Publicamos análise política de James Petras sobre a actual ofensiva sionista

16 de Julho de 2006

Durante o último mês e meio, a sucessom de ataques, massacres e declaraçons sionistas contra os povos árabes, nomeadamente o palestiniano, tem sido tam rápida e mediatizada pola comunicaçom social pró-imperialista, que pode conseguir que nos perdamos, evitando que fagamos umha composiçom do verdadeiro significado dos acontecimentos em curso.

O artigo que agora apresentamos, recém publicado em inglês e espanhol em diversos meios electrónicos, é a primeira traduçom para galego-português de "A soluçom final do Estado judeu: o assalto a Gaza", umha extensa e lúcida análise política da actual ofensiva sionista contra a Faixa de Gaza, cuja leitura é altamente recomendável.

Para maior comodidade, além do texto em htm, oferecemos ainda a versom em pdf do mesmo documento. Para acederes a ela, só tés de clicar no ícone abaixo:

A soluçom final do Estado judeu: o assalto a Gaza (PDF)

 

A soluçom final do Estado judeu: o assalto a Gaza

James Petras, 15 de Julho de 2006

"É dever dos líderes israelitas explicarem à opiniom pública, claramente e com coragem, alguns factos que, com o passar do tempo, estám a ficar no esquecimento. O primeiro deles é que nom há sionismo, colonizaçom nem Estado judeu sem o despejo dos árabes e a expropriaçom das suas terras". (Ariel Sharon, ex-primeiro-ministro polo Partido Likud, Agência France Press, 15 de Novembro de 1998).

"Devemos expulsar os árabes e ocupar o lugar deles". (David Ben Gurion, ex-primeiro-ministro polo Partido Trabalhista, 1937).

"Nom existe umha cousa como o tal povo palestiniano. Nom é como se nós chegamos, os expulsamos e tomamos conta do país deles. Eles nom existem." (Golda Meir, ex-primeira-ministra polo Partido Trabalhista).

"Israel criará no decorrer dos próximos 10 ou 20 anos condiçons que atraiam a imigraçom natural e voluntária dos refugiados da Faixa de Gaza e a Cisjordánia para a Jordánia". (Isaac Rabin, ex-primeiro-ministro polo Partido Trabalhista).

"Nom podes simplesmente empacotar gente num camiom e levá-los longe. Prefiro é defender umha política positiva, para criar, com efeito, as condiçons que numha forma positiva induzam para as pessoas irem embora". (Ariel Sharon, 24 de Agosto de 1988).

"A partiçom da Palestina é ilegal. Nunca irá ser reconhecida… Eretz Israel será restituído ao povo de Israel. A totalidade dele. E de vez." (Menajem Begin, ex-primeiro-ministro polo Partido Likud).

"Acreditei, e até esta declaraçom ainda acredito, no eterno e histórico direito do nosso povo a esta terra toda". (Ehud Olmert, primeiro-ministro israelita, ao Congresso dos Estados Unidos da América em Junho de 2006).

"Mas isto nom é meramente um arrazoado incorrecto; arrestar pessoas para as utilizarmos como carta de intercámbio é um acto de um bando, nom de um Estado". (Editorial de Haaretz, 30 de Junho de 2006).


Introduçom

Ao começar a noite de 28 de Junho de 2006, Israel lançou um ataque maciço por terra e ar, e invadiu a Faixa de Gaza, ataque em que mais de 5.000 soldados seguírom tanques e transportes blindados, enquanto formaçons de helicópteros dotados de artilharia e avions de combate disparavam mísseis e foguetes sobre centros habitados, e destruíam as infraestruturas básicas de mais de 1.400.000 palestinianos. O pretexto do Estado judeu para a guerra total era libertar um soldado israelita mantido como prisioneiro de guerra (erroneamente descrito como um soldado "seqüestrado") por um grupo da resistência palestiniana.

Inclusive a imprensa financeira pró-israelita viu afraca escusa de Olmert "…a desproporçom entre os meios e os fins sugere que isto (a libertaçom do prisioneiro israelita) pudera ter sido um pretexto" (Financial Times, 1 de Julho de 2006). O FT continua com a defesa de que o intuito do ataque de Israel era destruir o governo democraticamente eleito, afirmar que nom tinha ninguém com quem negociar e entom…" (establecer) unilateralmente as novas fronteiras para um Estado israelita alargado, mediante a anexaçom de grandes fatias do território ocupado em que os palestinianos tinham esperado construir o seu Estado independente" (FT, 1 de Julho de 2006, p.8) .

A 6 de Julho, forças israelitas com transportes blindados à frente invadírom o norte de Gaza e declarárom que estavam a anexar o território como umha "zona de amortecimento" (Notícias da BBC de 6 de Junho de 2006), o que confirmava as prediçons do editorial do FT; e supunha mais um passo em direcçom à "Soluçom Final". No fim do dia, as forças armadas israelitas tinham re-conquistado umha fatia importante de Gaza numha operaçom de pinça Norte-Sul e tinha matado 22 civis palestinianos e combatentes da resistência, e ferido outros muitos. Enquanto os políticos europeus e estado-unidenses urgem à "contençom", o bombardeamento israelita dirige-se ao mais profundo de Gaza, ignorando todas as subtilezas diplomáticas e as Convençons de Genebras, confiando em que o grupo de pressom assegurasse que os EUA (e portanto a Europa) nom imporám restriçom nengumha. Enquanto 300 judeus británicos progressistas e de esquerda assinavam um anúncio no Times de Londres, nenguma declaraçom semelhante surgia dos seus colegas estado-unidenses; talvez estejam à espera até a re-conquista de Israel ser um facto consumado.

