Emotiva homenagem às vítimas do franquismo em Trasancos

25 de Agosto de 2006

Ontem decorreu a terceira e última jornada das previstas pola comissom criada na comarca de Trasancos para lembrar as centenas de represaliadas e represaliados durante o golpe de estado de 1936 e nas quatro décadas seguintes.

Nos dias anteriores, palestras, testemunhos de familiares de vítimas e outros actos de homenagem rendêrom memória às melhores filhas e filhos de umha geraçom, a que pedeceu directamente o extermínio fascista, nomeadamente na segunta metade da década de trinta, mas nom só.

A comissom "Ferrolterra: a nossa memória", em que participárom militantes da esquerda independentista na comarca trasanquesa junto a outros sectores populares, denunciou a falta de colaboraçom da Igreja católica, que tentou impedir que se colocassem duas placas comemorativas nos terrenos dos cemitérios de Serantes e Canido, em Ferrol. Contodo, as placas fôrom instaladas sem permissom da hierarquia católica. Tampouco o concelho de Ferrol, governado polo PP e IF, apoiou nem participou nos actos de desagravo antifranquista.

No lugar exacto em que mais pessoas fôrom fusiladas entre 1936 e 1939 na comarca trasanquesa, um dos muros do castelo de Sam Filipe, decorreu umha emotiva homenagem ontem mesmo, com a assistência de umhas duascentas pessoas.

Depois de um percurso de barco através da ria, partindo do cais de Corujeiras até o próprio castelo, poetas da comarca e de outros pontos da Galiza recitárom poemas de lembrança e músicos e músicas interpretárom peças em homenagem às vítimas do franquismo. O historiador Bernardo Maiz foi o encarregado de conduzir o evento.

Lembrança de Amada Garcia

A seguir, lembrou-se a figura da militante comunista Amada Garcia, jovem de 27 anos presa durante a gravidez e assassinada ali mesmo em 1938, ao pouco tempo de dar a luz, num caso semelhante ao padecido quatro anos mais tarde pola comunista alemá Olga Benário, detida também grávida e morta nas cámaras de gás nazis logo a seguir ao parto da sua filha, como aconteceu à revolucionária mugardesa, fusilada em Sam Filipe.

No caso da militante comunista galega, o seu filho, Gabriel Toimil Garcia, estivo presente no emocionante acto de ontem, em que fôrom lidos os nomes dos principais denunciantes da mae, com destaque para o fascista local mugardês Manuel Vasques Farinha (Vázquez Fariña, na versom espanholizada dos apelidos).

Tal como também aconteceria em 1942 com Olga Benário, o filho de Amada Garcia foi entregado em 1938 polos fascistas à família. Gabriel Toimil narrou como o seu pai e o seu avô ouvírom os disparos que assassinavam Amada, enquanto atravessavam a ria num barco para levar o neno desde a prisom militar até Mugardos.

Como encerramento do acto, em que participou umha representante da Conselharia da Cultura, foi descoberta umha placa e cantou-se o nosso Hino Nacional.

Controlo policial

Como dado significativo que nos foi comunicado por participantes no acto, assinalamos que polícias espanhóis ocultos num carro camuflado observárom e controlárom a chegada d@s participantes a umha actividade que, polo que se vê, continua a ter qualquer cousa de "subversiva" para as autoridades do Ministério do Interior espanhol.

NÓS-UP, que apoiou as jornadas antifranquistas de Trasancos, oferece no seu web nacional mais informaçons e umha galeria de imagens do acto antifascista de Sam Filipe.

 

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Vista parcial do acto de homenagem no castelo de Sam Filipe. Ao fundo, o muro em que fôrom fusiladas centenas de pessoas polos militares fascistas
Placa descoberta ao pé do muro em que se realizavam os fusilamentos, e que ainda conserva as marcas dos impactos de bala sobre a sua pedra