Bush autorizará neste mês o magnicídio contra Hugo Chávez

24 de Setembro de 2006

Quando os povos do mundo ainda celebramos o contundente discurso anti-imperialista do presidente venezuelano na sede mundial da ONU, em território estado-unidense e perante representantes desse Estado criminal, o analista político Heinz Dieterich alerta contra a vingança que sem dúvida está a maquinar o império ianque contra o líder da Revoluçom Bolivariana.

Para quem ainda nom tiver visto e ouvido a intervençom de Hugo Chávez diante do plenário da ONU, recomendamos assistir aos 9,19 minutos que dura este resumo. A nom perder, acredita:

Agora, é a altura de lermos a análise proposta por Heinz Dieterich:

 

Bush autorizará neste mês o magnicídio contra Hugo Chávez

Heinz Dieterich

 

1. O preço do discurso anti-diabólico

O discurso de Hugo Chávez na ONU foi a culminaçom de umha magistral política internacional vanguardista que converteu George Bush no pária da instituiçom mundial. O preço deste espectacular êxito -que nom se entenderia sem a proverbial audácia do Comandante Fidel Castro- é a autorizaçom do magnicídio por parte da Casa Branca

2. Mudança estratégica: da involuçom institucional ao assassinato político

Tratando-se de um governo fascista, a base jurídica do assassinato nom será a habitual fórmula oral usada no executivo estado-unidense para tais fins, "to get rid of him", mas umha "top secret presidential finding", quer dizer, umha ordem executiva secreta de Bush. Mais provável ainda é a utilizaçom de substitutos (proxies), por exemplo, os esquadrons da morte dos serviços secretos israelitas que assassinam habitualmente cidadaos "inimigos" noutros países.

A decisom do magnicídio constitui umha mudança na estratégia da Casa Branca, empregada desde 2003, que optava por umha guerra de desgaste mediática e política para involuir osistema e substituir o presidente pola direita da Nova Classe Política (NPC). Essa estratégia gradativa tencionava capitalizar as fraquezas internas da Revoluçom e evitar umha guerra civil na Venezuela, que se desencadearia inevitavelmente com um assassinato do popular presidente.

Nom repetir a seqüela do magnicídio do líder colombiano Jorge Eliécer Gaitán, no país mais rico em petróleo do mundo, a Venezuela, era a palavra de ordem da Casa Branca desde o fracasso do golpe petroleiro de 2002-3. No entanto, a incessante ofensiva diplomática mundial e latino-americana de Hugo Chávez atingiu o ponto de nom retorno, ao ameaçar já nom apenas a Doutrina Monroe, mas também o "Destino Manifesto" do império, que rege a sua política mundial desde há dous séculos. É o equivalente do Decreto de "guerra a morte" de Bolívar contra o Império Espanhol, há 193 anos.

3. Como conseguir o assassínio e evitar a resistência popular?

A mudança da estratégia estado-unidense -conter (containmente policy) Cuba e Venezuela, enquanto é quebrado o elo mais fraco da cadeia, a Bolívia- em direcçom ao magnicídio, tem de resolver o perigo da explosom social. O cálculo da Casa Branca é que pode evitar umha longa guerra civil, desde que o assassínio pareça umha morte natural ou um acidente. O modelo a seguir é o bem sucedido envenenamento do presidente palestiniano Iassir Arafat.

Em Setembro de 2003, o gabinete de segurança israelita fijo pública a sua intençom de assassinar Arafat. Ao ser gerado um debate público sobre tal projecto, o vice-primeiro-ministro israelita na altura, Ehud Olmert, afirmou que o assassinato do presidente Arafat era considerado um método "legítimo". "A questom é de que maneira é que se acaba com Arafat", dixo o segundo homem do Estado israelita: "A expulsom é umha opçom. O assassinato é umha outra possibilidade". O problema de que se Israel aplica a opçom da eliminaçom de Arafat, "nom é um assunto de moral, mas de sabermos se é prático ou nom".

Após aquela operaçom tam bem sucedida: duvidarám um só segundo que seja os presidentes fascistas Ehud Olmert e George Bush, de que é altamente "prático" e "legítimo", "deslocar… o obstáculo à paz", quer dizer, à paz petroleira e terceiro-mundista, que é Hugo Chávez?

4. A grande ofensiva de Hugo Chávez descobriu perigosamente a sua retaguarda

Com toda a audácia e o êxito da ofensiva do presidente, nom deixa de reactivar memórias da grande ofensiva de Napoleom sobre Moscovo. Napoleom apenas olhava para a frente, sonhava com umha guerra-relámpago (Blitzkrieg) decisiva, facto polo qual nom construiu umha retaguarda capaz de deter umha eventual contra-ofensiva dos russos. Quando esta se verificou, destruiu-no por completo.

A perigosa dispersom das forças bolivarianas na Venezuela apresenta um cenário semelhante. O movimento sindical "bolivariano" está dividido em, no mínimo, quatro grandes correntes. As forças políticas do oficialismo "bolivariano" assentam sobre três grandes partidos. Os camponeses tenhem, ao menos, duas grandes agrupaçons. O sector popular nom está organizado numha estrutura nacional integral, como em Cuba, por exemplo. A consolidaçom do Projecto Bolivariano nas Forças Armadas requererá, no mínimo, dous a três anos. Os meios de comunicaçom bolivarianos tenhem escassa eficiência e muitos ministérios estratégicos do Estado som ineficientes; em parte, porque nos últimos três anos substituírom até seis vezes (!) os ministros e vice-ministros, tornando impossível umha gerência estatal de qualidade.

A dispersom quantitativa das forças "bolivarianas" agrava, porque muitas tenhem o hábito do uso faccioso do poder, que converte em secundário o interesse da Revoluçom e da Pátria. Hugo Chávez quer remediar este mal político no próximo ano, mediante a formaçom de um Partido Único, e o ministro William Lara pretende converter o Canal 8 num canal de notícias de 24 horas, do género da CNN. Nom sabemos se vam consegui-lo, porque por enquanto o Estado nom foi capaz de desenvolver um sistema de detecçom de revolucionários para os postos de comando intermédio e a vanguarda, que o futuro do processo requer.

Ir ao confronto directo com a maior potência do mundo e os seus cúmplices da Uniom Europeia, nestas condiçons, só será vitorioso, se se tiver o talento e a sorte de Alexandre o Grande. Ou entom, que se estenda o espírito, o trabalho e a capacidade gerencial vanguardista nom só na frente de batalha visível, como também no Calcanhar de Aquiles da Revoluçom.

 

 

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