Como tenhem declarado explicitamente todos e cada um dos seus primeiros-ministros, trabalhistas, do Likud ou de Kadima, a meta estratégica de Israel é o controlo total da Palestina toda por parte do Estado judeu, a incautaçom forçosa da terra palestiniana e a expulsom de milhons de palestinianos da "Terra do Grande Israel". Esta visom totalitária de umha Soluçom Final tem avançado metodologicamente com os anos e acelerou-se durante este último, mediante a destruiçom sistemática das condiçons elementares para a sobrevivência da Palestina.

Do presente ao passado

O ataque de 28 de Junho tinha o objectivo de destruir os dirigentes palestinianos (Notícias da BBC, 1 de Julho de 2006). Mais de 60 dirigentes palestinianos fôrom detidos ou impedidos nos seus cargos, incluindo o arresto de 8 ministros do gabinete e outros 20 membros do Parlamento. Como justificaçom do arresto dos ministros do gabinete de Hamas e deputados democraticamente eleitos, o ministro da Defesa israelita e líder do Partido Trabalhista, Amir Peretz, dixo de forma estrambótica: "A dança de máscaras acabou… os fatos e gravatas nom servirám mais como disfarce de cumplicidade e apoio dos seqüestros e o terror" (Notícias da BBC, 1 de Julho de 2006). Peretz, o executor político da invasom, tem sido a meninha dos olhos do centro-esquerda europeu e estado-unidense, e o favorito do autoproclamado "progressismo" de rabins e intelectuais judeus. À destruiçom por parte de Israel da central eléctrica de Gaza e da subministraçoom de água, o bombardeamento das pontes que ligavam o norte e o sul de Gaza, segue-se um esforço sistematico para matar à fame os 1.400.000 palestinianos que vivem em Gaza.

Sob o embargo total imposto polo Estado judeu para jugular a economia palestiniana com o objectivo de "criar as condiçons para a saída voluntária", como o anterior primeiro-ministro Rabin tam requintadamente descreveu a limpeza étnica… "mais de 48 das 60 fábricas de um parque industrial fechárom ou fôrom re-localizadas no Egipto ou outros países árabes". (New York Times, 3 de Julho de 2006).

O bloqueio dos pontos de entrada e o assassínio sistemático de civis, incluindo famílias inteiras, levou a que a invasom conforme um claro modelo de provocaçom para justificar a agressom. Nas semanas precedentes ao dia 28 de Junho, Israel mobilizou as suas forças armadas nas fronteiras de Gaza, preparou-se para um ataque em massa e mentiu ao afirmar que o Estado judeu estava "a responder" à captura do seu soldado. Ao longo de 2006 Israel lançou umha guerra psicológica e militar em todo o território de Gaza. Segundo o Centro Palestiniano para os Direitos Humanos, entre Janeiro e 30 de Maio de 2006, o Exército israelita cometeu 18 assassinatos, eufemisticamente denominados "execuçons extra-judiciais" ou "assassinatos selectivos de militantes"; entre 29 de Março e 30 de Maio, fôrom efectuados 77 ataques aéreos sobre núcleos habitados, escritórios governamentais, infraestruturas e meios produtivos, e nesse mesmo período de tempo Israel lançou quase 4.000 obuses.

Quando as forças armadas israelitas tomárom posiçons para a sua Blitzkreig, guerra relámpago, de 28 de Junho, o Estado judeu intensificou as suas provocaçons e aumentou as matanças de civis palestinianos. Entre 26 de Maio e 21 de Junho, um total de 44 palestinianos fôrom assassinados, dos quais 30 eram civis, incluindo 11 crianças e 2 mulheres grávidas (Centro Palestiniano para os Direitos Humanos, PCHR, Relatório Semanal sobre violaçons israelitas dos Direitos Humanos nos Territórios Palestinianos).

A táctica israelita foi cometer crimes tam brutais contra civis indefesos para obrigar o democraticamente eleito governo de Hamas a renunciar ao seu cessar-fogo voluntário de 18 meses e responder em defesa do seu povos. Hamas recusou-se e Israel inventou o álibi de libertar o soldado israelita "refém" para nom renunciar à sua "toma de posse de terras".

Em simultáneo à campanha de terror e precedendo a sangrenta campanha israelita de Junho, o Estado judeu e os seus "lobbies" de ultramar nos EUA detivérom com eficácia todo o financiamento ao Governo democraticamente eleito, inclusive as centenas de milhons de dólares dos impostos arrecadados polo Estado judeu das importaçons palestinianas que pertencem à Autoridade Palestiniana. Os níveis de pobreza quadriplicárom e a desnutriçom infantil multiplicou. Os ordenados de 165.000 empregados governamentais, incluindo trabalhadores médicos, mestres e polícias, dos quais dependem directamente mais de um milhons de palestinianos, nom fôrom pagos durante meses, com o qual, os níveis da pobreza extrema aumentárom para mais de 80% da populaçom em Gaza e de 64% de todos os palestinianos. O limiar de pobreza para os palestinianos, estabelecido em 2,10 dólares por dia, é umha insuficiente medida do nível de vida. Umha vez que as tácticas de assédio e inaniçom de Janeiro-Maio nom fôrom suficientes para romper a resistência palestiniana e derrubar o governo de Hamas, e facilitar assim a usurpaçom de terras, em Junho, Israel incrementou a campanha de terror contra civis que culminou com a invasom e a destruiçom física do que restava da economia e da aparência de autoridade. Os métodos totalitários de terror, inaniçom e assédio estavam a apertar o nó para a Soluçom Final Sionista da Questom Palestiniana, ou como o sorridente fascista Isaac Rabin declarou numha ocasiom: "as condiçons que atrariam a emigraçom natural e voluntária dos refugiados da Faixa de Gaza e Cisjordánia".

