Um milhar de pessoas exigem "responsabilidades" em Vigo

24 de Maio de 2006

Por volta de 1.000 pessoas participárom na manifestaçom unitária convocada polas centrais sindicais em relaçom à brutal carga do dia 8 de Maio, durante a greve do metal, atrás de umha faixa que dizia "exigimos responsabilidades". Longe da participaçom e animaçom das mobilizaçons durante a greve, a marcha de ontem discorreu em silêncio e careceu de qualquer tensom reivindicativa.

Representantes sindicais reclamárom que os excessos policiais "nom fiquem impunes" e que no futuro nom haja novas actuaçons repressivas "com umha contundência própria doutras épocas".

Todo indica que o conto morrerá por aí, e que os máximos responsáveis pola violência institucional contra os trabalhadores e trabalhadoras, Manuel Ameixeiras (delegado do Governo espanhol na Galiza) e Delfín Fernández (subdelegado do Governo espanhol na província de Ponte Vedra) continuarám nos seus cargos.

Participaçom e exageros

Em relaçom à participaçom, as centrais convocantes "calculárom" um número totalmente irrealista, como é habitual e já pudemos comprovar recentemente na manifestaçom convocada polas forças normalizadoras pró-estatuto no passado 17 de Maio. Se naquela ocasiom a Mesa chegou a falar de 20.000 pessoas e a CIG de 10.000 (repare-se na diferença), quando na realidade nom ia além das 5.000 pessoas, desta vez a CIG fala também no seu web de 7.000 pessoas na manifestaçom antirrepressiva de ontem, num absurdo cálculo muito afastado dos dados reais.

Para além de outras consideraçons que puderem ser feitas, trata-se de um velho costume de certa esquerda, sem mais sentido, no melhor dos casos, que o auto-engano por parte de quem o pratica.

Posicionamento de NÓS-UP...

NÓS-Unidade Popular aderiu à manifestaçom antirrepressiva de ontem em Vigo, repartindo umha folha volante em que exige a demissom dos responsáveis políticos e avalia que podia ter sido conseguido um convénio melhor, em funçom da força e combatividade dos milhares de operários que participárom na luita. O folheto da organizaçom independentista e socialista pode ser consultado na íntegra no seu web nacional.

... e de um grupo de trabalhadores participantes na greve

Também um grupo de trabalhadores participantes na greve e na manifestaçom de ontem, distribuiu umha "Carta aberta ao proletariado do metal", em que se analisa o desenvolvimento da greve, e que foi remetida ao nosso portal. Apresentamo-la como mais um contributo em relaçom com a luita metalúrgica no sul da Galiza durante o último mês:

Carta aberta ao proletariado do metal

Um grupo de trabalhadores, jovens operários do metal do sul da Galiza, queremos fazer chegar aos/às noss@s companheir@s de classe umha série de reflexons e propostas, a respeito da greve que durante nove dias realizamos, assim como a necessidade de aprofundar na luita organizada polos nossos direitos e contra a exploraçom capitalista.

1º- A brutal precariedade que se impujo no sector coincide com umha fase de expansom e explendor da indústria metalúrgica. O empresariado do metal está acumulando enormes benefícios à custa da sobre-exploraçom a que nos submete. Contratos temporários, baixos salários, ausência e incumprimento da legislaçom laboral sobre segurança, centenas de feridos e mortos em acidentes, imposiçom de horas extras, carência dos mais elementares direitos laborais e sindicais, som algumhas das principais características do nosso sector.


2º- A greve indefinida iniciada a 3 de Maio foi um êxito rotundo, ao ter logrado um seguimento massivo e umha movimentaçom sem precedentes que superou a resignaçom e o mal-estar individual. Fomos capazes de dar umha resposta colectiva. A unidade da luita, a combatividade exprimida, a capacidade de ir arrastando dia a dia mais e mais trabalhadores/as das diversas actividades e ramos, constatou o imenso mal-estar em que vive o metal e a vontade de luitar pola recuperaçom dos direitos que o patronato ano a ano nos foi arrebatando. Mostramos com força a nossa imensa capacidade e poder como classe.


