Será que a agressom americano-israelita contra o Líbano cessará após a aprovaçom da Resoluçom 1701 polo Conselho de Segurança?

19 de Agosto de 2006

Seguindo com as reflexons sobre a agressom sionista contra o Líbano publicamos umha análise do Partido Comunista Libanês emitida 12 de Agosto.

Será que a agressom americano-israelita contra o Líbano cessará após a aprovaçom da Resoluçom 1701 polo Conselho de Segurança?

Um mês e um dia após o começo da agressom americano-israelita contra o Líbano, após o fracasso daquela agressom e a sua incapacidade para atingir seus objectivos, após a repetida utilizaçom polos EUA de tácticas de procrastinaçom, atrasando sessons previstas do Conselho de Segurança, e após numerosos rascunhos propostos pelos americanos e a seguir retocados pola França, foi o campo de batalha no sul do Líbano e a nobre resistência que impugeram umha nova realidade até agora desconhecida para Israel em toda a sua longa história de batalhas na regiom e as suas guerras bem conhecidas. Após ataques e retiradas em toda aldeia no sul, depois de o inimigo apregoar ter vencido algumha espécie de vitória ou atingido algum objectivo, a poeira assentou e é óbvio que o campo está verdadeiramente nas maos da resistência islâmica que está defendendo, resistindo e infligindo perdas e baixas militares ao inimigo ocupante. Esta realidade esgotou as desculpas dos EUA, o seu armazém de tácticas dilatórias e o seu tempo. O que tem estado a verificar-se no campo de batalha resultou num crescente número de fissuras e diferenças e interpretaçons variadas em muitos lados -dentro do Líbano, entre israelitas, entre a Europa e a América- o que baralhou as cartas. Diplomatas trabalharam febrilmente e intensamente até que a resoluçom foi aprovada e anunciada hoje [12] contra o pano de fundo da decisom do governo israelita de expandir o ámbito das suas operaçons militares no terreno no sul até o rio Litani, operaçons que som militar e politicamente desconcertantes dentro de Israel. Podemos dizer que a resoluçom do Conselho de Segurança foi emitida de forma a permitir à comunidade internacional recuperar o fôlego na batalha furiosa, permitir fazer uma reavaliaçom calma, nom só em termos dos desenvolvimentos mais recentes nos campos de batalha como também em termos dos desenvolvimentos políticos mais recentes, e as transformaçons que estam a ter lugar (nas posiçons dos estados árabes e a posiçom interna libanesa, por exemplo).

A resoluçom, portanto, foi o resultado da firmeza das forças da resistência e do povo. A questom agora é: quando seriamente será implementada? Será encarada como um primeiro passo ou uma trégua temporária? Muitas questons poderiam ser levantadas se examinássemos profundamente cada parágrafo da resoluçom que foi finalmente emitida. Mas é demonstrável que um acordo sobre esta resoluçom nom teria sido alcançado se todos os meios disponíveis para Israel a fim de mudar a realidade no campo de batalha nom tivessem sido esgotados, e se nom houvesse mudanças nas posiçons de várias parte (da França, vários grupos no Líbano, nos estados árabes, e a mudança de uma posiçom de conceder legitimidade à agressom para a de abraçar a resoluçom de ontem [redigido em 12 de Agosto] do Conselho de Segurança).

Apesar disso, podemos ver que há muitas minas espalhadas sobre o "campo" desta resoluçom, que nom cumpre as exigências mínimas libanesas apresentadas nos sete pontos que o governo libanês aprovou unanimemente, apesar de partes deles terem sido extraídos e inseridos.
O acordo excluiu a exigência de Israel ser levado a julgamento à luz do direito internacional pola selvageria da sua agressom contra o território e o povo do Líbano. Ao invés disso, o acordo condenou o Hizbollah como o instigador do combate, ignorando todo dos crimes de Israel e os seus actos de agressom contra o Líbano.


O acordo nom incluiu um apelo a cessar fogo imediato e sim a um final de operaçons militares. Isto significa que foi deixada aberta a porta para Israel e o seu exército ajustarem-se à resoluçom e tomarem quaisquer passos militares que considerarem adequados à necessidades conjuntas israelitas-americanas.


No acordo os EUA fazem um recuo táctico temporário após o fracasso da agressom e da sua incapacidade para atingir os seus objectivos, numha tentativa de criar uma situaçom onde poda apoderar-se do que está a perder e por em jogo algumhas das suas cartas bem conhecidas, tais como a situaçom interna libanesa.


A resoluçom ignora a questom dos prisioneiros; deixa o assunto da área dos campos de Shabaa fora da discussom possivelmente com o objectivo de utilizar isto posteriormente em tratos com actores regionais.


É de notar que todo ponto na resoluçom que é do interesse do Líbano é um ponto preparatório, uma declaraçom acerca de algumha cousa para a qual os assuntos estam a ser preparados; ao passo que todo ponto que é do interesse de Israel é um ponto para implementaçom real.
Muito pode ser dito acerca da resoluçom, mas em qualquer caso este acordo nom teria sido alcançado se nom fosse pola contínua, esplêndida e patriótica firmeza popular; se nom pola corajosa resistência que mais umha vez afirmou que o Líbano com a sua resistência patriótica e islâmica e a firmeza do seu povo, e com o alinhamento de todas as forças democráticas e patrióticas em torno da resistência, nom pode ser transformado numha arena para o esquema americano para a regiom. O Líbano nom será tornado um ponto de lançamento do "Novo Médio Oriente"; o Líbano será unicamente um lugar de firmeza, patriotismo e identidade árabe, pouco importando quais os sonhos que alguns podam entreter acerca da sua transferência da orla árabe para a orla americana.

Até o momento, todas as tentativas internacionais de implementar a resoluçom fracassaram. Tem sido igualmente um fracasso todas as tentativas de atingir qualquer dos objectivos da agressom americana-israelita além daqueles de matar as mulheres, crianças e pessoas inocentes que pagaram o preço deste ódio neo-nazi. As tentativas de alguns dos das forças do 14 de Março -incluindo Saad al-Hariri que fugiu dentro de Beirute num helicóptero francês com permissom americano-israelita, tentando passar-se por um salvador político, espalhando a ideia de que a soluçom veu devido aos seus esforços incansáveis no exterior ao longo de todo o período da agressom- serám inúteis a menos que aceitemos o princípio de umha conferência nacional na base de que o Líbano obtivo umha vitória sobre o esquema americano-israelita e que devemos trabalhar rapidamente e com todo o nosso poder elevar o nível das nossas responsabilidade e utilizarmos esta vitória politicamente a fim de dar um passo em frente rumo à construçom de um estado de direito e institucional, livre de nomeaçons por confessionalismos políticos e acima de interesses sectários estreitos.

O povo e a resistência do Líbano mostraram a sua poderosa vontade de aço e devemos agora frustrar todas as tentativas de destripá-la e esvaziar esta vitória patriótica do seu conteúdo nos níveis militar, político, económico e social. Nossa tarefa central deve ser fortificar e reforçar a unidade nacional libanesa, impedindo qualquer infiltraçom, reforçando a confrontaçom legítima com o esquema americano-israelita em andamento contra a nossa pátria.


O original (em árabe) encontra-se em http://www.lcparty.org/120806_1.html
A traduçom em inglês encontra-se em http://mrzine.monthlyreview.org/lcp120806.html

 

 

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