A destruiçom final de seis mitos sobre o Estado e o lobby judeu

As tácticas das tropas de assalto de Israel que se mostrárom tam devastadoras na invasom de 28 de Junho e a sua visom totalitária de umha limpeza étnica em massa deixam poucas dúvidas quanto às suas metas últimas e métodos políticos.

"Israel está a violar em Gaza as normas mais elementares da lei humanitária e dos Direitos Humanos; a sua conduta é indefensável. Mais de 1.500 ataques de artilharia chovêrom sobre Gaza… as bombas sónicas aterrorizam o povo. O transporte foi gravemente interrompido pola destruiçom de estradas e pontes. A sanidade está ameaçada". (John Dugard, Enviado das Naçons Unidas a umha reuniom de urgência do Conselho dos Direitos Humanos das Naçons Unidas a 4 de Julho de 2006)

Em resposta, com toda a trapaça, hipocrisia e arrogáncia que caracteriza os políticos israelitas, o embaixador de Israel nas Naçons Unidas em Genebra, Isaac Levanon, bradava que a reuniom de urgència era um "planeado e premeditado ataque a Israel… achamo-nos numha situaçom absurda em que o Conselho dos Direitos Humanos, convocado a umha sessom urgente, ignora os direitos de um Estado e convoca umha reuniom especial para defender os direitos do outro bando". (Noticias da BBC, 5 de Julho de 2006)

Polos vistos, o distinto diplomata estava a referir o facto de o Conselho ignorar os "direitos" dos combatentes israelitas e dos pilotos dos helicópteros a bombarderar civis palestinianos que fogem aterrorizados através da fronteira egípcia.

1. Israel e Democracia

Nas eleiçons mais democráticas nunca organizadas no Oriente Árabe, o partido Hamas foi eleito para governar pola maioria de votantes palestinianos em Dezembro de 2005. Inclusive o presidente Bush, antes de ser punido polo lobby judeu, reconheceu publicamente o carácter democrático do processo eleitoral palestiniano. O Estado israeleita rejeitou o resultado e argalhou umha maciça campanha internacional bem financiada através do seu lobby nos EUA e os lobbies judeus europeus para isolar e minar o regime recentemente eleito. Em lugar de reconhecer o mandato democrático, Israel qualificou o regime de "terrorista", ignorou o cessar-fogo unilateral de Hamas e incrementou os seus assassinos ataques militares. Sobretodo, conseguiu estabelecer um assédio económico, exercendo a sua hegemonia sobre os Estados Unidos e, através destes, sobre a Uniom Europeia. A animadversom israelita para com a democracia palestiniana e pra com o papel dos seus cidadaos a elegerem de maneira clara e livre os seus representantes assinala Israel como inimigo de umha sociedade árabe plural e aberta. Obviamente, o mesmo pode ser aplicado às principais organizaçons judias dos EUA: AIPAC, ADL, os presidentes das mais importantes organizaçons judias que repetírom como um loro o ataque de Israel à democracia palestiniana, como figérom com qualquer política sem importar-se com o desmedida que fosse, tal como os assassinatos de crianças e famílias palestinianas. A animadversom à democracia árabe transmite-se largamente no corpo político dos EUA por meio dos seus adeptos sionistas nos lobbies, no governo, nos meios de comunicaçom social e nos negócios.

2. Israel e a paz

Umha semana antes da invasom israelita, hamas e a OLP tinham acedido a negociar com Israel, dando um reconhecimento tácito ao Estado de Israel. A maioria dos meios publicárom reportagens do acordo e a Uniom Europeia saudou o acordo, assinalando que era o princípio do processo. O Financial Times afirmava: "A crise (a invasom israelita de Gaza) eclipsou um acordo vital a que Hamas e Mahmud Abbas, presidente da Autoridade Palestiniana, tinham chegdo na quinta-feira, que incluía umha implícita aceitaçom por parte de Hamas da soluçom dos dous estados para o conflito de Oriente Médio. Umha declaraçom feita pública por Hamas… referia o objectivo palestiniao de um Estado em toda a terra ocupada em 1967…" (o sublinhado é meu) (FT, 20 de Junho de 2006, p.8). Israel respondeu rejeitando as negociaçons e empreendeu umha nova guerra para destruir o Estado palestiniano. De facto, o Estado israelita nunca, em nengum momento, reconheceu o governo eleito de Hamas como um adversário nas negociaçons e muito menos como um sócio.

Como Noam Chomsky documento, desde os anos oitenta, cada vez que a OLP levou a cabo um cessar-fogo, propujo a soluçom dos dous estados e implicitamente reconheceu o Estado de Israel, o Estado judeu empreendeu a invasom do Líbano, assessinou destacados dirigentes ou empreendeu ataques militares em que morrêrom activistas e civis para obrigar os palestinianos a retirar a oferta.

