisar antes o decisivo problema da propriedade das forças produtivas. o grosso dos restantes problemas e da degeneraçom pró-capitalista remete-nos para este fulcral assunto. Portanto, há que lembrar outra vez como foi Fidel Castro que relançou com o seu célebre discurso de 17 de Novembro de 2005 a luita pública de massas contra esse gurpo social em aumento definido polo próprio Fidel como: "Há, e devemos dizê-lo, umhas tantas dezenas de milhares de parasitas que nom produzem nada". A imprensa imperialista nom gostou nada tanto desta denúncia como da luita de massas, lançando-se a denegrir todo o processo. Os burgueses som parasitas que nom produzem nada e que se propriam do que o povo produz. Verem-se reflectidos tam directa e cruamente é para eles um perigo, e por isso há que dar cabo de Cuba, porque é um povo trabalhador que combate os parasitas improdutivos e açambarcadores do produto do trabalho popular. Também há que dar cabo dela polos seus muitos outros triunfos, mas sobretodo polo seu exemplo prático. A burguesia nom pode raciocinar sobre o que som os processos revolucionários e os seus militantes, porque apenas pensa em termos de propriedade privada, de corrupçom e crime legais e ilegais, de açambarcametno parasitário, de exploraçom e violência. Fora deste universo delirante e obsessivo, genocida, nom existe mais nada, e todo aquilo que o questionar é já em si um perigo que deve ser domeado e destruído.

 

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