3º-Porém, o pré-acordo assinado polas centrais sindicais e os métodos empregados para "impô-lo" nom nos satisfazem. Nom compartilhamos o
"triunfalismo" com que se apresenta o resultado da luita.

Nom negamos que o conseguido supom um evidente avanço no papel a respeito de como se achava o sector. Com a força acumulada, com a capacidade de luita e unidade atingida, com a solidariedade e apoio emprestado por amplas camadas do povo trabalhador, com a histórica resposta dada à repressom policial do dia 8, o pré-acordo é claramente insuficiente. Tínhamos forças avondo para atingir a totalidade dos nove pontos da tabela reivindicativa sobre a qual se articulou a greve.

Os sindicatos cedêrom perante o patronato ao desconvocarem a greve geral de todo o sector anunciada para o dia 11, abraçando um pré-acordo cuja redacçom final nom está fechada, e cuja integridade desconhecemos a dia de hoje a prática totalidade dos mais de vinte mil operári@s, pois o que se nos apresentou nas assembleias nom passa de um resumo selectivo de aquilo que as centrais quigérom dar a conhecer.

No caso de CC.OO e UGT, nom nos surpreende o seu comportamento. Som sindicatos amarelos e pactistas, ao serviço do patronato, dirigidos por máfias sem relaçom directa com o mundo do Trabalho. A nova reforma laboral pactuada há uns dias com o governo do PSOE e a CEOE, em que se embaratece e facilita o despedimento, se incrementam as bonificaçons empresariais por contrataçom e se legitima o encadeamento de contratos, constata o seu carácter de entreguistas aparelhos burocráticos contrários aos interesses da classe operária.

Mas sim nos defraudou o papel jogado pola CIG, -à qual alguns dos "assinantes" desta carta estamos filiados-, aderindo a um acordo cujos termos som claramente insuficientes. A CIG devia ter forçado e encabeçado a reivindicaçom de um acordo melhor, mais ambicioso, em que se arrancasse do patronato os nove pontos iniciais, basicamente no referente a contar em 2008 só com 25% de precariedade. Mas as inércias pactistas, as pressons recebidas, os interesses políticos, tivérom mais peso que a decidida vontade de prosseguir a luita manifestada por amplos sectores do proletariado mais activo, basicamente a juventude.

Logo da histórica jornada de 8 de Maio, em que a brutal violência institucional do capitalismo mediante a repressom da polícia ao serviço dos patrons nom foi quem de romper e dividir o movimento, o proletarido do metal do sul da Galiza reforçou a sua capaciade de combate. As ruas do centro de Vigo fôrom testemunhas da sanha e brutalidade policial, mas também da resposta espontánea, contundente e valente dos milhares de obreiros que lhe figemos frente com a nossa razom e consciência de classe à selvagem repressom. Nom fôrom capazes de dobregar-nos. Ao dia seguinte éramos mais na assembleia. Corina Porro, Fernandez Vilarinho e Delfín Fernández fracassárom ao recorrerem à violência do Capital.


4 Mas a nossa crítica e mal-estar nom se circunscrevem ao acordo. Os métodos empregados para o forçar som exemplo do que nom deve ser a democracia obreira: houvo imposiçom administrativa e burocrática das decisons das cúpulas sobre a assembleia geral, restringindo e gerindo a informaçom. Só à terceira tentativa lográrom impor o pré-acordo.

Desde o primeiro momento, as centrais mantivérom umha posiçom minimalista e formal sobre a soberania e o sujeito colectivo da luita. Esta reside no conjunto d@s milhares de obreiros que ateigavamos as assembleias e nom na comissom negociadora conformada por sindicalistas, na sua imensa maioria liberados sem relaçom directa com o sector.

Deste jeito, na assembleia geral realizada em Vigo a 10 de Maio tentou-se desconvocar a greve sem dar mais informaçom que os discursos favoráveis ao pacto transmitidos polas três centrais empregando umha megafonia insuficiente. Malvido, Álvarez e Cameselle tinham pressa por fechar o conflito. Porém, a assembleia nom ratificou o acordo.