O regime israelita nega-se radicalmente a aceitar negociar a libertaçom e troca de prisioneiros proposta por Hamas, a Autoridade Palestiniana, o aliado dos EUA, Mubarak e a maioria da UE. Israel tem ao menos 9.000 presos políticos palestinianos, incluindo 335 crianças e várias centenas de mulheres, a maioria dos quais sem cargos, praticamente todos fôrom torturados e a grande maioria deles som civis que fôrom capturados nas suas casas ou nas ruas. Numha palavra, a maioria dos civis som vítimas seqüestradas polas Forças de Segurança (sic) Israelitas [exército] e nom combatentes capturados como no caso do único soldado israelita. Os palestinianos figérom reitarados apelos para os israelitas libertarem as quinhentas crianças seqüestradas e mulheres palestinianas reféns em troca do seu soldado capturado. Israel respondeu intensificando os ataques militares e alargando a rede para incluir nestes todos os palestinianos. Numha reuniom do governo decorrida a 2 de Julho, Olmert afirmou: "Dei instruçons para a intensificaçom da força das acçons por parte do exército e das forças de segurança, para caçar estes terrorists, quem os enviou… e quem os refugia" (Al jazeera, 2 de Julho de 2006). Por outras palavras, as organizaçons de resistência (chamadas "terroristas) que combatem as incursons militares israelitas incluem todas as principais organizaçons palestinianas; quem os "enviou" inclui todas as autoridades políticas eleitas; e quem "os refugia" inclui centenas de milhares de famílias, amigos, vizinhos, grupos comunitários e civis, médicos e enfermeiras; numha palavra, a sociedade civil. Eis umha ordem totalitária para criminalizar e atacar praticamente toda a sociedade política e civil palestiniana.

3. Israel e os direitos políticos

A re-ocupaçom militar de Gaza por parte de Israel e a imposiçom da lei marcial vai acompanhada da criminalizaçom de toda a classe política eleita: ministros do governo, parlamentares e activistas dos partidos políticos. O ex-primeiro-ministro israelita Simon Peres declarou à CNN (2 de Julho de 2006): "Eles (os funcionários do governo palestiniano) serám levados a tribunal e serám acusados de participarem em actos terroristas contra o governo civil (sic) e de apoiá-los". Para tal, os israelitas bombardeárom, na melhor tradiçom do ditador chileno Augusto Pinochet, os escritórios do primeiro-ministro palestiniano e ateárom fogo ao prédio. Coo se fosse demolir inclusive a lembrança ou a ideia de um governo palestiniano, o gigante israelita está a destruir toda a base de infraestruturas para umha vida política: prédios, dirigentes, partidos e eleiçons.

Sistematicamente e com umha eficácia burocrática que teria ganho a admiraçom de Adolf Eichmann , o Estado judeu continuou avante com a demoliçom de cada estrutura imaginável necessária para a vida civilizada. A 3 de Julho de 2006, bombardeou a universidade na cidade de Gaza. A 4 de Julho, bombardeou o ministério do Interior. A 5 de Julho, os israelitas invadírom o norte de Gaza e a criminosa história continua. Para aqueles que julgavam que esta invasom era apenas mais um episódio da procura de um prisioneiro de guerra, Yuval Diskin, chefe da polícia secreta, o Shin Bet, declarou que "… a operaçom em Gaza pode prolongar-se durante meses" (Al jazeera, 2 de Julho de 2006). Com um cinismo e hipocrisia monumentais, o general de divisom Amos Yadlin, chefe da inteligência israelita, declarou umha vez detida ou sepultada toda a classe dirigente palestiniana: "…os esforços de mediaçom frustrárom-se porque ninguém sabe com quem falar sobre Shalit (o prisioneiro de Guerra israelita)".

4. Israel e o terror

Enquanto Israel estava a destruir toda a base da existência palestiniana como povo, lançava ataques de artilharia de 24 horas, bombas sónicas contínuas lançadas por avions de voo rasante, forçava a desidrataçom de toda a populaçom no meio de um calor infernal ao destruir o abastecimento de água potável, populaçom que vive na escuridade, privada de comida e confinada nas suas casas ou refúgios. Todo um povo, que carece de exército próprio e está sob assédio militar, esconde-se num território que cada vez é mais reduzido. Isto é o Estado do Terror na sua forma mais expressiva e maligna: o objectivo da "Puniçom Colectiva" nom é assegurar a libertaçom do prisioneiro de guerra israelita; o objectivo é tornar a vida dos palestinianos tam insuportável, tam falta das condiçons tam básicas para a sobrevivência, que ou sejam forçados a fugir ou se alcem numha última resistência heróica, à qual Israel responderá com o seu mais mortífero poder militar ou, como seria descrito por prestigiosos académicos, jornalistas, ideólogos e presidentes das principais organizaçons judias: "umha enérgica resposta israelita ao terrorismo palestiniano".

5. O lobby judeu: a questom principal

Enquanto o ataque israelita a Gaza ecoa, o mesmo fai a propaganda e o activismo a favor dele por parte das principais oragnizaçons judias/sionistas nos EUA e na Europa. Numha publicaçom preparada por Daily Alert (o jornal elaborado pola conferência de presidentes das principais organizaçons judias dos Estados Unidos), desde o princípio da invasom de Gaza, encontramos um apoio automático e acrítico a cada um dos ataques a Gaza: às centrais eléctricas porque tenhem "dupla funçom"; ao abastecimento de água e centrais de tratamento de águas residuais porque som "objectivos militares", já que som utilizadas polos captores; o aterrorizar crianças e civis é para "os fazer saber porque passou Siderot (umha comunidade [colónia] na fronteira israelita e lugar de origem do ministro da Defesa)"; intensificar e prolongar a repressom israelita da populaçom palestiniana porque "Hamas e Fatah som organizaçons terroristas e devem ser tratadas como terroristas e esmagadas por todos os meios necessários". (Daily Alert, 3 de Julho de 2006).

