Galiza representa dous terços da superfície queimada no Estado, mas as instituiçons só acusam "pirómanos" e "fortes ventos"

12 de Outubro de 2006

A ministra espanhola do Ambiente, Cristina Narbona, reconheceu que a Comunidade Autónoma da Galiza é o território do Estado espanhol mais afactado polos fogos neste ano, com 92.941,03 hectares queimadas. As 73 pessoas detidas desde Agosto nom servírom, segundo a própria ministra, para esclarecer as verdadeiras causas que explicam as dimensons dos incêndios florestais na Galiza, umha vez que os incêndios superárom em número os dous milhares, só na primeira quinzena do mês de Agosto.

Percentualmente, 67% do território queimado no Estado espanhol a 1 de Outubro ficava dentro do território autonómico galego, ao qual haveria que acrescentar a superfície que também ardeu abundantemente nas comarcas galegas do Návia-Eu, Vale do Íbias, Berço, a Cabreira e Seabra.

A própria Guarda Civil espanhola detectou durante a vaga de incêndios do passado mês de Agosto umha sofisticaçom e sistematicidade sem precedentes, mas nos últimos dias mudou o seu diagnóstico, descartando através da sua Unidade Central Operativa (UCO) qualquer rede de interesses ou trama criminosa.

O mesmo fijo o Serviço de Protecçom da Natureza adscrito ao mesmo corpo armado espanhol na Galiza, atribuindo ainda os fogos a conflitos familiares e vinganças pessoais.

As "tramas" ficam esquecidas

Mais umha vez, todo fica reduzido a um impossível número de doentes mentais que dedicam os veraos a atear fogos, desta vez, isso sim, em áreas próximas da núcleos habitados e em terrenos susceptíveis de serem requalificados para favorecer a especulaçom urbanística. É só vermos um mapa com as áreas mais afectadas polos fogos, ao longo da faixa atlántica galega, para comprovarmos esse facto.

O comportamento das sucessivas administraçons autonómicas nos últimos 25 anos está a ser a mesma, entre a incompetência e a toleráncia com os poderosos interesses que subjazem, perante um fenómeno só explicável a partir da lógica do lucro capitalista como critério económico fundamental, quer no sector da madeira, quer no urbanístico ou no desprezo do monte como meio de vida e fonte de riqueza social.

De facto, tal como em anos anteriores, umha vez ultrapassada a crise imediata, a Conselharia do Meio Rural, ao contrário do que tinha anunciado, nom reuniu os sectores sociais interessados em fazer frente ao problema, nem apresentou um plano integral para o monte galego que acabe com décadas de eucaliptizaçom e abandono. Tampouco em matéria urbanística houvo ainda medidas que cortem de raiz a especulaçom com os terrenos.

Claro que, nada disso acontecerá se, como nos dim a Guarda Civil e os governos, todo foi obra unicamente do conluio entre os "pirómanos" e os "fortes ventos".

 

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