Ao dia seguinte, embora sim se distribuísse um resumo do pré-acordo e se contasse com umha magnífica megafonia, nom estava previsto no seu guiom que pudessem intervir os obreiros ali concentrados. Os "líderes" explicariam o acordo e nós, tomados por massa seguidista e amorfa, ratificaríamos sem problemas o pactuado. Nom foi assim. A indignaçom e mal-estar logrou forçar que vozes contrárias pudessem subir ao estrado a explicar a sua posiçom contrária, entre insultos intoleráveis dalguns "chefes sindicais". A primeira votaçom constatou umha insuficiente maioria para ratificar o acordo. Os dirigentes sindicais vírom-se em apuros para forçar umha segunda e atingir umha apertada e discutível maioria que emsombrece a legitimidade do seu resultado.

Porque nom se abriu um turno de palavras para poder opinar quem quiger?
Porque nom se optou por outro modelo de votaçom, como votar por assembleias de empresa?

Porque houvo que empregar desqualificaçons e insultos para dificultar a intervençom dos valentes companheiros que pudérom falar defendendo o NOM?

Porque o sim tinha direito permanente à réplica?

Porque os líderes sindicais exprimírom tanto nervosismo e pánico ao resultado da votaçom?

O acontecido no dia 11 de Maio em Vigo exemplifica dous modelos antagónicos de sindicalismo. O burocrático e delegacionista, perfeitamente organizado, que emprega as assembleias como um formalismo para legitimar os "profissionais" do sindicalismo tendentes ao pacto e acordo permanenete com o patronato. E um modelo assemblear, democrático e participativo, defendido pola juventude obreira, na imensa maioria sem filiar a nengumha central, e carente da mais mínima e elementar rede organizativa.

Foi precisamente a ausência de organizaçom o que impossibilitou um convénio melhor. Se os milhares de trabalhadores que nos opugemos a este pré-acordo estivéssemos organizados, outro galo cantaria.


Esta greve permitiu que, pola primeira vez, milhares de jovens obreiros participássemos directamente na luita de classes. O acontecido nas ruas e nas fábricas, o papel dos sindicatos, a nossa inexperiência nom é nada novo, é umha constante na dilatada história da luita de classes. Maio de 2006 passará às páginas de ouro da luita de classes do nosso país. Umha nova geraçom obreira emergiu e acordou do sono.

Porém, este grupo de trabalhadores somos conscientes da importáncia do que aprendemos nestes dias de greve, e portanto apelamos à juventude metalúrgica para manter aceso o facho da luita por umhas melhores condiçons laborais e contra a exploraçom capitalista. Para isto é necessário a auto-organizaçom, ou no sindicalismo existente, criando umha corrente classista, democrática, ou mediante comissons de trabalhadores/as inicialmente nas empresas e posteriormente com a sua vertebraçom no sector. Tal como algum sindicalista exprimiu na tribuna, chegou o momento do relevo geracional. Nom podemos seguir delegando, temos que ser sujeito activo na luita. E esta é o único caminho para atingirmos os objetivos que marquemos.

Mas também é necessário estarmos alerta, vigiantes para que se cumpra o convénio pactuado, o acordo definitivo que assinarom há uns dias sindicatos e patronato.

Galiza, 21 de Maio de 2006

Contacto: proletariadometalgz@gmail.com

 

:: Mais informaçons sobre o mesmo tema

Convocam manifestaçom contra a repressom em Vigo. (+...)

Juventude revolucionária avalia experiência da greve do metal (+...)

Polémico fim da greve do metal: à terceira foi de vez (+...)

Democracia obreira nom ratificou acordo (+...)

Empresários de Ponte Vedra reclamam mais repressom policial (+...)

Vigo: a polícia dos patrons, contra o povo trabalhador (+...)

O "sindicalismo moderno" na greve do metal (+...)

Greve do metal estende-se, nível de luita aumenta (+...)

Sector do metal vai à greve no Sul da Galiza (+...)

 

Voltar à página principal