1936-2006. Reflexons sobre 70 anos do holocausto galego

20 de Julho de 2006

No passado dia 18 de Julho cumprírom-se 70 anos do golpe de Estado franquista. Coincidindo com essa data, NÓS-Unidade Popular realizou acçons de denúncia da permanência da simbologia fascista na Galiza, eliminando placas e pintando monumentos de cor-de-rosa, dentro da sua campanha de limpeza democrática.

O secretário geral do nosso partido, Carlos Morais, publicou também, coincidindo com essa data, um artigo em Vieiros, em que analisa com pormenor o significado do golpe e da repressom de grande magnitude que se seguiu no nosso país. Oferecemos a seguir a versom integral do extenso artigo, cuja leitura recomendamos.

 

1936-2006. Reflexons sobre 70 anos do holocausto galego

Carlos Morais, secretário geral de Primeira Linha e membro da Direcçom Nacional de NÓS-Unidade Popular

Um dia como hoje, de 17 a 18 de Julho, de há exactamente 70 anos, umha parte do exército espanhol, -as unidades africanas destinadas nos enclaves coloniais do norte de África e nas Canárias-, iniciavam o pronunciamento militar contra a II República espanhola. O que estava concebido como um golpe de estado que lograria a imediata adesom de todo o exército, sufocando com extrema violência a resistência operária e popular, converteu-se numha guerra que durou quase três anos, mais umha década e meia de luita guerrilheira em quarenta anos de brutal ditadura fascista.

A etapa republicana

Uns anos antes, a 14 de Abril de 1931, o corrupto e oligárquico regime da Restauraçom, simbolizado pola monarquia bourbónica de Alfonso XIII, cai como um castelo de naipes após a vitória das candidaturas republicanas nos grandes núcleos urbanos, abrindo passagem à melhor etapa da nossa história. Neste quinquénio republicano, tem lugar na Galiza um dinámico e participativo processo de auto-organizaçom operária e popular que, questionando o poder secular das classes dirigentes (clero, nobreza e burguesia), consegue importantes, embora insuficientes, conquistas democráticas (sufrágio universal, legalizaçom de todas as forças políticas e sindicais), laborais (reduçom da jornada laboral, incrementos salariais, direito à greve), nos direitos das mulheres (ao voto, aborto, divórcio, igualdade legal), culturais. Simultaneamente, tem lugar um importante incremento da consciência nacional plasmado mo maciço voto afirmativo que permite a aprovaçom em referendo do Estatuto de Autonomia em 28 de Junho de 1936, marcando um fito no autogoverno e na construçom nacional da Galiza.

Perante estes dous processos, o bloco de classes dominante, incapaz de frear, empregando a legalidade da democracia burguesa, as aspiraçons das massas e de assegurar seguir perpetuando a exploraçom e dominaçom do proletariado, dos povos e das mulheres, opta por um golpe de estado, financiando, apoiando e legitimando a sublevaçom militar encabeçada inicilmente polos generais Sanjurjo, Mola, Queipo de Llano e Franco.

Todo o mundo era consciente deste cenário, a “excepçom” do presidente do Conselho de Ministros, Santiago Casares Quiroga. Um mês antes, a 16 de Junho, o líder da direita espanhola, José Calvo Sotelo, deixara bem claro o que ia acontecer. Numha intervençom nas Cortes manifestou “Contra este estado estéril, proponho o estado integral. Muitos chamarám-no fascista, mas se o estado fascista é o fim das greves, o fim da desordem, o fim dos abusos contra a propriedade, entom declaro com orgulho que som fascista. Declaro tolo todo o soldado que perante a eternidade nom esteja pronto a levantar-se contra a anarquia se tal for necessário”.

Fracasso do golpe

Mas a resistência popular provoca o seu inicial fracasso, transformando-se numha guerra de classes que dura três anos. Por um lado o proletariado, a pequena burguesia democrática, um pequeno sector do exército e das forças policiais, o mais lúcido da cultura e da intelectualidade, frente a um exército profissional com sólida experiência militar em guerras coloniais, com o apoio da burguesia e a igreja, e a determinante ajuda militar de Hitler e Mussolini.

Franco declara a rádio Tetuám: “Vós todos, que sentis o santo amor da Espanha, vós todos, que jurastes defendê-la dos seus inimigos até à morte, vós todos, a Naçom chama-vos em sua defesa. O exército decidiu restabelecer a ordem em Espanha”.

Porque a Galiza cai rapidamente sobre o controlo dos militares e organizaçons fascistas

A lentidom das autoridades republicanas em reagir determinou os acontecimentos. Além da imprevisom do governo de Casares Quiroga em evitar o golpe, as suas directrizes iniciais exortavam à inaniçom para nom incomodar o exército e ingenuamente evitar que apoiasse o levantamento.

Umha boa parte do movimento popular aderiu à virtual lealdade dos comandantes militares ao governo, seguindo a opiniom dos Governadores Civis, e das forças políticas republicanas da pequena burguesia que ocupavam a imensa maioria das alcaidias e instituiçons. Assim, seguindo as erróneas directrizes caírom na irresoluçom, na absoluta indecisom e ausência de planos imediatos de intervençom. Nas autoridades pesava, por um lado, a obediência cega a Casares, mas sobretodo o temor à reacçom das massas operárias armadas e movimentadas.

