NÓS-UP sublinha a localizaçom geográfica e os interesses urbanísticos na sua análise dos fogos florestais

9 de Agosto de 2006

A formaçom independentista e socialista NÓS-Unidade Popular publicou um comunicado em relaçom ao desastre ambiental que golpeia a Galiza durante este início do mês de Agosto. A irresponsabilidade dos teóricos responsáveis políticos, além de factores como a localizaçom geográfica e outros decorrentes caracterizam a análise, que oferecemos na íntegra, tirada do web nacional de NÓS-UP. Recomendamos a sua leitura como mais um elemento de formaçom e conscientizaçom neste tema de grande transcendência para a nossa naçom e o seu futuro:

NÓS-UP perante a catástrofe ecológica que padece Galiza polos incêndios florestais

Mais um ano, arde o país polo fogo florestal, mas nesta ocasiom nom podemos dizer que polos quatro pontos cardeais. Chama a atençom que os incendiários estejam a concentrar a sua actividade terrorista no sul-oeste do território nacional, das Rias Baixas às serras costeiras, nas zonas mais densamente povoadas, onde os lumes som percebidos de jeito directo por mais de metade da populaçom do País. Também é salientável a vaga incendiária concentrada na capital e na sua comarca.

Estes dados objectivos levam a pensar que os incendiários procuram que a sensaçom de caos chegue directamente à maioria da populaçom. Mas nom só se procura gerar alarme e pánico.

Os interesses especulativos que pretendem marbelhizar umha boa parte da costa galega, assim como comarcas inteiras como a da Maía, nas proximidades de Compostela, estám por trás da maior vaga incendiária que padece a Galiza nos último quarenta anos.

O lume florestal é utilizado para arrasar com a massa florestal e com todo o tipo de terrenos rústicos, com o fim de facilitar a construçom desaforada que define o urbanismo na Galiza. A morna legislaçom da “Lei de Montes” nom só permite estas práticas, senom que o seu incumprimento pola maioria das Cámaras Municipais facilita que, todos os anos, umha boa parte da superfície florestal galega passe a ser cinza para depois levantar prédios e urbanizaçons.

Mas, se aqui radica a principal causa da queima do monte, esta nom é unívoca. Sem dúvida, a política tendente a mudar as práticas caciquistas e clientelares de muitos concelhos na contrataçom do pessoal das quadrilhas pola sua gestom centralizada a nível autonómico, sementou ressentimento entre tantos “estômagos agradecidos”. Algumha detençom nos últimos dias aponta neste sentido.

De resto, o problema responde a causas estruturais que pouco ou nada mudárom. Em primeiro lugar, a política florestal de culto ao cultivo florestal-industrial curto-prazista, iniciada com a expropriaçom dos montes comunais durante o franquismo, e continuada na era Fraga, é apoiada polos oligopólios da madeira triturada e a celulose (ENCE, TAFISA, FIMSA), e impulsionada polo círculo de influência do PP (Jovens Agricultores, Silvanus, Associaçom Florestal da Galiza), e do PSOE (AFRIFOGA), que insiste na confusom interessada entre bosque e massa florestal. Pois enquanto o primeiro nom deixa de diminuir, a segunda nom deixa de aumentar em forma de monocultivos de espécies alóctones (pinheiros e eucaliptos), que ocupam os agros onde esmorece a actividade agrícola.

O novo governo autonómico carece de valentia para desafiar os interesses dos grupos económicos que obtenhem a madeira a baixíssimo preço e cujos porta-vozes aparecem nos média laiando-se cinicamente desta “lacra”.

As políticas das Conselharias atingidas seguem a estar influídas por concepçons que nom questionam o modelo herdado. Assim, há poucos meses, anunciavam-se subsídios às repovoaçons de pinheiros, e exigia-se a “limpeza” do mato, medida tam difícil como custosa e indesejável, de nefastas conseqüências ecológicas, fruto dumha anacrónica focagem que pretende substituir o aproveitamento integral do monte no passado, e dar saída à massa orgánica “sobrante”, num cenário completamente distinto, onde a populaçom rural vive em grande parte alheia e desligada do meio, e desordenadamente estabelecida, com massas arbóreas plantadas arredor das casas e casas “plantadas” no meio de massas arbóreas.

As soluçons a este grave problema ecológico e socioeconómico que arrasta a Galiza desde há mais de três décadas som de carácter estrutural: passam por umha nova política integral que recupere o rural, viabilizando-o económica e socialmente, que modifique radicalmente a política florestal imposta polo grande capital. Porém, é necessário fazer frente agora e aqui à destruiçom planificada do monte.

O actual governo bipartito PSOE-BNG tem responsabilidades directas no actual desastre que padece a Galiza, com mais de cem incêndios diários, que já provocárom três mortes, a destruiçom de mais de 25.000 hectares, a angústia e o terror em milhares de famílias que vem ameaçaads as suas vivendas e propriedades, o corte de estradas, caminhos de ferro e outras vias de comunicaçom.

O País continua sem meios terrestres e aéreos suficientes para paliar a acçom dos incendiários. Sem recursos profissionalizados para combater o fogo. A improvisaçom e carência de meios, e sobretodo a continuaçom da estratégia aplicada polo PP nos 15 anos de fraguismo, dam como resultado a actual catástrofe.

NÓS-UP solicita responsabilidades directas, pola actual situaçom que vive umha boa parte da populaçom galega, ao governo de Tourinho-Quintana, que se move entre o vitimismo e a resignaçom paralisante de Soares Canal e o triunfalismo de Tourinho, que afirma que todo está sob controlo.

Há que agir com firmeza e determinaçom, sem negar as evidências que todo o mundo sabe e conhece.

NÓS-UP apela à movimentaçom social para denunciar e pressionar às autoridades autonómicas na mudança radical de políticas que perpetuam a destruiçom dos nossos montes, e a adopçom de medidas excepcionais para cortar de raíz a vaga de incêndios.

Permanente Nacional de NÓS-UP

Galiza, 8 de Agosto de 2006

 

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