Há umha divisom internacional sionista do trabalho: os assassinos militares operam em Israel, os assassinos verbais operam fora das luxuosas suites dos escritórios dos presidentes das principais organizaçons judias.

Nada capta o poder do lobby judeu tanto como a euro-estado-unidense resposta ao ataque em grande escala de Israel a Gaza. Bush apoia as acçons israelitas inclusive quando estas violam extremamente as "regras" de Washington para os ataques do exército israelita: este destrói umha central eléctrica financiada polos EUA, fai rebentar em pedaços pontes, estradas e condutas de água contrariamente à advertência de Bush de "evitar danificar as infraestruturas e ferir civis". Israel já pode enfiar o dedo no olho a Bush, que este continuará a apoiá-lo, porque Israel sabe que o lobby judeu mobilizará um apoio quase unánime no Congresso, umha focagem favorável dos media sobre o "refém" e um autêntico bloqueio informativo ao imenso sofrimento dos palestinianos. Graças ao lobby judeu, o terrorismo totalitário de Israel, dirigido para umha "Soluçom Final", provoca apenas ridículas respostas das Naçons Unidas de negociar umha resoluçom pacífica, quando os únicos negociadores eleitos legitimamente estám em prisom, ou escondidos, ou ameaçados de morte.

A 5 de Julho, a Uniom Europeia criticou severamente as "desproporcionadas medidas" de Israel, mas nom a invasom de Israel e a sua violaçom da Carta das naçons Unidas sobre o direito das naçons à autodeterminaçom. Esta traiçom vergonhosa e submisa dos próprios princípios da Uniom Europeia agravou-se quando a UE comparou a invasom por parte de Israel com a captura por parte da Palestina de um soldado combatente em activo (La Jornada, Cidade do México, 6 de Julho de 2006). A diferença entre o apoio estado-unidense, dominado polo lobby, à invasom por parte de Israel e a UE reduz-se à "adequada quantidade de força" que Israel deve utilizar na invasom de Gaza.

O que é que explica o apoio dos EUA à limpeza étnica israelita, apesar de que Israel repudia imprudente e ostentosamente as "moderadas" pautas estado-unidenses a respeito da destruiçom da democracia palestiniana? Ninguém em sao juízo, poderia afirmar que o ataque israelita a Gaza se deva à política estado-unidense, aos seus interesses ou ao poder imperial estado-unidense. De princípio a fim, toda a campanha para destruir o democraticamente eleito governo de Hamas foi planificado e feito em Israel, e foi executado com a cumplicidade de bom grado dos presidentes das principais organizaçons judias dos EUA -incluindo AIPAC, mas sem se limitar a esta organizaçom. Os ataques e assassinatos diários em Gaza e Cisjordánia fôrom levados a cabo sob a direcçom dos generais israelitas Shin Bet e Mossad, fôrom aprovados polo ministro israelita da Defesa e polo primeiro-ministro sem consultar com Washington ou sequer fingir que era avisado. A campanha para isolar e destruir praticamente Hamas foi organizada esmagadoramente polo lobby judeu; conseguiu obter a praticamente unánime aprovaçom do Congresso estado-unidense e o completo apoio de Washington. Conseguiu que o governo de Bush pressionasse a UE para esta boicotar os governo de Hamas.

Nom há provas que envolvam o Grande Petróleo na ofensiva israelita para "limpar" a Palestina de árabes. Nom há provas de que Israel tenha agido em nome dos estrategas estado-unidenses. Há é grande abundáncia de relatórios, documentos, declaraçons e acçons encetadas polo regime isralita e polas suas correias de transmissom estado-unidenses de que impugérom a cumplicdade estado-unidense, maquinárom toda a operaçom consoante os seus próprios métodos totalitários ao serviço da sua própria estratégia desenhada para assegurar a "Soluçom Final": o domínio judeu em todo o território palestiniano.

O lobby judeu seguiu diligentemente cada volta e cada virada na linha de propaganda israelita na sua astuta trilha para umha Palestina puramente judia. Por exemplo, Israel afirma que nom pode negociar com os paletinianos porque eles se negam a reconhecer Israel (embora nos oitenta proclamasse pública e categoricamente que era por umha soluçom consoante o modelo de dous estados). O lobby ignorou a promessa de Arafat, a seguir riscou a sua proposta de pouco fidedigna, depois mudou completamente e aceitou o seu papel como interlocutor legítimo nos encontros de Oslo, umha vez que Israel ultrapassou a linha e aceitou que Arafat era um homem de Estado e nom um terrorista. Com Sharon sabotando os acordos, o lobby mudou e voltou a qualificar Arafat de terrorista e culpabilizou a OLP por nom aceitar a criaçom de bantustons palestinianos separados.

O Estado judeu alegou que nom podia tratar com um ilegítimo regime nom democrático. O lobby repetiu como um loro a frase e chamou a Israel "a única democracia no Médio Oriente", enquanto Israel exercia um controlo colonial sobre três milhons e meio de palestinianos. Após as eleiçons livre ganhas por Hamas, o Estado israelita rejeitou o resultado democrático; o lobby "esqueceu" a sua retórica democrática e voltou a repetir como um loro as palavras dos seus amos israelitas. Nom som aceitáveis aqueles governos democraticamente eleitos que Tel Aviv nom aprovar.