Porém, outro dos galegos determinantes nesses dias, Bibiano Osório Tafall, Subsecretário da Governaçom, sim dá precisas instruçons de armar a populaçom, criar Comités de Defesa da República, patrulhar as ruas, incautar armas, muniçons, explosivos, veículos, e dividir as tropas em diversos aquartelamentos com carácter preventivo.

Mas também, a diferença de Barcelona, Valência, Gijom, ou Madrid, no nosso país manifestou-se pouca audácia por parte das organizaçons operárias para organizar a defesa, e passar à iniciativa ocupando as ruas e os espaços estratégicos (estradas, portos, estaçons do caminho de ferro, aeródromos, concelhos, meios de comunicaçom, edifícios de telefones e telégrafos), requisando armas, explosivos e veículos, realizando detençons de dirigentes e destacados membros das organizaçons da direita, desarmando o fascismo, e atacando os quartéis militares e da Guarda Civil. A fraqueza nas principais cidades galegas das organizaçons revolucionárias no ámbito político e sindical impediu umha maior determinaçom e iniciativa. Agindo com celeridade e energia e aproveitando a colaboraçom de boa parte da tropa, poderia-se ter neutralizado a saída do exército e simultaneamente fornecer-se de armamento ligeiro e pesado essencial para gorar o levantamento militar.

O êxito do amotinamento da armada em Ferrol poderia ter bloqueado os portos, bombardeado os quartéis sediciosos, ou no melhor dos casos ter agido como um poderoso poder disuassório.

Mas, sobretodo, pesou a carência de material bélico adequado (armas de guerra, muniçons, explosivos) para fazer frente a um exército profissionalizado.

A Galiza sim resistiu

Embora seja indiscutível que existiu, e está documentada, umha resistência e importantes combates entre o proletariado e classes populares contra o exército e as organizaçons fascistas, devemos seguir incidindo em desmentir o falso mito de povo manso e conservador que entusiasticamente aderiu ao 18 de Julho segundo as crónicas de Moure Marinho. Aí estám a multidom de operários e labregos, de militantes e simpatizantes da Frente Popular que, procedentes das mais variadas comarcas do País, afluem em direcçom às capitais provinciais para defenderem a República e neutralizar o golpismo. Nom podia ser doutro jeito. Em Fevereiro de 1936 as candidaturas da Frente Popular ganharam as eleiçons. As posteriores maciças manifestaçons do 1º de Maio som outro expoente do desenvolvimento da luita de classes.

Porém, polas razons expostas, o exército golpista e as forças paramilitares falangistas, na maioria das cidades e vilas galegas, começam a controlar a situaçom a partir do dia 20/21. Perdêrom-se, pois, 48/72 horas decisivas para mudar o curso dos acontecimentos. O exército na Galiza nom decide aderir à sublevaçom até o dia 20. Estivo à expectativa, assegurando-se do seu êxito. Mas no dia 27 de Julho, após liquidada a heróica resistência em Tui, a Galiza estava abaixo da bota do fascismo.

Na Galiza nom houvo frente de guerra convencional, sim guerra de extermínio

Os trágicos sucessos da Porta do Sol de Vigo, com mais dumha dúzia de mortes quando o proletariado fai frente à leitura do bando de guerra por parte do capitam Carreró, e a posterior resistência na “Rússia Chica”: Calvário, Lavadores, Teis, Cabral,... com reforços milicianos do Condado e a Lourinha, nom fôrom suficientes para evitar que um dos motores industriais da Galiza caísse sob o controlo do exército e do falangismo.

A mobilizaçom geral da Corunha desde o dia 17, quando as sirenes dos barcos de pesca soam em sinal de alarme, a posterior criaçom do Comité de Defesa da República, a magna assembleia da CNT na praça de touros no sábado 18, a construçom de barricadas e instalaçom de ametralhadoras nas proximidades do Governo Civil, a proclamaçom da greve geral, nom foi capaz de evitar a declaraçom do estado de guerra e a toma dos edifícios estratégicos polo exército. O povo em armas reprega-se para os bairros operários de Monelos, Santa Luzia, os Castros, a Gaiteira, numha desesperada tentativa de neutralizar o golpe. Quando no dia 21 chegam colunas de mineiros e operários de Lousame, Viveiro e Rábade com dinamita, e combatentes de Cambre, Mesia e Carvalho, a Corunha já estava sob as gadoupas da morte.

A queda de Ferrol foi muito significativa, pois concentrava umha considerável parte dos efectivos da armada. No dia 20, os cabos e marinheiros do acouraçado España e outros buques amotinam-se contra a oficialidade, ganhando por horas a frota para a República. Mas o bombardeamento dos navios com hidroavions de Marim força a rendiçom do España e posterior queda da cidade departamental.

Compostela, a capital da Galiza, também cai na madruga do dia 21, quando Bermúdez de Castro, com a ajuda da Guarda Civil, toma o controlo da cidade.

A desesperada tentativa do heróico Tercio de Calo, tentando assaltar o comboio Vigo-Compostela na estaçom de Osebe para incautar o transporte de armas, muniçons e explosivos para o quartel de artilharia, nom tem sucesso.

Ponte Vedra, a única cidade com um presidente da Cámara comunista -Garcia Filgueira- cai no dia 20 após o bombardeamento polo exército da Cámara Municipal e a rendiçom do Governador Civil contra a posiçom maioritária dos dirigentes frentepopulistas que o acompanhavam.

Em Lugo, as autoridades negam-se armar os mineiros de Vilaodriz e os operários de Sárria e Monforte, caindo a cidade no dia 20 após umha fraca resistência que se alarga até o dia 24.

Em Ourense acontece algo similar. No dia 20, as tropas controlam a cidade das Burgas.

Ponferrada também cai a inícios de semana sob o controlo do exército.

Deste jeito, a Galiza “perdeu-se para a República, desangrou-se pola República e foi movimentada contra a República”.

Desde esse momento, começa umha repressom indiscriminada, um genocídio ideológico consistente na eliminaçom física dos dirigentes, quadros e mais conhecidos militantes das organizaçons operárias, dos partidos da esquerda revolucionária e reformista, de sindicalistas, agraristas, nacionalistas galegos, republicanos, mas nom só. O fascismo pretendia aterrorizar, paralisar a resposta popular, evitar a reorganizaçom da resistência, e impor um regime autoritário alicerçado sobre o medo, o pánico e total indefensom, gerando sensaçom de que ninguém estava a salvo de represálias ou mesmo da morte.

Durante 60 anos na comarca de Cela Nova dizia-se de qualquer animal doméstico: está para ir ao Furriolo, como sinónimo de que estava a ponto de morrer. O Furriolo é um monte onde fôrom assassinados dúzias de pessoas polos esquadrons da morte falangistas.

O objectivo era destruir a organizaçom popular dumha sociedade muito articulada, pois a Galiza de 1936 nom era umha massa amorfa e resignada.

O medo e a amnésia continua

Setenta anos depois, esse medo ainda é umha realidade em milhares de pessoas que seguem sem querer falar sobre o Verao do 36 e os anos posteriores. O fascismo logrou durante anos roubar-nos a memória. Agora, a democracia espanhola emanada da reforma do fascismo mediante a monarquia juancarlista imposta por Franco pretende dulcificar, maquilhar, a verdadeira face da longa noite de pedra, mediante a mais vil manipulaçom em livros de texto onde o franquismo nom se define como um regime autoritário e genocida, ou mediante acarameladas e politicamente correctas séries televisivas como “Cuentame como pasó”, onde se transmite umha imagem parcial da vida quotidiana na ditadura.

Umha boa parte das galegas e galegos, sobretodo @s menores de trinta anos, desconhecem estes episódios determinantes da nossa história e responsáveis por boa parte do nosso presente.

Quase ninguém sabe, por exemplo, que enquanto centenas de prisioneiros na ilha de Sam Simom aguardavam a sua execuçom e posterior lançamento dos corpos à ria de Vigo, mal alimentados, carentes de higiene, dizimados pola tuberculose e outras doenças infecciosas, a 26 de Maio de 1939 os nazis desfilárom em Vigo. Seis mil soldados da Luftwaffe e da Wehrmacht, a “Legiom Cóndor”, os mesmos que bombardeárom Gernika, os mesmos que três meses depois invadiam a Polónia, dando assim início a Segunda Guerra Mundial, abandonavam por Vigo a sua decisiva participaçom na vitória franquista. Na despedida, o presidente da Cámara, o fascista Suárez Llanos (apelido presente nos actuais poderes fácticos), que ainda tem o nome dumha rua em Vigo, enviou “afectuosos e fraternais saudaçons de Vigo ao Führer”, recebendo de Von Richstohfen, o comandante alemám, um retrato de Afolf Hitler, enviado expressamente polo marechal Göering como presente à cidade de Vigo.

A repressom nom foi espontánea

Neste país, durante umha longa década, tenhem lugar execuçons maciças, fusilamentos, sacas e passeios, acolhendo-se à lei de fugas.

Mas todo isto nom som excessos do momento, como a historiografia oficial falsamente relata, e nos quer fazer acreditar. Estava planificado e contemplado nos preparativos do general Mola, e teorizado polo fascismo. Nas instruçons enviadas nos dias prévios aos seus subordinados, Mola afirmava sem eufemismos que “a acçom deve ser em extremo violenta para reduzir o antes possível o inimigo, que é forte e está bem organizado”, aplicando “castigos exemplares a todos os directivos de partidos e sindicatos desafectos ao Movimiento” a fim de “esganar os movimentos de rebeldia e greves”.

Um famoso pistoleiro, o capitám González de Aguilera, conde de Alba y Yeltes, pronunciara o seguinte discurso:

Temos que matar, matar e matar (...) A introduçom dos esgotos modernos: antes disto,a gentalha morria de diversas e muito práticas doenças; agora sobrevivem e, claro, som excessivos. (...) a nom existirem esgotos em Madrid, Barcelona e Bilbo, todos estes chefes vermelhos teriam morrido na sua infância em lugar de incitarem a chusma e fazer que se verta o bom sangue espanhol. Quando a guerra findar, destruiremos os esgotos. Em Espanha, o perfeito controlo da natalidade é o que Deus quijo que tivéssemos.