Israrel lançou umha série de medidas para destruir a economia palestiniana e bloquear o comércio e a vida financeira; o lobby apoiou-nas automaticamente, promoveu a cumplicidade estado-unidense e apoiou a puniçom colectiva ao povo palestiniana por ter sido tam irresponsável como para apoiar um governo nacionalista decidido a eliminar a corrupçom.

Israel saltou polos ares as centrais eléctricas financiadas polos EUA; o lobby apoiou Israel por cima do seu próprio governo.

Israel construiu o Muro de segregaçom. O Tribunal mundial condenou-no. O lobbyh defendeu-no repetindo as palavras do Estado de Israel: é umha "vedaçom de segurança".

Por outras palavras, as provas de que em todas as condiçons o lobby age como umha correia de transmissom da política do Estado de Israel som incontornáveis. Em contra de qualquer consideraçom racional, automaticamente o lobby apoia incondicionalmente todas as violaçons por parte de Israel da paz, a democracia, os direitos humanos, a legislaçom dos tribunais internacionais, as resoluçons das Naçons Unidas. Isto é especialmente certo inclusive quando o Estado de Israel ignora descaradamente a política estado-unidense. É inquestionável que a primeira lealdade política do lobby é para com o Esatdo de Israel. O paoio incondicional do lobby judeu ao ataque israelita a Gaza ilustra mais umha vez que nom há crime, por horrível e perverso que puder ser, cometido por Israel, que nom seja apoiado por respeitáveis professores universitários, banqueiros, jornalistas, médicos, assessores políticos, magnatas imobiliários, juristas, mestres e gentes correntes que conformam a base activista das principais organizaçons do lobby judeu.

6. Israel e os intercámbios de prisioneiros: antecedentes

O Governo israelita e todos os seus porta-vozes principais rechaçárom umha e outra vez qualquer tipo de negociaçom rumada para atingir umha troca de prisioneiros, qualificando tal pedido de "intolerável", "extorsom" e, alegadamente, "de favorecer o terrorismo". Essa linha política do Estado judeu foi previsivelmente coreada e amplificada, de maneira infatigável, polos seus representantes na Conferência de Presidentes das Principais Organizaçons Judaicas (CPMJO), nas suas siglas em inglês), invadindo em toda a regra a sua folha de propaganda, Daily Alert. As páginas editoriais do Washington Posto, do New York Times e do Los Angeles Times apareciam cheias de artigos de opiniom, escritos por membros ou apoiantes do lobby judeu (pró-israel), a aderirem à posiçom israelita contrária ao intercámbio de prisioneiros.

Os arquivos históricos proporcionam um relato muito diferente da política de Israel em relaçom à "extorsom" e troca de prisioneiros. Em numerosas ocasions, Israel negociou intercámbios de prisionerios e chegou a formalizar acordos com supostos "terroristas palestinianos". Como Esther Wachsman, mae de um soldado israelita que morreu no curso de um operativo para tentar libertá-lo, afirmou veementemente (como sabe também todo o mundo em Israel): "Tode esse palavrório de que nom falam com terroristas é absurdo, afinal libertárom prisioneiros palestinianos que tinham sangue nas maos de três soldados mortos e libertárom ainda Sheij Ahmad Yasin em troca de dous agentes do Mossad". (BBC News, 1 de Julho de 2006).

Igualmente irrisória e fora de lugar, quando nom trágica, é a indignaçom dos funcionários israelitas e dos funcionários do lobby judeu contra a "extorsom". Israel retém sistematicamente todos os membros de famílias, parentes e bairros inteiros de activistas suspeitos de terem alguém como refém, alguns até som levados a prisom e torturados para obter informaçom ou para forçar possíveis suspeitos à delaçom sobre eles próprios.

Como assinalou numha ocasiom Albert Camus, a prática de acusar as vítimas dos crimes que os carrascos estám a ponto de cometer é o carimbo distintivo dos regimes totalitários.

Para além da hipocrisia do lobby e do Estado judeu, das ladainhas e abertas mentiras com que acompanham a negativa a negociar umha troca de prisioneiros, surge umha questom igualmente importante: porque, ao invés das suas práticas no passado, o regime israelita rechaça negociar? A explicaçom dos motivos da intransigência israelita, e tendo em conta os factos, obriga a deduzir que nom querem que o seu soldado seja libertado, ao menos até terem devastado e re-ocupado Gaza. Desta vez, a negativa a negociar supom um movimento cínica e friamente calculado para prolongarem a invasom e incrementare o absoluto esmagamento da economia de Gaza, acelerando assim o abandono "voluntário" dos palestinianos. O modesto cabo está a ser sacrificado para bem do Grande Deus do Grande Israel; após todas essas fotos sentimentais do rapaz publicadas polos poderosos meios de comunicaçom social do lobby, nom se pode encontrar preocupaçom nengumha, como demonstra a cínica negativa do Estado judeu a negociar a sua libertaçom.