Os esgotos som um luxo que se reservará a quem o merece, aos chefes de Espanha, nom à massa de escravos”.

Isto nom é umha opiniom isolada, é ilustrativa da opiniom da oligarquia, da aristocracia e do clero da época.

O cardeal Isidro Gomá, primaz de Espanha, declarou “Nom pode haver outra pacificaçom que nom seja a das armas, convém extirpar toda a podridom da legislaçom laica”. Monsenhor Diaz Gomara, bispos de Cartagena dijo: “Abençoados sejam os canhons se, nas brechas que abrirem, florir o Evangelho”.

O arcipreste de Burgos, durante a missa cantada afirmava: “O vós, que me escutais!. Vós que vos chamais cristaos!. Nom há perdom para os destruidores das igrejas e os assassinos dos santos padres. Que a sua semente seja esmagada -a má semente-, a semente do demónio. Pois, em verdade, os filhos de Belzebu som também os inimigos de deus”.

A igreja católica na sua prática totalidade apoiou o golpe de estado e definiu como cruzada a guerra civil.

Nesta orgia de sangue, um autêntico holocausto, milhares de homens e mulheres som assasinad@s nos primeiros anos, mas também de forma constante, embora numericamente muito menor, até praticamente o final do regime. A repressom, mediante detençons, torturas, multas, desterros, batalhons de castigo no Sara, estados de excepçom, foi umha constante até o tardofranquismo, e hoje comtinua.

Desconhecemos o número de vítimas

70 anos depois ainda está sem calcular exactamente o número de vítimas. Na Galiza ainda nom se sabe o número aproximado. Os dados historiográficos falam de entre 7.000 e 10.000 mortes, mas podem ser bastantes mais. Como referente comparativo, no Chile de Pinochet, segundo Amnistia Internacional fôrom 3.197 @s mort@s e desaparecid@s entre 1973 e 1990.

A nível estatal, o número de assassinad@s em execuçons políticas sumáriais calcula-se entre 130-150.000 pessoas, dez vezes mais do que a repressom nazi na Alemanha hitleriana e cinco vezes a de Itália de Mussolini. À altura de 1940, no Estado havia perto de 300.000 pres@s polític@s nas prisons, e nos campos de concentraçom já tinham passado por períodos mais ou menos breves perto de 700.000.

A barbárie repressiva tinha umha dupla vertente:

-legal, de julgamentos-farsa.

-paralegal, exercida polso esquadrons da morte faalngistas mediante passeios (valetas), “sacas” e aplicaçom da lei de fugas. Também aplicaçom de torturas, violaçons, maus tratos, todo o tipo de vexames, destruiçom de bens particulares, aniquilamento psicológico de famílias.

D@s milhares de assassinad@s, umha parte ainda estám enterrad@s em valas comuns, desconhecendo-se em muitos casos a sua exacta localizaçom. Enquanto os carrascos, os que combatêrom com os golpistas, fôrom honrados com placas nas igrejas, homenageados com nomes de ruas, com estatuas, e com todo o tipo de reconhecimentos e privilégios, @s perdedores da Guerra que se salvárom do holocausto, tivérom que sofrer repressom, humilhaçons, assédio. Dezenas de milhares de pessoas perdêrom os seus empregos, as suas propriedades fôrom requisidas, saqueadas.

Dezenas de milhares tivérom que escapar, exilar-se para evitarem ser assassinad@s, torturad@s e encarcerad@s.

Como dado esclarecedor da dimensom da repressom, as depuraçons da administraçom, com destaque para o ensino. Tivérom que exilar-se 73 catedráticos e 142 professores universitários. As comissons depuradoras que funcionárom até 1944 estimam em 2.000 o número de mestres que padecêrom algum tipo de penalizaçom, sendo mais de 500 os destituídos e cessados.

A Galiza converteu-se num imenso campo de concentraçom. De momento, estám localizados 15: ilha de Sam Simom, mosteiro de Oia, arsenal de Ferrol, jesuítas de Camposancos (A Guarda), conserveira de Cedeira, mosteiro de Cela Nova, Rianjo, Muros, Betanços, Corunha, Labacolha, Póvoa de Caraminhal, Courel, Figueirido.

Que se passou na Galiza a partir do Verao do 36?

O franquismo supujo a ruina da economia galega e a completa destruiçom da sociedade civil. Durante a guerra, o país converteu-se em “despensa e criadeiro” do exército fascista.

A produçom agropecuária foi desviada para a frente, provocando as fames que qualquer d@s noss@s familiares lembra. A indústria naval, metalúrgica, têxtil, alimentar foi adaptada às necessidades militares, embora esmorecesse após o final da guerra. A populaçom camponesa tivo que padecer a requisiçom de gado e produçom agrária.

Umha boa parte da juventude foi movimentada obrigatoriamente para o exército fascista, convertendo-se em carne de canhom da oligarquia.

Galiza perdeu o melhor, o mais dinámico da sua juventude, intelectualidade, quadros políticos e sindicais, profissionais, cientistas. E, 70 anos depois, ainda estamos padecendo esta autêntica hecatombe.

O empobrecimento do país foi brutal. O nível de renda do ano 36 nom se atingiu novamente até meados da década de cinqüenta.

Se em 1930 a agricultura e a pesca absorviam os 65.3% da mao de obra, trinta anos depois este número nom só diminuiu, como sucedeu em todos os países da sua área, senom que em 1960 incrementara até os 67.8%.

O sector serviços, um bom expoente do desenvolvimento, ocupava 20% dos trabalhadores/as, passando para 16.2% em 1960. No mesmo período, a indústria e construçom só cresceu 1.3%.

O número de professorado primário público era de 6.502 em 1935 e de 6.545 vinte anos depois.

O número de habitantes por escola pública era de 395 em 1930 e praticamente os mesmos em 1955 (398).

Entre 1950 e 1970, emigrárom da Galiza 470 mil pessoas.

Foi proibido o idioma e marginalizada a nossa cultura.

Parte da Galiza continuou a luita contra o fascismo e pola vitória operária

Milhares de jovens passárom para a zona republicana empregando os mais variados mecanismos.

Já em Julho, por iniciativa do PCE, concretamente de Santiago Álvarez, nascem em Madrid as Milicias Gallegas, entrando em combate em Talavera de la Reina, e desde Outubro integrando-se no V Regimento, I e II Brigadas Mistas, 11 Divisom, V Corpo do Exército, com nomes tam conhecidos como Henrique Lister, José Gomes Galhoso, Manuel Castro Rodrigues, Outeiro Espasandin, etc.

Na batalha do Ebro José Garcia, capitám do 4º Batalhom Galego, afirmou num parte oficial de guerra: “Avançamos 500 metros em direcçom à Galiza”.

Dúzias de marinheiros e suboficiais galegos salvárom para a República umha boa parte da armada, logo de se amotinarem em Cartagena e em diferentes pontos do litoral.

Centenas de milicianos galegos luitárom nas Astúrias. Na frente norte articulárom-se unidades do Exército Popular Republicano compostas por galegos: Batalhom Celta da CNT no País Basco, Galicia, também da CNT nas Astúrias.

Também na frente cultural foi muito importante a contribuiçom galega, destacando os álbuns de guerra de Castelao (Atila en Galicia, Galicia mártir, Milicianos) denunciando a escala internacional a repressom sobre o povo trabalhador, mas também a obra gráfica de Arturo Souto e Cándido Fernandes Mazas nas publicaçons poumistas.

Rafael Dieste e Lourenço Varela percorriam a frente enquadrados em Milicianos da Cultura animando, alfabetizando, enriquecendo os combatentes.

Dúzias de publicaçons contárom com colaboraçons de artistas, escritores e intelectuais galegos (Mono Azul, Galicia Libre, Galicia Roja).

Responsabilidades académicas na amnésia

A história mais recente da Galiza, a de praticamente metade do século XX, segue sendo incómoda para a historiografia oficial, entendida esta como aquela que se elabora nos centros académicos (basicamente universidades, mas nom só), que optou simplesmente por ignorá-la, evitando dedicar recursos humanos e meios económicos a estudar, analisar e recuperar os episódios históricos mais determinantes na hora de podermos entender parte das coordenadas socio-políticas que seguem agindo no presente.

Os departamentos de contemporánea das faculdades de História, durante as três décadas posteriores à morte de Fanco, salvo contadas excepçons individuais, nada quigérom saber sobre a II República, o levantamento fascista, a repressom, a resistência militar e política, os demolidores efeitos sobre o conjunto da Naçom e basicamente sobre as suas classes populares, na destruiçom das conquistas sociais, laborais, democráticas, das mulheres, de recuperaçom da cultura e do idioma, nas liberdades, em definitivo, sobre o gigantesco retrocesso que supujo a Guerra e o posterior regime autoritário.

Perdêrom-se os irrecuperáveis testemunhos orais de centenas de homens e mulheres que tinham participado activamente na resistência e padeceram nas suas carnes a repressom em forma de marginalizaçom, isolamento, prisom e exílio.

Nada se fijo da torre de marfim para recuperar, ordenar, classificar, enfim, preservar a valiosa documentaçom que sistematicamente foi destruída por ordem dos primeiros governos de Adolfo Suárez e por todos aqueles interessados em suprimir as pegadas do passado, agora reconvertidos em democratas de toda a vida.

Há uns anos, um pedreiro confessou-me que, quando participava nas obras de condicionamento das actuais instalaçons autonómicas de Sam Caetano, a inícios da década de oitenta, já com o PSOE no Governo espanhol, o capataz apanhou-no entre um grupo de operários, para deitar abaixo umha falsa parede que, perante a sua surpresa, ocultava os papéis “comunistas da Guerra” seguindo as suas palavras. Após umha série de perguntas, cheguei à conclusom que ali estavam ocultos umha parte dos arquivos e da documentaçom das organizaçons proletárias, políticas e sindicais de Compostela, incautadas em 1936 polos falangistas, e empregadas para exercer a repressom. Embaladas em caixas, fôrom introduzidas pola noite em camions e conduzidas nom se sabe aonde. Com total segurança, à sua definitiva destruiçom. Estávamos em 1983 ou 84.