O perigo é que o fundamentalismo israelita está envolvendo nom apenas os EUA e os seus media, mas também a sociedade civil estado-unidense, que já sofre avondo polo controlo policial estatal exercido polos nossos próprios governantes na Casa Branca. Para além da terrível situaçom e injustiça a que se vem submetidos os palestinianos em Gaza, a cumplicidade estado-unidense é a questom principal no novo vendaval guerreiro contra o Irám. Se Israel, através do seu lobby judeu e os seus partidários no governo, pode induzir os EUA a invadir o Iraque, se pode assegurar a cumplicidade entre os EUA e a UE para destruir, no curso de umha limpeza étnica, um governo democraticamente eleito na Palestina, poderia a mesma configuraçom de poder levar a cabo um ataque em massa contra o Irám? Os precedentes já fôrom estabelecidos. A maquinaria está pronta. É questom de tempo ou de achar o pretexto adequado? Pode algum pretexto imprevisto e imprevisível ou algumha força política intervir para controlar o mostro sionista? O primeiro passo para explicar o problema é identificar o bloque de poder em jogo favorável a Israel, desmascarando a questom das duplas lealdades, deixando ao léu as ferozes campanhas de difamaçom dos agentes do Estado israelita e começando umha campanha política e educativa a nível nacional para pôr fim aos crimes israelitas contra a humanidade e as vergonhosas desculpas do seu lobby em torno da "Soluçom Final".

Propaganda nos Meios de Comunicaçom Social ao Serviço da Limpeza Étnica

Como era previsível, se examinarmos as respostas oferecidas no passado perante os brutais ataques israelitas contra comunidades civis palestinianas, a resposta dos media aos tais ataques consistiu em aderir, quase que na sua totalidad,e com o ponto de vista do lobby israelita. Seleccionei, com o intuito de analisá-la, umha das fontes mais acreditadas para poder ilustrar o problema: a British Broadcasting Corporation (BBC), em lugar dos mais patentes porta-vozes do lobby, como o Washington Posto, Los Angeles times e o New York Times, ou os corruptos canais de rádio e televisom. A 1 de Julho de 2006, Alan Johnston, o correspondente da BBC News em Gaza, ofereceu umha visom integral da situaçom de guerra (BBC News, 1 de Julho de 2006). A chave do relato favorável a Israel acha-se nos antecedentes da invasom israelita: "O melhor dos governos poria-se aqui a luitar. E Hamas deu-se à tarefa com umha atitude em relaçom a Israel que garantia que se ia ver envolvido em problemas".

A "atitude", ao menos a que exprimia a conduta de Hamas, consistiu em: (1) manter um cessar-fogo de um ano com Israel, a pesar dos assassinatos sem trégua por parte deste país; (2) participar no primeiro processo eleitoral livre e aberto; (3) efectuar umha oferta par a negociaçom da coexistência sobre a base do mútuo respeito e igualdade com o regime israelita, que este rejeitou de jeito categórico; e (4) a procura de meios pacíficos e apelos às Naçons Unidas contra o brutal boicote israelita. Quer dizer, a BBC vira a cabeça dos antecedentes da invasom: foi a atitude beligerante e hostil de Israel (e a sua conduta) que "garantiu que (Hamas) se visse envolvido em problemas".

A BBC revè as actividades de Hamas no passado, desconsiderando exemplos muito mais graves de terrorismo estatal israelita, incluída a homicida invasom do Líbano, durante a qual matou 25.000 pessoas, 1.400 delas só nos campos de refugiados de Sabra e Chatila; o assassinato israelita de grande quantidade de civis palestinianos durante as duas Intifadas; o massacre sistemático de opositores, denominado "assassinatos selectivos": todo o qual foi condenado tanto polas Naçons Unidas como pola maioria dos governo ocidentais (com a execpçom dos EUA). Se passadas condutas terroristas suponhem critérios para avaliar os regimes, os países mais freqüentemente citados pola maioria das opinions públicas ocidentais como as maiores ameaças para a paz som Israel e os EUA. A criaçom mesma de Israel baseou-se no terror e a destruiçom violenta de hotéis, cafés, hospitais, colégios e outras propriedades quer árabes, quer coloniais. A preocupaçom da BBC polos cafés e autocarros ignora a destruiçom israelita de escolas, hospitais, lares palestinianos. A neingum nível pode ser Israel um pária internacional, polo menos por umha margem de 10 a 1, se medirmos os resultados das votaçons efectuadas nas naçons Unidas sobre determinados factos. A participaçom de Hamas nas eleiçons foi aprovada por todos os regimes ocidentais, incluído Washington, que, inicialmente, deu as boas vindas aos democráticos resultados. O bloqueio da Palestina, dirigido por Israel, o lobby e os EUA, nom é conseqüência da conduta de Hamas no passado, mas dos resultados eleitorais recentes, e da vingança de Israel sobre o eleitorado palestiniano, como tenhem afirmado publicamente altos cargos israelitas. Além do mais, como foi assinalado mais acima, umha semana antes da invasom israelita, Hamas, ao ter concluído um acordo com a OLP, estava a dizer de forma tácita que concordava com umha soluçom a partir de dous estados. A maneira como a BBC abordou a questom, dando umha visom tam negativa de Hamas, foi ideada para a culpabilizar, sendo vítima dos crimes de Israel, o lobby e os EUA estám a perpetuar contra os palestinianos.

Segundo a visom oferecida pola BBC, o embargo por parte de Israel, o lobby e EUA nom parece imposto contra um governo eleito democraticamente, mas contra uns terroristas. Os assaltos israelitas na Palestina, preparando a invasom, acham justificaçom nos factos do passado de Hamas, ocultando o provocador assassínino de 20 civis durante o sangrento passado mês de Junho. O "quadro" da BBC para analisar a invasom israelita nom é mais do que um claro estratagema contra umha naçom mais umha vez colonizada.