Seguindo as directrizes da falaz reconciliaçom, dessa atmosfera de autocensura imposta pola perversa lógica da Transiçom, os recintos académicos, as forças sindicais e políticas com meios e capacidades, adiárom sine die, optárom por deixar que o tempo passasse para abordar, insisto, a etapa histórica mais importante da Galiza, sem a qual nom podemos compreender na sua justa medida o presente: porque somos um país com tam baixa consciência nacional, porque o nosso movimento operário está tam desmobilizado, porque o nacionalismo galego se submeteu aos interesses do capitalismo espanhol, porque renunciou a reclamar o direito de autodeterminaçom, porque temos umha esquerda tam acomplexada e domesticada, porque a esquerda independentista nom logrou atingir umha dimensom de massas.

À altura de 2005, nom existe, salvo o estudo do investigador alemám Harmut Heine (1980) um trabalho global sobre a guerrilha, nom existem trabalhos de investigaçom sobre a repressom a escala nacional, sobre os efeitos da ditadura na populaçom civil, até o ponto de que segue sendo umha incógnita o número exacto de fusilados e assassinados polo franquismo entre 18 de Julho de 1936 e 1975, tam só por citar dous exemplos. O magnífico e recente livro de Carlos Velasco abre o caminho a seguir.

De inícios da década dos oitenta temos dúzias de trabalhos de investigaçom locais e comarcais que abordam este fenómeno. Porém, ainda nom é factível um diagnóstico global dos sucessos. Até há muito poucos anos, abordar esta investigaçom era um autêntico calvário. Os arquivos militares, da Guarda Civil, dos Governos Civis, e de outras instituiçons, estavam vetados. Era praticamente inviável aceder aos fundos, à documentaçom, e quando, após ter superado mil e um obstáculos burocráticos e administrativos, se contavam com as autorizaçons pertinentes, os funcionários que gerem e custodiam a documentaçom também contribuiam para dificultar o acesso.

Há que negar o passado, evitar que se conheça, impedir por todos os meios que se transmita de geraçom para geraçom, até atingir um estado de opiniom generalizado caracterizado polo esvaecimento de referentes próprios, em que as novas geraçons perdam a sua própria identidade colectiva: a língua, a cultura, a consciência de classe, de género e, como nom, desconheçam o seu passado.

Nestes trinta anos, tenhem sido dúzias @s historiadores desprezad@s pola torre de marfim que tenhem contribuido para recuperar esse passado. Dúzias de estudos a escala local ou comarcal, biografias sobre guerrilheiros, líderes políticos, sindicais, agrários, tenhem avançado na recuperaçom dessa história negada ou menosprezada. As ediçons de A Nosa Terra, e basicamente a existência de Ediciós do Castro tenhem sido determinantes para sacar à luz tanto esforço, todo aquilo que as grandes editoras nom queriam meter no prelo.

A perversa lógica da Transiçom

O vergonhoso acordo político que reformou o franquismo na actual “democracia espanhola”, a Transiçom, selou-se sobre um novo pacto de silêncio, fazendo tábua rasa do passado. Parte das principais forças da resistência antifranquista participárom nesta farsa histórica que hoje padecemos.

Eis umha segunda explicaçom para entender porque a juventude galega, e nom só, nom saiba quem é Henriqueta Outeiro, Benigno Álvares, Luís Souto, Fuco Gomes, Joám Jesus Gonçáles, José Gomes Galhoso, António Seoane, Soares Picalho, Henrique Lister, Pepe Velo ou milhares de nomes menos conhecidos, de mulheres e homens anónimos, que padecérom a repressom fascista, ou mantivérom durante décadas aceso o facho da liberdade nos montes, nas serras, nas fábricas, nas oficinas.

Nesta densa maranha de ocultaçom e manipulaçom, também cumpre denunciar como os esforços realizados polo nacionalismo institucional nas três últimas décadas à hora de recuperar este passado que nos roubárom, está completamente sesgado, ao sobrevalorizar só as figuras do galeguismo como vítimas da repressom e motor da resistência.

O Dia da Galiza Mártir é umha data excluente, está personificado em Alexandre Bóveda, cujos méritos obviamente nom vou negar, fusilado na Caeira 17 de Agosto de 1936, quando o lógico seria que estivesse simbolizado noutro dirigente que representasse as correntes políticas sobre as que se cebou o fascismo, ou muito melhor, numha data em que se tivessem realizado aniquilaçons colectivas que ainda hoje seguem sendo em muito casos anónimas.

Ou no caso de Compostela em Ángelo Casal, militante galeguista e demissionário presidente da Cámara na altura de Julho de 1936, quando todo o mundo se esquece de José Areosa Devesa, também passeado na noite do 18 a 19 de Agosto, e cujo corpo estava a caróm de Casal em Cacheiras.