A nova colonizaçom de Gaza por israel, os bombardeamentos e a mobilizaçom militar anterior à captura do soldado israelita som totalmente ignorados na perspectiva da BBC. Em vez de ter em conta esses factos, é-nos apresentado um bobo melodrama de um terceiro acto de umha ópera ao serviço de umha selvagem carnificina contra 1.400.000 palestinianos.

"Eram militantes de Hamas que domingo assaltárom um posto do exército na fronteira de Gaza. À luz do amanhecer, rebentárom um túnel e surpreendêrom a dotaçom de um pesado tanque. Os atacantes matárom dous soldados e levárom Gilad Shalit, de 19 anos. E quando se vem as suas fotos na televisom, com o rosto pálido e os óculos, é fácil acreditar que é tal como é descrito: "tímido, brilhante, com talento para a matemática". É como "o rapaz israelita da porta do lado". E agora assistimos como testemunhas do seu pesadelo. Está nalgum lugar das profundezas de Gaza, em maos do seu mais terrível inimigo". (BBC, 1 de Julho de 2006)

A BBC projecta a imagem de assassinos árabes de crianças surgindo literalmente do interior da terra -autênticos diabos vivos- a matarem brutalmente "crianças" dormidas de face com sardas, sem mencionar que, quando estavam acordados, tinham disparado milhares de projécteis contra Gaza enquanto exploravam o horizonte à procura de qualquer alvo que se movimentasse. Há 9.000 prisioneiros palestinianos, muitos deles civis e sim, alguns ficárom pálidos ou mais do que pálidos por causa da legalizada tortura, um bom número deles som mais novos do que Gilad, alguns levam óculos, muitos som tímidos e brilhantes, com "talento para a matemática". As suas famílias, por todo o território apestiniano, vivêrom o "pesadelo" das prisons israelitas, levam vivendo-o desde um a vinte anos… nom apenas uns quantos dias, como o cabo da dotaçom do tanque. Há 300 autênticas "crianças palestinianas da porta do lado", menores de 18 anos, que estám a apodrecer nos cárceres israelitas, e há outras milhares que ficárom cegas e mutiladas polos disparos da artilharia real por protestarem contra a ocupaçom. Para os israelitas, o "pesadelo israelita" tem lugar graças aos 20.000 dólares estado-unidenses de rendimentos per capita, para os dispostivos electrónicos iluminarem as suas casas, para terem piscinas onde espreguiçar e descontrari do "pesadelo" de um único soldado israelita, que, segundo nos contou a BBC, "está em grave perigo" em maos de "militantes palestinianos" assassinos de crianças.

A BBC, sem ironia nem vergonha, omite referir o pesadelo vivente de 1.400.000 habitantes de Gaza sem água, sem tratamento de águas residuais, sem electricidade e submetidos a descargas diárias de artilharia e mísseis…

Nom é difícil ver que a BBC incorporou à sua narrativa a ideia racista sionista de que a vida de um israelita é mais valiosa do que a de 1.400.000 palestinianos, ou que a angústia psicológica dos televidentes israelitas é mais importante do que a de centenas de milhares de famílias palestinianas ameaçadas com o extermínio físico.

Permita-se-me dizer que a apologia que a BBC fai do terrorismo israelita nom é pior do que a propaganda que nos mostram as notícias do resto das ilustres publicaçons dos media dominantes nos Estados Unidos.

É surpreendente, nas reportagens que os meios eleboram sobre a agressom israelita, comprovar o nível que podem atingir para justificarem e legitimarem os crimes mais brutais, com as imagens mais cruas e a linguagem mais falsamente moralista… nem o Papa, nem a "mascote" de Ocidente, Kofi Annan (secretário geral das Naçons Unidas), nem nengum outro funcionário governamental importante -excepto o ministro dos Negócios Estrangeiro sueco- alçárom um só grito de indignaçom perante este crime contra a humanidade. Isso fala do poder dos lobbies israelitas tanto de aqui como no exterior. Quando Mussolini invadiu a Etiópia, a Liga das Naçons lavou as maos e nom fijo nada. Quando Hitler invadiu a Checoslováquia, alguns ocidentais gritárom para tentarem apaziguar a situaçom, mas nom figérom nada. Mas quando Israel viola Gaza, Washington e a UE ainda o encorajam.

Enquanto Israel se concentra na agressom, o lobby judeu envolve-se profundamente nessa acçom e os meios de comunicaçom social dedicam-se a transmitir o rosto do único militar israelita cativo, o movimento pola paz estado-unidense está virtualmente morto diante do pesadelo palestiniano.

As infames negaçons do poder do lobby judeu (por parte de Chomsky, Palast, Albert e um exército de intelectuais e jornalistas progressistas) iam ver-se em maus lençóis para acharem interesses em volta do "Omnipotente petróleo" enterrado nas areias e entulho de Gaza. Nem pode tampouco ser ligado o apoio que o Governo estado-unidense dá à agressom israelita com nengum "interesse geopolítico no Médio Oriente", como defendia o professor Steven Zunes. O lobby falou e Washington escuitou, a sua "angústia" é real, a sua vida é um "pesadelo"; os "outros" som terroristas.

A diminuta e sobrelotada porçom de terra palestiniana está a ser empurrada para o mar: um pequeno empurrom mais das tropas israelitas e cairám nele em massa.

Deus abençoe os crimes israelitas contra a humanidade! Deus abençoe a aquiescência dos Estados Unidos! Deus abençoe o impotente movimento pola paz estado-unidense que antepom cínicas alianças tácticas por cima da solidariedade com a humanidade!


 

 

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