Mas porque se homenageia só o Ángelo e nom Fernando Domíngues Caamanho, José Germam Fernandes, Rafael Frade Pena, Manuel e José Maronho Calvo, Rafael Pardo Carmona, Modesto Pasim Noia, Francisco Ponte Cés, Luís Rastrolho González, todos eles fusilados numha das paredes do cemitério de Boisaca 3 de Dezembro de 1936?

O nacionalismo-galeguismo, em 1936, era umha corrente minoritária, com pouco peso na Frente Popular e praticamente sem influência e apoios no seio do proletariado e conjunto das massas trabalhadoras. Sim entre sectores das classes médias, entre a pequena burguesia funcionarial e comercial.

E, após 18 de Julho, opta por nom participar na resistência armada organizada, que durante umha longa década tivo em xeque o regime franquista, prolongando a guerra que nom acabou a 27 de Julho de 1936 com a conquista de Tui, senom que se dilatou de forma organizada até inícios da década de cinqüenta.

Porém, continuárom resistências individuais heróicas como a de José Castro Veiga “O Piloto” que, simbolicamente, como consciência viva da resistência galega, prolongárom a continuidade da luita até 10 de Março de 1965 quando cai abatido pola Guarda Civil à beira da barragem de Belesar, ou posteriormente Ramón Rodrigues Varela, conhecido como O Curujás, combatente de Palas de Rei encontrado morto perto de Toques em Dezembro de 1967. Mas o último guerrilheiro foi Mário Rodrigues Lousada, Mário de Langulho, quem logrou abandonar a Galiza no Natal de 1967, refugiando-se em França.

Porque os governos municipais do BNG em solitário, ou em coligaçom com o PSOE, ou do PSOE-IU, em vilas e nas grandes cidades, nada figérom para retirar estátuas, bustos, placas, cruzes, símbolos falangistas?. A cobardia, os complexos, as limitaçons genético-estruturais, a sua deriva e submissom à lógica da Transiçom, tem provocado que em cidades como Ferrol, Vigo, Compostela ou Lugo sigam presentes mastodônticos símbolos fascistas homenageando os carrascos e a sua repressom.

Porque os estudos e a denúncia emergente da repressom se circunscreve unicamente às etapas mais duras das duas primeiras décadas do franquismo?, passando por alto, ou introduzindo um corte histórico entre os passeados e fusilados entre 1936 e fins dos quarenta, e os assassinatos de Amador Niebla e Daniel Rei em Março do 72 em Ferrol, de Chema Fontes em Compostela a 2 de Dezembro desse mesmo ano, o assassinato de Moncho Reboiras a 12 de Agosto em Ferrol, e posteriormente os fusilamentos dos vigueses José Humberto Baena Alonso e José Luís Sanches Bravo Solha a 27 de Setembro do 75?

Semelha que os importantes esforços e avanços na recuperaçom a escala local, sobre casuísticas concretas, é mais fácil de realizar intervindo nos três anos da Guerra Civil, na obscura década de quarenta e primeiros anos cinqüenta, que já na etapa que se abre na segunda metade do século. O regime tinha realizado as necessárias adequaçons para sobreviver e perpetuar-se, mas nom tinha abandonado o seu profundo carácter autoritário e terrorista.

Obviamente o PCE, -de 1968 PCG-PCE-, tampouco estivo, nem realmente está interessado em recuperar a verdadeira história dessas décadas, porque reivindicar a resistência armada nos primeiros dias do golpe militar e posteriormente a transformaçom do espontaneísmo e lógico instinto de sobrevivência dos milhares de fugidos na serôdia estruturaçom em unidades militares do Exército Guerrilheiro de Galiza, da “Federaçom de Guerrilhas de Galiza-Leom”, é reconhecer as suas responsabilidades na desmobilizaçom e liquidaçom da guerrilha, e questionar a posterior estratégia pactista da “reconciliaçom nacional” que acabou no pacto carrilhista com o sector liberal do regime entre 1974-81, atraiçoando a ruptura democrática e o exercício do direito de autodeterminaçom.

O PCE é o grande responsável polos graves erros tácticos e estratégicos político-militares cometidos na Galiza entre 1936-39. Como a força mais importante no novo Estado republicano após o 18 de Julho, tinha que ter sido capaz de organizar o imenso potencial humano que nessa etapa concreta podia ser determinante para converter a Galiza num inferno para as forças fascistas, em vez de abandoná-la à sua sorte, como retaguarda segura fornecedora de materias primas, mantimentos, armas, para a vitória de Franco, como laboratório experimental dos esquadrons da morte falangistas, dos campos de concentraçom, na imposiçom do terror indiscriminado.

A nova esquerda independentista, desde a sua reconfiguraçom a finais da década de noventa do século passado, sempre emprestou grande importáncia à recuperaçom da memória histórica do nosso Movimento e dos sectores e movimentos rebeldes do conjunto do País, recuperando o nosso passado, os nossos referentes históricos, também ocultados ou menosprezados pola historiografia oficial do BNG. Os livros da Abrente Editora, as palestras, as jornadas organizadas polas diversas entidades do MLNG som modestos testemunhos deste esforço incompleto, do que ainda fica muito por fazer, mas em que levamos anos trabalhando.

Como parte dum movimento revolucionário, com uns objectivos políticos que nom se ajustam às dinámicas eleitorais da II Restauraçom Bourbónica, nem à política espectáculo da alternáncia partidista, como movimento socialista, portanto anticapitalista, independentista, mas também antipatriarcal, considero necessário nom repetir idênticos erros na hora de recuperar a memória fazer o mesmo que os diversos reformismos, sejam de ámbito nacional (BNG) ou estatal (PCE-IU): maquilhar o passado para justificar as trajectórias e as renúncias do presente, ou só recuperar umha parte do mesmo, aquela mais digerível ou mais semelhante ao que somos ou pretendemos ser.

As V Jornadas Catoira na História realizadas no Verao de 2002, dedicadas à Guerrilha antifranquista na Galiza; o I e II Congresso da Memória desenvolvido em Narom e Oleiros em Dezembro de 2003 e 2005 respectivamente, a exumaçom de desaparecidos em Priarança em Outubro de 2000, a posterior criaçom da Associaçom para a Recuperaçom da Memória Histórica (ARMH) meses depois, tenhem sido fundamentais para o espectacular impulso que se esta dando em todo o País.

Movimento popular e iniciativas da Junta da Galiza

Devemos evitar que a reivindicaçom deste passado seja novamente seqüestrada na gaiola de ouro das instituiçons. É necessário que a Junta da Galiza e as instituiçons colaborem com recursos económicos nesta tarefa, é positivo que este ano fosse nomeado ano da memória; que na Ilha de Sam Simom se construa um centro de estudo da repressom; mas cumpre sermos precavid@s, manter umha lógica desconfiança sobre o verdadeiro papel, objectivos, e limitaçons das instituiçons autonómicas e estatais na recuperaçom da memória histórica da repressom fascista na Galiza.

Seria um grave erro que o movimento popular delegasse nas instituiçons herdeiras do regime umha tarefa que deve estar dirigida polo movimento popular.

Porém, a orientaçom deste rico e heterogéneo associacionismo que tem logrado situar as grandes vítimas do franquismo na cena pública: @s represaliad@s e desaparecid@s, tem que ser capaz de combinar a necessária reivindicaçom da dívida que o Estado espanhol tem com @s vítimas do franquismo, mediante umha reabilitaçom moral e política, além dumha recompensaçom económica, com umha série de medidas políticas que na sua imensa maioria estám recolhidas nas conclusons do I Congresso da Memória:

-Retirada da simbologia franquista substituindo os nomes das ruas e praças polas vítimas.

-Devoluçom do património às entidades afectadas polo golpe militar.

-Financiamento de todos os trabalhos de investigaçom em curso e criaçom dumha Instituto público responsabilizado de coordenar a investigaçom no ámbito nacional.

-Exigir da igreja católica um reconhecimento público das suas imensas responsabilidades na repressom farnquista.

-Anulaçom de todos os julgamentos e condenas realizadas no franquismo.

Mas também nom devemos, em aras dumha nova e portanto falsa reconciliaçom, assumir novamente o discurso de “evitarmos revanchismos”, “remexerrmos um passado que já nom tem volta atrás”, seguir ocultando, ou seja protegendo do escárnio público, os assasssinos, dando a conhecer os nomes dos carrascos: falangistas, guardas civis, polícias, funcionários, juízes, responsáveis políticos e da administraçom, empresas, envolvidas em crimes de lesa humanidade.

@s assassin@s devem pagar as suas culpas. Recolhemos um fragmento da carta enviada por José Gomes Galhoso e António Seoane, Secretário Geral do PC na Galiza e Chefe militar do Exército Guerrilheiro da Galiza respectivamente, dirigida ao movimento guerrilheiro poucos dias antes da sua execuçom na Corunha mediante garrote vil 6 de Novembro de 1948:

“...Os malandros que tantos crimes e atrocidades cometem, nom se resignam a desaparecer. De que estám perdidos, estám eles bem seguros. Por isso a raiva e a cobardia do que se vê perdido, a desafogam nos que caem nas suas gadoupas. Mas fracassárom e fracassarám mil vezes; pronto morderám o pó da derrota e Galiza, esta terra mártir e heróica em que nascemos e pola qual gostosos damos a vida, verá brilhar o sol da liberdade e da verdadeira justiça de monte a monte e de mar a mar. Quando esse dia chegar, que chegará pronto, só vos pedimos que nom vos domine o espírito da vingança; mas fazei justiça, nom esqueçais, nem perdoeis aos carrascos do nosso povo”.

O regime emanado do 18 de Julho de 1936, e todas as forças políticas e sindicais que de algumha maneira tenhem colaborado com a sua continuidade, a actual democracia espanhola, som responsáveis pola ocultaçom do nosso passado e do estado de amnésia colectiva que envolve amplos sectores do nosso povo.

Chegou o momento de superarmos esta terrível realidade, sem sectarismos e sem nos submetermos aos interesses tartufistas do politicamente correcto.

 

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Acçom simbólica antifascista na Corunha, dentro da campanha de NÓS-UP contra a permanência da iconografia do franquismo na Galiza